Sempre que escuto
as afirmações sobre o final dos tempos me espanto com nossa capacidade de
encontrar signos para uma onipresença que nos condene a uma eternidade de
alegrias ou sofrimentos, esta busca permanente de uma zona de conforto individual
empurra-nos definitivamente para a autoabsolvição e afasta-nos da luta por um
mundo de homens plenos na sua relação consigo, com o outro e com a natureza.
Os grandes ciclos
da vida no planeta medem-se sim em milhões de anos e nossa cultura de alguns
milhares de anos trata disso como se tivesse algum entendimento de como será o
inicio do próximo ciclo, quando bem sabemos que estamos tateando no
conhecimento dos ciclos anteriores e nos detalhes do ciclo atual o que
transforma todas as hipóteses em simples exercícios de premonição.
O assunto só é atual
por ser grande o aumento dos níveis de intolerância na sociedade globalizada e
se acrescermos neste contexto, como agravante, uma passividade crescente em quantidade
e intensidade salta aos nossos olhos que uma ditadura das minorias
estabelece-se fundamentada exatamente nestas características indesejáveis e na
diminuição do espírito de resistência que de fato é o grande construtor das
utopias.
Corrupção é um
dos marcos sinalizadores deste momento, definida pela opção pessoal ou de um
grupo de obter e/ou fornecer vantagens indevidas em trocas privadas de favores,
escancarando o egoísmo e o descompromisso com a maioria passiva da população, ela
prospera e engorda dia a dia amparada pelo relaxamento dos controles e por uma
sensação crescente de impunidade dos executores sempre mais tentados pelo
incentivo ao consumo desenfreado estabelecido.
O que vemos é um
grande mapa da decadência a cobrir todos os cantos do planeta, mais visível no
que chamamos de terceiro mundo por suas características de continuado alvo de
exploração dos mais desenvolvidos, não que pessoalmente aposte em uma sociedade
moral até porque não coaduna com meus pensamentos, mas por acreditar no homem
integro e justo que no seu gostar é incapaz de tirar vantagens indevidas de
outrem, seja quem for este outro.
Continuo
apostando no caos como fenômeno regulador, pois a ambição desenfreada leva a
impossibilidade de manter o equilíbrio social e a permanente tentação de forçar
um pouco mais, inerente ao explorador, inevitavelmente romperá as amarras e
libertará a sociedade como um todo, tenho a pretensão de imaginar que todos os
truques já foram realizados e a explosão da organização esta prestes a
acontecer, como se manifestará e quando por obvio não posso prever, mas a vejo
trilhando um caminho sem volta.
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