Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A versão Brasileira do Alzheimer Político.


                Em qualquer busca de navegador encontramos a definição para Alzheimer “as conexões das células cerebrais e as próprias células se degeneram e morrem, eventualmente destruindo a memória e outras funções mentais importantes”, quais os agentes que escreveram o roteiro e dirigiram o filme destes quatro últimos anos vividos no Brasil? É a incógnita do momento conhecemos apenas alguns atores e não a ficha técnica, esta falta de memória nos levou a loteria que é o momento político atual no país.

                Nos falta no todo instituições fortes de investigação que encontrem os operadores das marionetes em cada uma das cenas deste verdadeiro teatro de bonecos que foi-nos apresentado no palco da política brasileira nestes últimos quatro anos pelas instancias de poder, infelizmente conhecemos apenas fragmentos do todo com o brilho de cada um dos atores na representação do seu papel, o povo brasileiro por certo mereceria muito mais do que esta representação.

                As causas não são difíceis de detectar iniciando por uma imprensa superficial sem autonomia investigativa vivendo das benesses do poder como lhe foi ensinado pela ditadura militar, o que é agravado por sua incapacidade de encontrar como adequar-se ao novo dinamismo das comunicações estabelecido pelas redes sociais, passou a viver de manchetes sensacionalistas na busca do curtir da população em geral, sem investigação não há memória sobram apenas sensações e a partir destas ultimas é que a população passa a se manifestar.

                Na verdade, apesar dos esforços em amenizar, vivemos em uma economia de péssima distribuição de renda que privilegia o acumulo de riqueza na parte mais alta da pirâmide social, desconsiderando os grandes oligopólios de mídia despreocupados com o tema não há recursos para sustentar este trabalho investigativo, o que nos leva como brasileiros a um estado de desinformação ofuscando a qualidade de nossas decisões transformando-nos em uma sociedade sem memória e deficiente em seu pensamento funcional.

                O caráter ainda elitista de nossos instrumentos de ciência e tecnologia e a falta de investimento sério na área cultural mantém um afastamento muito grande entre população e o capital de conhecimento nacional, nossos esforços nesta área são na maioria destinados aos burocráticos programas de publicações cientificas, dificultando a inserção de seus resultados no dia a dia do cidadão, hoje completamente despreparado para resistir ao poder manipulador dos algoritmos construídos sobre os grandes bancos de dados de comportamento humano.

                Mesmo não sendo portador das informações desejáveis, portanto não sabedor se os objetivos foram atingidos como o desejado pelos seus mentores, eu posso enxergar sem sombra de duvida uma atuação concatenada nas diversas instituições de poder forçando uma crise econômica e política com o objetivo de mudar radicalmente os rumos da nação e enquanto não recuperarmos a memória destes últimos quatro anos entendendo cada um dos mecanismos usados e quem os ativou estaremos á mercê deste caos lotérico que se instalou na nação.  

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O Outro Lado da Moeda


                Alem de toda a circunferência com sua cinta constante a moeda sempre tem dois lados, mesmo que não queiramos vamos admitir o obvio que como nação todos nós perdemos, estando por vir mais quatro anos de decadência, dificuldades sociais, políticas e econômicas das quais não temos como fugir, independente de quem vença o pleito, as cartas estão dadas, o aumento do caos que por aqui se estabeleceu é uma realidade que nem o argumento nem a violência são capazes de vencer.

                Vamos admitir, porém que dos dois lados da moeda, mesmo sendo em tom de torcida de futebol durante um clássico onde o adversário é tudo de ruim, nunca em tempos nenhum tivemos tantos participando do debate sobre a nação que queremos, cabe então a todos nós mantermos este nível de participação pós-apuração não mais sobre a canalhice do adversário, mas sobre situações concretas deste país que necessitam ser discutidas e encaminhadas como novas resoluções para construirmos uma sociedade mais justa.

                Temos muito a estudar e investigar sobre os últimos quatro anos, sob-hipótese alguma temos o direito de abrir mão desta análise, pois o futuro da nossa gente é dependente da interpretação correta dos movimentos que estão por traz do acontecido, qualquer governo que se estabeleça de fato não será o resultado de uma maioria e sim uma simples fotografia de um momento atípico na cena nacional, ir a fundo à reflexão sobre os mecanismos criados para gerar este clima de instabilidade social e identificar os oportunistas que trabalharam em seu beneficio pessoal parindo este caos é um dever nosso como sociedade.

                Em paralelo ao compromisso anterior nos cabe também em sintonia com a democracia e suas instituições não abrirmos mão de todas as pautas, o novo governo deve por ser um serviço à população administrar o país ouvindo o consenso de seu povo em cada medida a ser executada priorizando o direito ao trabalho justamente remunerado, uma educação que impulsione o homem a sua utopia e uma saúde que valorize o direito universal a vida, este é um direito nosso, o direito de ser ouvido quanto a diretrizes a serem executadas pelos nossos delegados administradores.

                A eleição na verdade começa na segunda feira, depois da festa dos vencedores, para cada um dos itens temáticos que compõe o compêndio Brasil que queremos, cabe a nós lapidar a melhor proposição para, independente de qual dos dois for o novo presidente, a execute em nosso nome, caso contrario voltando o nosso povo ao silêncio pacato da responsabilidade repassada aos governantes continuaremos a vivenciar o que se estabeleceu nestes quinhentos anos, uma riqueza natural espoliada e um povo empobrecido e explorado.

                Quantos mais de nós assumirmos o compromisso do bom debate, maiores são as possibilidades de rompermos esta corrente predatória que nos mantém no subdesenvolvimento e sob a tutela dos interesses internacionais.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Tradição, Família e Propriedade tem Outro Nome: Hipocrisia e Barbárie.


                A quem pretendem enganar com este seu canto de sereia, que como é do conhecimento de todos hedionda na realidade e linda no encanto do seu canto, com seus chavões contra a corrupção e o roubo, comprometidos por quinhentos anos de espoliação das riquezas do país e exploração do seu povo o candidato fascista e seus cúmplices reaparecem depois de minguados doze anos, em que o povo concedeu-se ser senhor do seu destino, com esta revindicação de exclusividade na rapina em nome de uma fantasiosa moralidade associada à defesa da tradição, família e propriedade.

                O que pregam como tradição é o direito de submeter à maioria a sua verdade particular, tão sua que lhes parece digno de ser impingida via autoritarismo militarista e perpetuada por um ensino utilitarista que desarme a população atual e futura de seu direito ao pensar, optando pelo odioso “colocar cada um em seu lugar” por práticas de discriminação das minorias revertendo o processo libertador que hoje as mesmas estão vivenciando. 

                O que apregoam como defesa a família, infelizmente seu modelo não é um conjunto harmônico de pessoas que se amam que querem crescer juntas, mas uma estrutura patriarcal autoritária de peças e papéis previamente definidos, uma célula mater da sociedade onde a ordem fala mais alto que o amor, é este direito de voltar ao passado, que imaginávamos já superado em todo o mundo, que buscam restabelecer para propaga-lo nas instituições democráticas.

