O grande
psicanalista Jung, discípulo de Freud depois dissidente do mesmo, enunciava que
passamos metade da nossa vida construindo uma máscara para usarmos na segunda
metade da mesma.
Acredito
mesmo que em verdade desde nosso nascimento até o final do nosso tempo, vamos
modelando o modo como aparecemos aos outros, um simples mecanismo de defesa e
sobrevivência.
À medida
que vamos convivendo com a natureza e com outros seres humanos vamos sim nos
reescrevendo, a ponto de reconstruirmos nossas memórias para poder
aceitarmo-nos como fomos no passado.
Não cabe
nesta situação julgarmos o mérito desta reengenharia interior, mas sim entender
sua existência e assim evitarmos carregar culpas e arrependimentos sobre
atitudes que não poderiam ser diferentes na época em que as vivemos.
Inclusive
vou mais adiante, assim como nascemos com uma carga genética que modela nossas características
físicas, também trazemos uma bagagem conceitual construída pelos nossos antepassados
neste mesmo processo de modifica-los conforme sua vivência.
Não
acredito na dualidade, ou seja, não é uma questão se isso é bom ou ruim, apenas
somos multifacetados conceitualmente e a soma de todas estas facetas é a
maravilhosa figura que cada um de nós é como ser humano.
Lembrando
de Descartes, aquele brilhante filósofo, que dizia que vida é decidir e
persistir na decisão, ou seja não decidir é a morte e uma vez decidido
acertamos independente da opção escolhida.
Logo no
processo de viver estaremos tomando decisões que correspondem ao eu diverso que
me definia naquele momento do tempo, ou seja, sempre adequadas a continuada
construção de nós mesmos que realizamos.
Sempre é
bom conhecer o processo, pois assim podemos tirar a nosso favor o melhor do
mesmo, ter consciência de que, quem fui nosso passado não mais existe e viver o
presente é tudo que interessa, até porque o futuro é apenas uma hipótese.
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