Sensação d’alma
dividida entre a necessidade de estar presente na comunidade de seres humanos e
as cadeias de aço que a acorrentam á um viver ausente de sentido, este passar
inconsequente dos dias, que parece ser a sina dos nossos tempos, levados pela
correnteza de mecanismos de controle da vida, construídos pela maioria medíocre
estabelecida em nome de sei lá que ordem social, reduziu-nos a meros figurantes
de uma peça sem protagonistas.
Encontramos sim
algumas estrelas do entretenimento que fulguram em maiorias justificadas tão
somente pelo medo á solidão que impregna os rebanhos construídos ao acaso,
incapazes de encontrarem caminhos por si mesmos, segue o rumo desconhecido de
um brilho ocasional confundido com uma luz inspiradora, lembram muito as imagens
de mortos-vivos tão em moda nos nossos filmes de terror, um bando que se
destrói e é destruído sem razão ou motivo aparente.
Tenho no sangue o
otimismo presente em grandes doses, acredito em muita lucidez presente n’alma
das pessoas, apenas esta não se expande devido aos mecanismos de controle tão
bem construídos em nome da civilização, este exagero de controle por incrível que
pareça é a razão principal do meu acreditar, sempre assim o foi, o ocaso de um
império é sua incompetência para entender o momento de parar sua expansão, feliz
pressinto que estamos muito próximos do nível de ruptura do que aí esta.
O fato é que não
necessitamos implantar chips em seres humanos, nem mais necessitamos da força
bruta para a execução deste eficaz mecanismo de controle social, superamos em
muito a ficção cientifica ao estabelecermos uma moral que por si só, incluindo
aí suas previsíveis transgressões, coordena todo um sistema de escravidão
baseado na divinização da desigualdade, submetemo-nos espontaneamente em nome
de uma falsa boa posição, assim sonhada e imaginada por todos, na hierarquia entre
os homens.
A fantasia e a
ilusão de um consumo imaginado como transmutável em felicidade, em prazer é o
caminho percorrido dia a dia para um inatingível paraíso, cada passo na escada
longe de trazer uma satisfação frustra-nos ao empurrar na busca de um novo
degrau na escalada de infelicidade e depressão, aumentamos o tempo de corpo são
e diminuímos o tempo de espírito feliz, não conseguimos mais nos ver sem ser
sob a lente construída para mostrar nossa derrota neste jogo previamente
definido e criado para ser de impossíveis vencedores.
Não me parece
oportuno perdermos o momento de discutir as novas bases que irão se estabelecer
neste futuro próximo, sou fã da ideia de nascimento do homem que busca a
potencia, me encanta o rigor da convivência lado a lado entre homens livres,
sem servidões entre nós, de liberdades que se desafiam e colaboram entre si, quero
crer na aposta do conhecer-se a si mesmo como aval principal nas relações entre
os seres humanos, não necessitamos de guias, de iluminados, menos ainda de
opressores precisamos apenas de convivência não predatória com a natureza.
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