                O que advogam como propriedade é sempre o pedaço de chão cercado pelo mais forte e nunca a distribuição justa do trabalho humano, quem tem a propriedade a disposição da sociedade nunca precisou temer será sempre respeitado e benquisto, agora o que a tomou pela força necessita de armas e milícias para defendê-la sempre vê no outro o espelho de seus atos.

                E se pensássemos que a verdadeira tradição é a capacidade do homem em rever seus conceitos reinventando-se em uma sociedade dirigida ao bem comum, nossa tradição é da abolição da barbárie e não do retorno à mesma, já nos demonstrou a história que a repetição dos erros do passado sempre se apresentou como uma farsa urge avançar para alcançarmos a harmonia do afeto que somente é possível abrindo mão do autoritarismo, da discriminação e da exploração do outro.

                 E se pensássemos que a verdadeira família é associação de seres humanos em células de reprodução de bem querer, onde trocam entre si talentos para o crescimento de todos e transcende para a integração com outras iguais no que denominamos comunidade humana dos homens livres, a harmonia dos iguais desta família seria não mais a fonte de poder e sim a irradiação de uma luz á contribuir para a paz na humanidade.  

                E se pensássemos que a verdadeira propriedade, independente de ser publica ou privada, é um equipamento destinado a dar o conforto do teto universal ao homem, permitir o uso de seu talento no direito ao trabalho em prol de todos, nunca para a acumulação de riquezas individuais que leva ao desperdício, sempre para o bem estar de todos.

                Não nos enganemos cabe a cada um de nós decidirmos entre a guerra e a paz, infelizmente continuadamente estamos optando pela guerra, guerra entre as pessoas, guerra entre as nações quando tão somente a paz poderia levar a prosperidade tão sonhada, não é o que tiro dos outros que me engrandece e sim o que faço pelo outros me enriquece.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Caminhando Sobre Minhas Pegadas de Resistente.


                Amigos, desde que lembro conhecer-me, ando a percorrer o caminho da resistência rumo à utopia de uma sociedade justa do ponto de vista social e econômico, onde os seres humanos não acumulem riquezas ás custas do suor e do sangue de outros, nesta estrada entre tantos que admiro gosto de citar homens como Gandhi sua luta contra o colonialismo na India, Mandela seu desafio ao racismo na África do Sul e Mujica sua busca por uma América Latina livre no Uruguai.

                Consciência eu tenho de que andamos em frente, eventualmente com retrocessos inevitáveis, mas sempre avante porque assim como as derrotas não me diminuem as vitórias não me aumentam, fazem parte apenas da luta e penso que assim há de ser enquanto viver.

                Minha primeira derrota ocorreu quando ainda criança, em 60, onde a espada de Lot (miniatura que empunhava orgulhosamente) perdeu para a vassoura de Jânio, porém em 62 quando da legalidade de Brizola, aí já pré-adolescente, tive minha primeira vitória contra a elite local apoiada pelos “interesses internacionais” como dizia o mesmo Brizola.

                Tombos sérios foram em 64 quando os tanques passaram por cima da vontade deste adolescente e na sequencia em 68 consagraram a ditadura torturadora com o AI5, eu participei ativamente de todos os movimentos na rua e dentro das escolas em busca da volta a democracia.

                Diretas Já foi aonde cheguei quando estávamos em 83/84, uma ampla mobilização que terminou na eleição ainda indireta de Tancredo que com sua morte legou o poder para um Sarney palatável a famosa transição da ditadura para a democracia, evitando expor os golpistas a expiação de seus crimes, finalmente em 89 eleições diretas elegendo um farsante caçador de marajás, Collor que assumiu a presidência nos anos 90.

 Collor afastado, mandato tampão de seu vice Itamar preparando as eleições de Fernando Henrique Cardoso que assume a presidência em 95, um exemplo de guinada á centro direita, em sua posição inicial exilado sociólogo de esquerda, o vi avançando rumo o centro com as conquistas sociais minguando enquanto o governo corria no tempo, terminando mais á direita que ao centro.

Durante este tempo havia um pregador da pureza política, muito parecido com o discurso que hoje vemos do lado fascista, felizmente com o foco mais apropriado que é o da Justiça social e não o do autoritarismo e da violência, este elegeu Lula presidente nos idos de 2003, minha desconfiança política vinha da atitude de privilegiar a luta contra os irmãos de esquerda para a conquista do poder hegemônico nesta ala em detrimento a luta contra as elites exploradoras, postergada que foi para uma fase dois.

Só poderia dar no que deu um grande avanço nas políticas sociais, crescimento econômico e político em relação à comunidade internacional, o país assumindo uma liderança de uma terceira via mundial, melhor distribuição da renda e das oportunidades para o povo, mas sempre tem um senão, o acordo e envolvimento com uma classe política de direita vassala dos interesses econômicos da elite mundial e contaminada pela corrupção com avanço geométrico á partir do golpe militar de 64, a convivência com a lama o infectou em nome do manter-se no poder, os próprios professores de corrupção em um golpe de mestre o aniquilam em nome de uma luta onde nunca lhes interessou contar com a esquerda, manter a elitização da corrupção e desfazer dos avanços sociais.

Bem aí estamos preparados para mais quatro anos de resistência, independente de quem ganhe o processo eleitoral, que ainda posso sonhar e lutar para que seja uma derrota do novo caçador de marajás, teremos sim o fascismo nas ruas e teremos muita dificuldade de ver o PT criando sua comissão de verdade para entender seus muitos acertos e para apreender com seus erros, como prega o companheiro anarquista Noam Chomsky, mas para quem nasceu na resistência é apenas mais um episódio na luta por uma humanidade justa.  

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Pedaço de Mau Caminho


                Um paraíso a espreita é tudo de bom para qualquer um de nós, as organizações religiosas se multiplicam para nos ajudar a acessa-lo, ótimo que existam em quantidade sempre que ajude o ser humano a encontrar a felicidade e a paz, semeando bondade para a humanidade na terra, pena que carreguem em seus braços uma classe de dirigentes.

                Os deuses não precisam de representantes, de intermediários, eles tão somente necessitam que os irmãos da fé se encontrem em comunidades para refletir sobre a melhor maneira de vivencia-la, nestes grupos de fiéis os diferentes talentos irão gerar a completude da conversa com deus.

                Infiltram-se nestas organizações castas de dirigentes no sentido amplo da palavra que é exercer governo, sempre que se queira conduzir a contrapartida é ter obedientes seduzidos,  correspondendo ao chefe nas suas vontades e recomendações, o que por si só já desmonta o amai-vos uns aos outros como a si mesmo, colocando por terra a igualdade entre os ditos eleitos, passamos então a ter um que aponta o caminho que fala em nome de deus para seus tementes ouvintes e não seus iguais.

                Podem chamar isso de carisma, podem catalogar como uma questão de mérito, mas o que não pode ser escondido é que o dirigente exerce poder, o que por si só já é um pedaço de mau caminho, e num instante transforma-se em onipotente, o que o desgarra da humanidade e o põe entre os deuses.

