A marca do ferro
em brasa, estúpido carimbo de infelicidade e como tal desumano, pode ser vista
em cada um de nós, mesmo que em alguns disfarçada por marcas sorrisos ou aparente
superioridade, as ranhuras no corpo e espírito dos seres humanos só mudam em
profundidade neste nosso rebanho de civilizados.
Por todos os
lados sentimos o cheiro de dignidade queimada, a natural interna incessante
busca de autodefesa esmaga muitos de nós até o ponto extremo de abrir
completamente mão da vida, tanto por autoeliminação física como por depressão estendida
até o imobilizador pânico, nós somos uma sociedade de doentes onde apenas o
grau nos diferencia.
Empurraram-nos a
abrir mão da vocação inata do homem para o social, seu eterno lançar-se em
direção ao outro, oferecendo-nos em troca convites cativos para festas de
hipocrisia ou teria outro nome os embates que nos dedicamos na convivência social
física ou digital, onde a regra é consumir lixo desnecessário, competir pela
vitória independendo dos meios utilizados, rebaixar outrem como único caminho
de crescimento pessoal, em outras palavras verdadeiros bailes de foice no escuro.
Nenhum de nós
esta isento de responsabilidade por estarmos assim sitiados, afinal somos todos
artífices desta civilização e muito pouco fazemos para mexer em sua espinha
dorsal que é ditadura da mediocridade, espaço no qual o liberto é indesejável e
deve ser controlado a qualquer custo para um falso bem comum.
Por vezes me
assalta o pensamento, que minha índole por natureza logo afasta, que tenhamos
criado o moto perpétuo com esta maquina de triturar os seres vivos e assim transformados
em pasta para o próprio funcionamento da maquina poderíamos ser eternamente carrascos
de nossa própria liberdade de existir.
Dói-me n’alma ver
as pessoas cada vez mais indefesas frente aos seus próprios medos, me assusta o
caminho adotado da sedação química como remédio para tornar suportável o
existir, pois este mostra suas garras ao suprimir cada vez em doses maiores o
viver, não é que se viva por menos tempo e sim que deixamos de viver cada vez
por mais tempo.
Necessitamos
reescrever nossos caminhos como humanidade, sendo esta uma tarefa que não pode
dispensar nenhum de nós, cada um deve ser o autor de sua própria obra, para tal
não necessitamos de lideres menos ainda opressores, nada de cartilhas as que
nos atendessem são impossíveis de encontrar, podemos e devemos sim optar a cada
momento pelo poderoso ato de viver.
Permito-me pensar
que estamos muito próximos do ponto de ruptura com tudo que está por aí, apesar
de cegos não percebermos estamos mais próximos do que nunca do outro, se ainda
não o vemos é porque todos nos veremos quando menos se espera e a luz desta
explosão se esparramará sobre o mundo novo.
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