segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Pedaço de Mau Caminho


                Um paraíso a espreita é tudo de bom para qualquer um de nós, as organizações religiosas se multiplicam para nos ajudar a acessa-lo, ótimo que existam em quantidade sempre que ajude o ser humano a encontrar a felicidade e a paz, semeando bondade para a humanidade na terra, pena que carreguem em seus braços uma classe de dirigentes.

                Os deuses não precisam de representantes, de intermediários, eles tão somente necessitam que os irmãos da fé se encontrem em comunidades para refletir sobre a melhor maneira de vivencia-la, nestes grupos de fiéis os diferentes talentos irão gerar a completude da conversa com deus.

                Infiltram-se nestas organizações castas de dirigentes no sentido amplo da palavra que é exercer governo, sempre que se queira conduzir a contrapartida é ter obedientes seduzidos,  correspondendo ao chefe nas suas vontades e recomendações, o que por si só já desmonta o amai-vos uns aos outros como a si mesmo, colocando por terra a igualdade entre os ditos eleitos, passamos então a ter um que aponta o caminho que fala em nome de deus para seus tementes ouvintes e não seus iguais.

                Podem chamar isso de carisma, podem catalogar como uma questão de mérito, mas o que não pode ser escondido é que o dirigente exerce poder, o que por si só já é um pedaço de mau caminho, e num instante transforma-se em onipotente, o que o desgarra da humanidade e o põe entre os deuses.

                Quem tem o poder passa a negociar com outros que também o tem, sua medida de força é a legião que comanda, com a garantia que a mesma seguirá sua vontade em qualquer tipo de guerra santa a serviço do bem temporal, negociatas que normalmente são feitas em ambientes de sigilo assegurado, por seus fiéis não será um contrato acordado por interesse, mas uma revelação da vontade do seu Deus ao seu representante.

                Também o que a antes eram comunidades de despojados a viverem felizes entre si repartindo o pão e o vinho, transformou-se por necessidade do dirigente de expandir seu poder, em organizações acumuladoras de riquezas que fazem da caridade uma distribuição das migalhas da farta mesa da classe governante da fé.

                Talvez a mais funesta consequência desta casta de dirigentes seja a mudança de foco das organizações religiosas que por principio era o amor, que infelizmente tem o defeito de não sensibilizar dízimos, passou a ser o temor ao diabo com seu inferno o que tem um grande poder arrecadador de contribuições e de obediência.

                Para a sociedade o que restou é um aumento significativo de influência política das organizações religiosas no poder estatal, sendo que o potencial de votos, obtidos por revelação divina há seus representantes, significa um diferencial considerável em apoio político para postulantes as diversas esferas de poder de uma nação e vale ressaltar que quanto maior for à instabilidade social econômica maior será à força destas organizações.  

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