                Quem tem o poder passa a negociar com outros que também o tem, sua medida de força é a legião que comanda, com a garantia que a mesma seguirá sua vontade em qualquer tipo de guerra santa a serviço do bem temporal, negociatas que normalmente são feitas em ambientes de sigilo assegurado, por seus fiéis não será um contrato acordado por interesse, mas uma revelação da vontade do seu Deus ao seu representante.

                Também o que a antes eram comunidades de despojados a viverem felizes entre si repartindo o pão e o vinho, transformou-se por necessidade do dirigente de expandir seu poder, em organizações acumuladoras de riquezas que fazem da caridade uma distribuição das migalhas da farta mesa da classe governante da fé.

                Talvez a mais funesta consequência desta casta de dirigentes seja a mudança de foco das organizações religiosas que por principio era o amor, que infelizmente tem o defeito de não sensibilizar dízimos, passou a ser o temor ao diabo com seu inferno o que tem um grande poder arrecadador de contribuições e de obediência.

                Para a sociedade o que restou é um aumento significativo de influência política das organizações religiosas no poder estatal, sendo que o potencial de votos, obtidos por revelação divina há seus representantes, significa um diferencial considerável em apoio político para postulantes as diversas esferas de poder de uma nação e vale ressaltar que quanto maior for à instabilidade social econômica maior será à força destas organizações.  

domingo, 14 de outubro de 2018

Meu Direito a Cegueira


                Tenho o direito de não querer ver, mas é impossível não compreender que um filho meu nascido no privilégio não tenha muito mais oportunidades de encontrar um espaço seu na sociedade do que o nascido na periferia em famílias desprovidas de quase tudo sendo uma obrigação de justiça corrigir esta distorção.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é inaceitável não admitir que a sociedade brasileira deva o pagamento de sua divida com os tempos terríveis de escravidão do índio e do negro que exerceu neste país, sendo por sinal ainda hoje alvos de discriminação, para qual são exigidas justas providências reparadoras.    

                Tenho o direito de não querer ver, mas é injusto para a dignidade humana a não condenação do torturador por seu covarde desvio de comportamento, colocar estes crápulas no grupo dos heróis admirados é doentio por manifestar objetivamente a vontade de exercer o ato de desrespeito para com o homem quando deveria lutar para condená-lo na justiça por assassinato.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é incompreensível que compares a felicidade econômica do opressor, império americano, contra os oprimidos Cuba, Coreia do Norte e Venezuela sujeitos a um implacável bloqueio econômico forçando-os a miséria com a hegemonia americana pós-final da guerra fria por pensarem de maneira diferente, o não aceitar que sua miséria é fruto de violência não justificável em favor interesses do opressor é uma falácia.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é uma insensatez não perceber que a corrupção tem sua origem na necessidade de comprar um congresso nacional e um judiciário por um regime de ditadura militar que precisava de uma falsa legitimidade bipartidarista e que todos estão envolvidos nesta lama o que é imperdoável para um partido metido a esquerda como o PT, porém perfeitamente justificável para o candidato fascista que apenas precisa no discurso combater o que vive no dia a dia.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é a própria negação do patriotismo não perceber que a elite brasileira como sempre coligada com os interesses estrangeiros para exploração da grande maioria da população brasileira, assustada com o sucesso da economia de um governo de centro esquerda, á partir da segunda vitória da candidata Dilma trabalhou incansavelmente para criar a crise social econômica e um golpe de estado, o que não é novidade já o tinha feito na década de sessenta.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é impossível associar ódio, discriminação de gênero e raça, humilhação da mulher, exploração econômica do trabalho do outro com as ideias cristãs a não ser quando manipuladas por fariseus tão bem expulsos por Cristo a relho das portas do templo por simplesmente tornarem-se donos de Deus em nome de seus proveitos pessoais.        

                Tenho o direito de não querer ver, de colocar a venda nos olhos para não enxergar a injustiça, tapar o nariz para não sentir o mau cheiro do fascismo, blindar os ouvidos contra todos os avisos de bom senso, porém não posso negar que estou sendo partícipe deste momento da destruição do respeito humano na sociedade brasileira mantendo uma práxis da elite de oprimir a maioria da população em troca de um sonho de acumulação de riqueza e privilégios pessoais.  

domingo, 19 de agosto de 2018

Marcado com Ferro em Brasa


     A marca do ferro em brasa, estúpido carimbo de infelicidade e como tal desumano, pode ser vista em cada um de nós, mesmo que em alguns disfarçada por marcas sorrisos ou aparente superioridade, as ranhuras no corpo e espírito dos seres humanos só mudam em profundidade neste nosso rebanho de civilizados.

     Por todos os lados sentimos o cheiro de dignidade queimada, a natural interna incessante busca de autodefesa esmaga muitos de nós até o ponto extremo de abrir completamente mão da vida, tanto por autoeliminação física como por depressão estendida até o imobilizador pânico, nós somos uma sociedade de doentes onde apenas o grau nos diferencia.   

     Empurraram-nos a abrir mão da vocação inata do homem para o social, seu eterno lançar-se em direção ao outro, oferecendo-nos em troca convites cativos para festas de hipocrisia ou teria outro nome os embates que nos dedicamos na convivência social física ou digital, onde a regra é consumir lixo desnecessário, competir pela vitória independendo dos meios utilizados, rebaixar outrem como único caminho de crescimento pessoal, em outras palavras verdadeiros bailes de foice no escuro.

     Nenhum de nós esta isento de responsabilidade por estarmos assim sitiados, afinal somos todos artífices desta civilização e muito pouco fazemos para mexer em sua espinha dorsal que é ditadura da mediocridade, espaço no qual o liberto é indesejável e deve ser controlado a qualquer custo para um falso bem comum.

     Por vezes me assalta o pensamento, que minha índole por natureza logo afasta, que tenhamos criado o moto perpétuo com esta maquina de triturar os seres vivos e assim transformados em pasta para o próprio funcionamento da maquina poderíamos ser eternamente carrascos de nossa própria liberdade de existir.

     Dói-me n’alma ver as pessoas cada vez mais indefesas frente aos seus próprios medos, me assusta o caminho adotado da sedação química como remédio para tornar suportável o existir, pois este mostra suas garras ao suprimir cada vez em doses maiores o viver, não é que se viva por menos tempo e sim que deixamos de viver cada vez por mais tempo.

     Necessitamos reescrever nossos caminhos como humanidade, sendo esta uma tarefa que não pode dispensar nenhum de nós, cada um deve ser o autor de sua própria obra, para tal não necessitamos de lideres menos ainda opressores, nada de cartilhas as que nos atendessem são impossíveis de encontrar, podemos e devemos sim optar a cada momento pelo poderoso ato de viver.

     Permito-me pensar que estamos muito próximos do ponto de ruptura com tudo que está por aí, apesar de cegos não percebermos estamos mais próximos do que nunca do outro, se ainda não o vemos é porque todos nos veremos quando menos se espera e a luz desta explosão se esparramará sobre o mundo novo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

É Sim Guerra o Dia a Dia de Desamor,


     Não se engane estamos sempre em guerra, assim move-se a humanidade em relações de violência explicita ou não a nos defrontarmo-nos uns com os outros, pode ser o assalto na esquina, pode ser a opressão na disputa da mais valia ou até então a força dos tanques a submeter às pessoas com a violência exposta.

     Pessoalmente me assusta mais a opressão manifesta na cadeia de interdições a liberdade do homem que nos esforçamos em criar, submetendo-o em uma falsa democracia que nada mais é que oficializar uma maneira de tirar direitos dos outros os explorando ao seu próprio beneficio que se sustenta em um falso e desrespeitoso direito do outro.

     A manipulação sistemática e maquiavélica de um pseudoconsenso é uma guerra real onde todas as vantagens são usufruídas pelos mesmos de sempre interessados na má distribuição da renda utilizando feitores iludidos pela possibilidade de estabelecerem-se na parte alta da pirâmide social.

     Sempre que criamos uma escadinha de ascensão social estamos estabelecendo ombros a nos sustentarem, quando todos conhecem a lei mais antiga a que foi condenado o homem que é a de ganhar o pão com o suor do seu rosto e não dos seus irmãos, confunde-se mal intencionadamente o trabalho cooperativo de juntos partilharmos o resultado do nosso labor com uma meritocracia que nada mais é do que a lei do mais esperto a justificar desigualdades impostas sempre em seu principio pela violência da usurpação.

     Ninguém pode esconder mais a verdade temos sim produzido riqueza suficiente para todos viverem muito bem, as mal intencionadas teorias da escassez se mostraram falsas e podemos ver claramente que a falta é provocada por estoques desnecessários com motivação baseada em conceitos de acumulação por parte de alguns do que nunca vão conseguir usufruir em detrimento de muitos que tem insuficiência.

     A questão do Justo é uma questão tão mal resolvida como qualquer outra, pois é construído á partir de interesse infelizmente não voltado para humanidade e sim para o consumo individual, justas tão somente o são as atitudes dirigidas ao bem comum independente de estarem ao não amparadas na moral atual que foi construída sobre conceitos opressores.     

     Estamos frente a frente a um grande desafio desconstruir esta farsa que define o homem bom e o mau no intuito de conceituarmos um homem inteiro em relação de fraternidade com seus iguais, neste caminho temos tudo ainda por fazer temos que reaprender relações iguais entre os seres vivos e a natureza, baseadas em qualidade de vida e nunca em acumulações desnecessárias de riquezas supérfluas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Alma Presa em Cadeias de Aço.


     Sensação d’alma dividida entre a necessidade de estar presente na comunidade de seres humanos e as cadeias de aço que a acorrentam á um viver ausente de sentido, este passar inconsequente dos dias, que parece ser a sina dos nossos tempos, levados pela correnteza de mecanismos de controle da vida, construídos pela maioria medíocre estabelecida em nome de sei lá que ordem social, reduziu-nos a meros figurantes de uma peça sem protagonistas.

     Encontramos sim algumas estrelas do entretenimento que fulguram em maiorias justificadas tão somente pelo medo á solidão que impregna os rebanhos construídos ao acaso, incapazes de encontrarem caminhos por si mesmos, segue o rumo desconhecido de um brilho ocasional confundido com uma luz inspiradora, lembram muito as imagens de mortos-vivos tão em moda nos nossos filmes de terror, um bando que se destrói e é destruído sem razão ou motivo aparente.

     Tenho no sangue o otimismo presente em grandes doses, acredito em muita lucidez presente n’alma das pessoas, apenas esta não se expande devido aos mecanismos de controle tão bem construídos em nome da civilização, este exagero de controle por incrível que pareça é a razão principal do meu acreditar, sempre assim o foi, o ocaso de um império é sua incompetência para entender o momento de parar sua expansão, feliz pressinto que estamos muito próximos do nível de ruptura do que aí esta.

     O fato é que não necessitamos implantar chips em seres humanos, nem mais necessitamos da força bruta para a execução deste eficaz mecanismo de controle social, superamos em muito a ficção cientifica ao estabelecermos uma moral que por si só, incluindo aí suas previsíveis transgressões, coordena todo um sistema de escravidão baseado na divinização da desigualdade, submetemo-nos espontaneamente em nome de uma falsa boa posição, assim sonhada e imaginada por todos, na hierarquia entre os homens.

     A fantasia e a ilusão de um consumo imaginado como transmutável em felicidade, em prazer é o caminho percorrido dia a dia para um inatingível paraíso, cada passo na escada longe de trazer uma satisfação frustra-nos ao empurrar na busca de um novo degrau na escalada de infelicidade e depressão, aumentamos o tempo de corpo são e diminuímos o tempo de espírito feliz, não conseguimos mais nos ver sem ser sob a lente construída para mostrar nossa derrota neste jogo previamente definido e criado para ser de impossíveis vencedores.   

     Não me parece oportuno perdermos o momento de discutir as novas bases que irão se estabelecer neste futuro próximo, sou fã da ideia de nascimento do homem que busca a potencia, me encanta o rigor da convivência lado a lado entre homens livres, sem servidões entre nós, de liberdades que se desafiam e colaboram entre si, quero crer na aposta do conhecer-se a si mesmo como aval principal nas relações entre os seres humanos, não necessitamos de guias, de iluminados, menos ainda de opressores precisamos apenas de convivência não predatória com a natureza.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Baixa Indignação Alta Depressão Momento II


     Desmascarar estas pseudoverdades universais desconstruindo as bases em que foram estabelecidas pelo aumento do conhecimento de si mesmo, pela ampliação do gostar de si mesmo, é o único caminho para readquirimos o status de homens livres e confrontando nossa verdade interior negarmo-nos a pagar tributo a esta falácia que definimos como civilização.

     Feita a conclusão cabe explica-la nesta cópia adulterada que hoje sou em relação ao que ontem me definia como ser, já é de conhecimento de vocês gosto sempre de olhar-me como uma versão renascida sobre minha morte passada e como tal sem nenhuma possibilidade de continuidade, em outras palavras, não há espaço para um futuro ou um passado e sim o ato positivo de exercer vida.

     A cadeia depressiva involuntariamente herdada é composta por um alto teor de baixa estima, como pode alguém gostar de si, se vivencia uma incapacidade de olhar para si mesmo, são lhe impostas referências imaginárias do que é um ser humano o que torna impossível o gostar de si mesmo por completa falta de enquadramento nesta teórica imagem pintada do homem.

     O habito de não questionarmos este cardápio indigesto de conceitos estabelecidos como verdades por si só, verdades esta que se amparam nesta falsa concepção de ser um pensamento da maioria como justificativa para sua existência, termina matando em nós a indignação e nos torna alvo fácil para seduzidos ingressarmos no rebanho dos submissos o cômodo comboio acéfalo de servos.

     Não sou dos que acreditam em maquiavelismo neste processo, sou mais um crédulo de que caímos em uma armadilha por nós mesmos construída neste muitos anos de montagem do que denominamos civilização, com medo á liberdade e ao inevitável confronto que homens livres sempre viverão na costura de contratos que os elevem, montamos um jogo de regras que ao expandirem tornaram-se senhores dos homens.

     Iludidos partes da hierarquia social percebem-se como senhores quando de fato eles estão na mesma cadeia de submissão, eles vivem o fluxo de continuo insatisfação como todo mundo, apenas agravam sua tensão existencial com suas grosseiras manifestações de exercício de poder, que sabem não possuir, construindo uma contabilidade onde sempre estão devendo, o saldo credor da felicidade e do prazer é sempre deficitário.

     A tarefa de desconstrução é um gigante desafio para o todo, porém facilmente realizável para cada um de nós, sempre que haja consciência de sua necessidade e sou daqueles que acreditam piamente na força do poder evangelizador, tão somente por sua existência, dos homens livres, os mesmos são em sua essência sementes a plantarem indignação vencendo assim a depressão, sendo que a mesma superada a nível individual espraiar-se-á na sociedade.                   

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Baixa Indignação Alta Depressão


    Modorrenta talvez seja esta a melhor definição para o momento atual das pessoas e do país, dificil estabelecer quem iniciou o processo nós ou a nação, mas percebo em todo o entorno esta apatia este sorriso escasso este nada a ver que abrange o conjunto como um todo e coloca por terra definitivamente a indignação.

     Não que os indignados tenham um espectro especial, mas no mínimo provocam o debate à ocupação de cada um com seus próprios pensamentos, é por si só um chamamento à vida e as suas consequências e sabido é que cada vez mais a humanidade necessita envolver-se com a atitude de ocupar-se com o seu existir como ser humano.

     Por outro lado, a depressão reduz, diminui e apequena o viver, decididamente sob sua influência é subtraído do homem sua autoestima e seu autocontrole levando-o a posição de servo do nada o que em muito agrava a situação como um todo, pois ao ajoelharmo-nos perante o nada nos esvaziamos por inteiro.

     Denunciar esta espiral, que longe de nos elevar, joga nossos mais secretos interiores com suas incertezas e mistérios a nos assustar frente a tudo e a todos, por certo esta atitude critica não é suficiente e nos obriga a ir mais fundo nesta analise em busca de saídas, algo que nos leve para a imensidão do mar como contraponto a esta poça depressiva.

     Por menos obvio que possa parecer esta claro que a maquina de consumo de trabalho humano esta por traz de tudo isso, dia a dia nos sentimos mais incapazes de enfrentá-la até porque a mesma não tem cérebros que a pensam e sim um pensamento global que escravizou o ser humano ser este que antes era pleno quando criava reflexões partindo de seus sentidos.

     Perdemos a potência de nos auscultar e tomar decisões para submetermo-nos a regras tão bem costuradas como verdades universais no tempo que são absorvidas como se obra do nosso pensamento o fosse o que é agravado por serem gratuitamente policiadas por um rebanho medroso de dedos duros incapazes de ter ideias próprias, que a preço de protegerem-se em meio à multidão, acéfalos, denunciam quaisquer violações as mesmas como atentado a um pretexto bem universal.

     O resultado é a mais completa insatisfação com o que deveria ser o auge da nossa felicidade a valorização de cada precioso pedaço de presente, sempre o que nos cabe de vida resulta em um vazio impossível de evitar pelo simples fato de não corresponder aos anseios internos do ser e sim a aderência a um projeto anônimo que não é parido de nós e sim desta tal impessoal opinião publica que nos escraviza e entristece.

     Desmascarar estas pseudoverdades universais desconstruindo as bases em que foram estabelecidas pelo aumento do conhecimento de si mesmo, pela ampliação do gostar de si mesmo, é o único caminho para readquirimos o status de homens livres e confrontando nossa verdade interior negarmo-nos a pagar tributo a esta falácia que definimos como civilização.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Sobrevivente

     Sobrevivente inadaptado a realidade de ser amado pelo mundo, percorro a intimidade dos caminhos do gostar despojado de retornos, me parece adequado e suficiente o amar sem o bônus de ser amado, mesmo acreditando que só são reais relações partilhadas entre todos envolvidos admito preferir o carinho despojado da necessidade de reciprocidade.

     Sobrevivente o naufrago do dilúvio por optar não partilhar da arca dos escolhidos, prefiro a serenidade da morte que a caridade injuriosa da opressão de quem apesar de igual veste a superioridade da compaixão e catalogando-me como coitado acaricia seu ego pretensamente superior.

    Sobrevivente do tempo onde às pessoas primam por exigir condições para partilhar vida e emoção eu busco estabilizar uma relação na aceitação completa da independência dos seres participantes, aceitando como do outro tudo que ele pode e quer ser, independente das minhas necessidades específicas, que por sinal em tempo nenhum podem exigir o mínimo compromisso deste.

     Sobrevivente da interpretação por nossos filtros individuais de cada atitude de outrem, encontro o tempo para entender cada gesto como resposta a uma condição muito particular de vida de quem o exerceu, longe de não ferir meus sentimentos luto violentamente para ultrapassá-los na busca deste entender.

     Sobrevivente de uma geração incapaz de andar sozinho, portanto disposta a permanentemente negociar rendição, não pretendo entregar-me nunca exigindo qualquer coisa que seja senão o respeito ao que sou sem magoas acreditando sempre no meu bem querer.

     Sobrevivente de uma sociedade onde vinga a balança das medições, eu não encontro em mim qualquer definição de certo ou errado sobre o outro, sempre vejo um todo onde nada há de mal nem de bem apenas o igual entre muitos iguais.

       Sobrevivente dos rótulos e catálogos a definir por conceitos a mascara de cada um, eu prefiro o rosto puro com suas rugas refletindo o aprendizado da vida, amando seus vincos como pequenas verdades que me encantam, frente ao verniz falso do montar-se para exercer fascínio.

     Sobrevivente tão somente por não ter medo de morrer, tanto no espírito do outro quanto muito menos de cumprir meu destino de voltar ao pó, brigando com insistência em manter o foco no presente, longe de um passado que na soma de suas magoas e ou alegrias me vergue o dorso, bem como de qualquer sonho de futuro que comprometa o meu agora manifestar-se pleno.

     Sobrevivente por apenas querer com vontade ser e ver os outros serem, contemplando-os com a alegria de curtir esta tão sua felicidade e tentando muito que possam vê-la em mim, enfim um sobrevivente destes mais de três mil anos onde o homem combate o homem.  

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Desdobrando os Joelhos.

     Sim desdobrando os joelhos ante esta coleção de deuses criados para humilhar o Homem frente ao poder, deuses que criam desajustados, são falsos desajustados porque capazes de amar, assim não podem ser aceitos pela maquina, massacrados por ditos normais insensíveis e desumanos que se creditam a imagem e semelhança de seus deuses para que estes os proclamem superiores nesta farsa a da dança do poder sobre seu semelhante.

     Sim desdobrando os joelhos ante esta fantasia que chamamos democracia, onde o controle social vampiriza o trabalho do rebanho para alimentar-se do sangue puro do que denominam de povo, onde cada vez menor em número maior em ferocidade vivem exclusivamente do trabalho do outro, disfarçando sua desonestidade em um autoproclamado mérito impossível de comprovar, não enxergam que são apenas os vendilhões do templo e se dão ao mérito de roubarem dentro de regras que legalizam esta mentira, sempre comendo o pão com o suor do rosto dos outros.

     Sim desdobrando os joelhos ante a imprudência de uma sociedade que concentra todo avanço tecnológico nas mãos e a serviço de quem tudo possui; Estes modernos escravocratas trabalhando bancos de dados poderosos com o objetivo de controlar o físico corpo e espírito e assim perpetuarem-se no prazer de ter multidões ao seu serviço, para tal constantemente trabalham falsos dilemas criando torres de babel para dividir e reinar.

     Sim desdobrando os joelhos ante a insanidade da maquina de consumo que engoliu seu criador e engorda mordendo seu próprio rabo que se alimenta neste canibalismo degenerado onde tudo perdeu o valor exceto a vantagem indevida sobre quaisquer semelhantes nos expondo nesta maluca gincana onde o prêmio disputado e indigesto é o ser humano subjugado.

     Sim desdobrando os joelhos ante a mentirosa caridade com seus falsos sentimentos onde o espírito não chora, onde o gesto em direção ao outro não ocorre, onde o carrinho inexiste, onde apenas um caudaloso rio de palavras, frases vazias que escondem o riso da hiena contido no “ainda bem que não é comigo, melhor assim...”, construção feita da caneta para fora nunca do coração.

     Sim desdobrando os joelhos ante uma maioria propositalmente conduzida ao viver medíocre por intervenção de sofisticadas técnicas de educação dirigida a geração de analfabetos funcionais, onde estimulam o fim do espírito critico para obter maquinas humanas na linha de produção de lixo.

     Sim desdobrando o joelho para de peito aberto lutar contra os altares de sacrifício humano que insistimos no dia a dia em construir, para acabarem as ofertas inúteis destinados aos falsos deuses, legítimos bezerros de ouro, que a insanidade humana construiu para deleite de alguns, quero poder simplesmente ser um libertário que sente e ama seus semelhantes sem governo, sem instituições, enfim sem qualquer coisa que não seja a comunidade igualitária de homens livres.  

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Palavra Antagoniza Vida

     Encontro-me de tempos em tempos frente a uma situação que abomino é a de expressar-me com palavras que a outrem ferem causando dor e não por acaso a intensidade destes momentos ocorre na proporção inversa do tamanho do amor que sinto pelo meu interlocutor.

     Nem sempre consigo evitar, apesar de saber que todo o dia deveria fazê-lo, o estrago de uma frase inadequada tendo como destino quem muito amo, o gostar nos dá certas liberdades indevidas, por certo, onde o dito em nada corresponde ao sentido n’alma e assim sendo magoo quem nunca quis nem de leve desagradar.

     Acredito sim no direito irrestrito de quem a ouve tomá-la no sentido mais desagradável aplicando-se a indignação de considerá-la ofensa pessoal processar este desencanto como quebra de laços com necessária busca de reparação.

     Como curar a ferida infringida se não há borracha que apague a frase feita, o que foi sentido naquela oportunidade incorpora-se no imaginário da relação existente, sempre são frases mentirosas destinadas apenas ao argumento do momento, nascem mortas para mim que as proferi por imediato arrependimento de tê-las dito, no contraponto são eternas á quem as ouve, pois maculam seu bem querer por mim.

     Se pudéssemos sempre resolver tal impasse simplesmente com afeto e carinho seria tão lindo, lamentavelmente faltam pontes estas as sentenças destruíram, nos restam novas palavras novas possibilidades de desencontro na busca do bom caminho até cicatrizarmos a ferida aí sim com o instrumento da paixão que é o roçar dos espíritos e corpos que se amam.

     Não gostaria de condenar-me a filtrar a intensidade de uma relação pela razão, adoraria ter um apagador que colocasse tudo no seu devido lugar que de fato é vontade enorme de partilhar vida e nunca inúteis palavras, gostaria que como telepatia pudesse passar o sentimento real existente que em nada corresponde ao mal entendido.

     Desviamo-nos demais da pureza do encontro no outro, precisamos de tantos artifícios para passar nossos sentimentos que corremos o constante risco da palavra que machuca quando apenas gostaríamos de estarmos juntos no silêncio das almas que se amam, a palavra que machuca quase sempre foi dita sem nenhuma intenção de fazê-lo.

        Esprememos, esfregamos, aumentamos sua profundidade, alargamos seu tamanho, a ferida agora é já maior em nós do que no outro, nos sentimos incapazes de corrigir o dano, nunca depende de nós derrotados as condições da rendição e como tal temos que ter o cuidado calmo de transferirmos a dor para nós, sabedores que mesmo cicatrizando sua ferida com o aumento da nossa chaga, sempre estaremos expostos à marca que deixamos e quanto mais privilegiados em preparo para vida formos os dois, mais complexas são as negociações para restabelecer o ponto de equilíbrio ditado pela paixão. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Em Sintonia com o Caos

     Caos sinônimo é de natureza e por extensão de ser humano, por mais que se defenda a organização como status de excelência constata-se que só há criação na desordem e assim sendo só podemos esperar vida quando sintonizados com o caos, a organização tem destino certo a morte porque trabalha com o passado e com o futuro o que por si só é uma impossibilidade, se falo de vida falo de presente tão somente.

     Todos os nossos esforços mentais são dirigidos a controlar a infinita vontade de afirmação da existência inerente ao homem, assim o é por um erro histórico da humanidade que instituiu como verdade o  desencontro da atividade cerebral com a dos sentidos, o corpo humano não pode ser dividido em duas entidades espírito e carne, pois só funciona em plenitude na fusão destas duas características em uma entidade única  própria explosão da vida.

     Não alavancamos o homem novo e sua principal dádiva que é um mundo justo devido ao sistemático combate feito pela maioria medíocre a esta maravilhosa maquina de decisões que é o ser humano, o risco que significa decidir é combatido por todas as formas de organização criadas para exercer poder, entender todos os caminhos e escolher é visto sempre como sinal de resistência a opressão, as estruturas formais com suas regras e suas leis disfarçam sob os slogans falsos de liberdade democrática e utilidade pública a submissão almejada pela maquina de poder.

     A desobediência civil sempre que resultado da consciência do homem no exercício da sua liberdade é por si só a experiência mais justa que possa ser vivida, maldosamente rotulada de desordem nada mais é que a encarnação da liberdade do homem a lançar suas forças para o bem comum da comunidade de transcendentes ao encontro da utopia criadora, não existe o melhor caminho tampouco um oráculo deste, existe o caminho escolhido e este por sua vez nos abre um novo conjunto de opções.

     Construímos grades de argumentos lógicos para nos aprisionar, justificar o abrir mão do existir combater nossa sede de conhecermo-nos e gostarmo-nos, como se o discurso em si mesmo pudesse transmutar-se em vida, todo o discurso fala do passado e não pode ser uma resposta ao presente além de ser inelegível por qualquer ouvido que não seja o que o proferiu e mesmo este não o reconhece por que já não mais o é ao escuta-lo com o filtro do presente.

     Quando dispomos um conjunto de pensamentos no papel é uma pequena foto de um momento nosso o que libertamos, sem nenhum tipo de pretensão que não seja oportunizar a recriação do mesmo para seus poucos leitores ou até mesmo deixar pegadas que talvez nunca sejam vistas, provas de uma existência e isso por si só é o suficiente, não se busca aprovação nem tampouco seguidores e muito menos ainda algum tipo de crédito até porque as verdades são individuais no restrito espaço do tempo acontecido.


     Este é o caos que quero sincronizar de viver o momento em sua plenitude consciente.       

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sou Otimista, mas que Momento!

     Desfazer quaisquer mal entendidos é por si só uma impossibilidade, pelo simples motivo que consenso é apenas uma palavra e não um fato, na real o que ocorre é que inserido em uma determinada situação acomodam-se as opiniões sempre subordinadas à lei do mais forte, caso esteja, pelo menos aparentemente, protegido do acesso de outros ao ambiente onde me manifesto tendo a defender com mais veemência e facilidade minhas teses.

     Consequência primeira do exposto acima são os diálogos antagônicos extremados nas redes sociais, onde vender uma imagem de si próprio é o mais importante, a ausência de qualquer contato sensitivo entre os participantes permite interagir em ambientes disjuntos onde o fake de si mesmo fica com a sua imaginária personalidade fortalecida, o que é estampado em nós na mistura confusa de personalidades a construída durante a existência e a construída para existir nas redes sociais.

     Bom eu vou admitir não pré-julgar o nascimento deste homem miscigenado em seus mecanismos de pensar, por um lado pela influência dos anos da civilização tão bem administrado pelo seu principal instrumento de poder, o familiar, por outro aspecto este espírito das maiorias globais medíocres estabelecidas pela total conectividade da sociedade moderna, o futuro dirá quem é este ser que aí estamos vendo, porém não posso ignorar o momento social vivido que é de enorme desesperança entre a grande maioria dos homens.

     Então se meus textos parecem pessimistas saibam que sempre me coloquei e quem me conhece um pouco também me coloca, entre os otimistas, as denúncias contra as estruturas de poder estabelecidas em todos os níveis desde o núcleo familiar até os grandes organismos oficiais de controle social, a estes em seu conjunto denominamos democracia e é desde há muito tempo um jogo de cartas marcadas, apenas refletem o mau momento vivido pela humanidade o que no meu viés otimista nada mais é do que um pré-anuncio da mudança.

     Não é novidade para ninguém a crise ser o pré-anuncio de mudanças, admito que frente a estas exista vários mecanismos de contorno para sua sobrevivência, mas pessoalmente estou convencido do esgotamento destes aparatos, é o que vejo na anemia social reinante que nada mais é do que fotografia da morte do sistema, bom então é por aí que entra meu otimismo um sistema deposto representa um novo sistema reinando no qual coloco todas minhas fichas em uma sociedade melhor e viva o novo homem e a nova humanidade.


     Por certo temos que aumentar o numero dos evangelizadores da resistência, trazendo em seu bojo a reflexão séria de uma natureza justa onde seus integrantes são plenos em si mesmos e tratam-se como iguais em seu sentido mais amplo do termo que é o das oportunidades entre indivíduos sempre diferentes.        

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sistema Perverso Aumenta Diferença entre Pobres e Ricos.

     Esta crescente e explosiva diferença de concentração de riqueza por alguns poucos ricos em detrimento da enorme maioria de pobres, constatação comprovada por todos os estudos econômicos feitos sobre distribuição de renda, afronta-nos como uma chaga viva da humanidade por sua exposição de crueldade sofisticada ao qual chegou o exercício do poder nestes nossos tempos de dito avanço civilizatório.

     O roteiro e direção desta ficção onde se combate à existência do homem espalhando morte em vida nem mais tem autoria, tornaram-se entidades autossuficientes, hoje quem pensa que articula, inova e comanda em verdade é apenas um degrau a mais na hierarquia dos submissos, uma cadeia de acorrentados a mercê das garras do poder, esta força físico moral, entidade perversa e cria do imaginário da humanidade.

     A hipocrisia dos conceitos sobre liberdade seguida por inescrupulosos defensores de causas próprias a justificar a exploração do outro como recompensa justa por um mérito discutível, nada mais é do que a versão moderna da lei do mais forte, onde abençoado pelos deuses e justificado na lei é todo o ato do vencedor independente da trapaça utilizada na disputa, a própria desonestidade é considerada talento de vitoriosos.

     A dita e enaltecida razão nada mais é na prática do que um conjunto de argumentos lógicos, matemática pura com suas induções e deduções usadas como arma de imposição de vontade, muito mais uma habilidade do que um espelho da realidade que utiliza de maneira contumaz evidências não provadas como instrumento de submissão do oponente, enquanto a verdade é de fato experiência de vida que hoje se expressa por uma interminável batalha de dominação e submissão.

     O perverso no sistema como um todo é o tamanho e quantidade de inverdades e as consequências psíquicas que elas geram em toda a população mundial, somos uma sociedade extremamente doente estando permanentemente afastados do prazer e da felicidade os poucos e fugazes momentos que nos aproximamos destes só tendem pelo que são de fugidios e frustrantes em ampliar nossa enfermidade.


     Urge resistirmos a este sistema via desobediência civil como caminho que nos resta para fugir da mesmice ao qual o sistema nos condena e encontrarmos a justa distribuição do produto global da humanidade o que é por direito de todos os seres humanos independente do papel de cada um no processo de produzi-la, esta sinergia entre os homens, natureza e suas riquezas é a tão sonhada conquista a ser obtida.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Homem na Proximidade do Caos

     Estamos andando sobre aquele fio de aço, cada vez mais disjuntos dos nossos iguais, a centena de metros de uma realidade para nós incompreensível, a única certeza que temos é a da fragilidade de nosso equilíbrio, conseguimos saber que o fio é resistente, mas de ponto de apoio insuficiente, ao menor deslize desabamos rumo ao desconhecido onde estaremos abraçados ou definitivamente afastados do prazer e da felicidade.

     Faltam-nos as pontes largas do conhecimento de nós mesmos, as trocamos por um fino fio da construção lógica de argumentos, podemos combinar conceitos infinitamente, até delegarmos a cérebros eletrônicos o ato de fazê-los, chegaremos a verdades matemáticas nunca ao entendimento do homem por uma insistência absurda em negar a origem de todas as coisas que é a junção dos sentidos ao seu espírito.

     Nosso movimento nestes inúmeros anos como humanidade tem sempre uma só direção explicar e não entender, montar conceitos e não viver, fugir e não parar para encontrar-se, sendo que esta opção nos conduz a lógica do exercício do poder e ao jogo de extermínio que nós como um todo social nos dedicamos continuadamente esta nossa sociedade se transformou em uma corrente de antropofagia.

     Para justificar o autoaniquilamento nós temos todas as teses, nós temos todas as escolas, nós temos todos os estudos, nós criamos deuses e verdades a nos darem razões, por outro lado quão pouco nos dedicamos a entender o jogo de dominação submissão que nos corroí por dentro e é o centro de quase todas as falsamente definidas como doenças modernas que resultam desta pressão insuportável da entidade impessoal do poder atingindo a todos humanos e assim mostrando-se de maneira diversa em cada um de nós.

     Como aceitar a continuidade deste processo de levar o homem individual ao caos sem tomarmos nenhuma providência, tudo feito com o intuito de transformá-lo em uma parte de uma maquina planetária de fazer inutilidades, lembrando um enorme formigueiro com suas funções bem definidas e atribuídas a cada um de seus membros, processo este ao qual o ser humano em autodefesa recolhe-se a si mesmo como expressão de sua resistência inviabilizando sua dimensão social, por certo é assim que nos querem a todos nós.


     Sabedores que somos do fato de o pensamento humano ter criado esta armadilha que lhe escapou do controle dominando-o, isto muito antes do que as proféticas e famosas maquinas da ficção cientifica o fizessem, cabe a nós um enorme esforço de desconstrução desta teia indesejável de conceitos crias nossas a partir de Sócrates, onde esquecemos o homem para trabalhar apenas ideias e submetê-lo a estas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Humanidade Corrompida Espelha Decadência

     Sempre que escuto as afirmações sobre o final dos tempos me espanto com nossa capacidade de encontrar signos para uma onipresença que nos condene a uma eternidade de alegrias ou sofrimentos, esta busca permanente de uma zona de conforto individual empurra-nos definitivamente para a autoabsolvição e afasta-nos da luta por um mundo de homens plenos na sua relação consigo, com o outro e com a natureza.

     Os grandes ciclos da vida no planeta medem-se sim em milhões de anos e nossa cultura de alguns milhares de anos trata disso como se tivesse algum entendimento de como será o inicio do próximo ciclo, quando bem sabemos que estamos tateando no conhecimento dos ciclos anteriores e nos detalhes do ciclo atual o que transforma todas as hipóteses em simples exercícios de premonição.

     O assunto só é atual por ser grande o aumento dos níveis de intolerância na sociedade globalizada e se acrescermos neste contexto, como agravante, uma passividade crescente em quantidade e intensidade salta aos nossos olhos que uma ditadura das minorias estabelece-se fundamentada exatamente nestas características indesejáveis e na diminuição do espírito de resistência que de fato é o grande construtor das utopias.

     Corrupção é um dos marcos sinalizadores deste momento, definida pela opção pessoal ou de um grupo de obter e/ou fornecer vantagens indevidas em trocas privadas de favores, escancarando o egoísmo e o descompromisso com a maioria passiva da população, ela prospera e engorda dia a dia amparada pelo relaxamento dos controles e por uma sensação crescente de impunidade dos executores sempre mais tentados pelo incentivo ao consumo desenfreado estabelecido.

     O que vemos é um grande mapa da decadência a cobrir todos os cantos do planeta, mais visível no que chamamos de terceiro mundo por suas características de continuado alvo de exploração dos mais desenvolvidos, não que pessoalmente aposte em uma sociedade moral até porque não coaduna com meus pensamentos, mas por acreditar no homem integro e justo que no seu gostar é incapaz de tirar vantagens indevidas de outrem, seja quem for este outro.

     Continuo apostando no caos como fenômeno regulador, pois a ambição desenfreada leva a impossibilidade de manter o equilíbrio social e a permanente tentação de forçar um pouco mais, inerente ao explorador, inevitavelmente romperá as amarras e libertará a sociedade como um todo, tenho a pretensão de imaginar que todos os truques já foram realizados e a explosão da organização esta prestes a acontecer, como se manifestará e quando por obvio não posso prever, mas a vejo trilhando um caminho sem volta.

     Reforço então esta necessidade do exercício da resistência com seu papel evangelizador e a ampliação do espaço de luta, entendendo como consequência do caos a construção de um mundo novo este deve estar amparado nas causas justas que são aderentes ao homem pleno e justo.  

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Sol Brilha Desigual Entre Nós

     Como duas pessoas não podem ocupar fisicamente o mesmo lugar neste nosso planeta, o que deduzimos pelo conhecimento que temos a nosso respeito e da terra, obviamente não invalidando esta possibilidade no futuro, não veem o mesmo sol e sim sois particulares de cada um e como tal em tudo tem suas verdades particulares sobre as coisas e os fatos.

     Nem sempre, até insistiria em afirmar quase nunca, o que chamamos de verdade é vista por diferentes pessoas por ângulos iguais, evidente é que ao respeitarmos as diversas experiências de diferentes pessoas este fato será constatado, impossível exigir que uma grande alegria pessoal assim o seja também para os outros, devemos contentar-nos com a percepção deste que estamos felizes admitindo que o mesmo não conheça as nossas motivações reais para tal.

     Enquanto transitamos apenas nas visões diferentes de uma mesma atitude podemos trabalhar isso com tranquilidade teórica de que os desencontros são inevitáveis e assim funcionam no dia a dia, quando avançamos para a dimensão social do homem sua interação com seus semelhantes em rede, nos deparamos com os sentimentos provocados pelos diferentes interesses de cada um de nós formando uma contabilidade de afetos e desafetos que podem sim gerar mal entendidos e influenciar definitivamente as relações entre as pessoas criando amizades ou inimizades indesejadas.

     São questões de dificil prevenção ou correção, por exigir de parte a parte atitude de paciência com a consideração das dificuldades do outro no entendimento das motivações particulares de cada um, o seu grau de dificuldade aumenta exatamente pelo que colocamos acima, os pontos de vista subjugados as experiências que não são comuns somados a objetivos particulares de dificil verbalização e entendimento pelo outro.

     Também somos obrigados a admitir conhecer muito pouco a nosso respeito, a navegação em nossas motivações internas é dificil mesmo com ajuda de profissionais externos estudiosos da psique humana, nossa memória é por demais seletiva e o que vemos de nós mesmos é a parte que nos interessa para manter nossa integridade pessoal, um grande mecanismo de defesa na nossa empreitada de mantermo-nos vivos.

     Este complexo de corpo e espírito organizado em redes que é a humanidade acaba por conduzir-nos a armadilhas de bom e mau querer, seria altamente desejável evitar o risco de nelas cair, para tal, evitarmos sistematicamente de associarmos valor positivo ou negativo a atitudes que não sejam nossas sempre podemos tentar entender as nossas motivações o que é complemente impossível em relação a outrem as quais só podemos julgar e por certo sempre fadado ao erro de sentença.