Um
paraíso a espreita é tudo de bom para qualquer um de nós, as organizações
religiosas se multiplicam para nos ajudar a acessa-lo, ótimo que existam em
quantidade sempre que ajude o ser humano a encontrar a felicidade e a paz,
semeando bondade para a humanidade na terra, pena que carreguem em seus braços
uma classe de dirigentes.
Os
deuses não precisam de representantes, de intermediários, eles tão somente
necessitam que os irmãos da fé se encontrem em comunidades para refletir sobre
a melhor maneira de vivencia-la, nestes grupos de fiéis os diferentes talentos
irão gerar a completude da conversa com deus.
Infiltram-se
nestas organizações castas de dirigentes no sentido amplo da palavra que é
exercer governo, sempre que se queira conduzir a contrapartida é ter obedientes
seduzidos, correspondendo ao chefe nas
suas vontades e recomendações, o que por si só já desmonta o amai-vos uns aos
outros como a si mesmo, colocando por terra a igualdade entre os ditos eleitos,
passamos então a ter um que aponta o caminho que fala em nome de deus para seus
tementes ouvintes e não seus iguais.
Podem
chamar isso de carisma, podem catalogar como uma questão de mérito, mas o que
não pode ser escondido é que o dirigente exerce poder, o que por si só já é um
pedaço de mau caminho, e num instante transforma-se em onipotente, o que o
desgarra da humanidade e o põe entre os deuses.
Quem
tem o poder passa a negociar com outros que também o tem, sua medida de força é
a legião que comanda, com a garantia que a mesma seguirá sua vontade em qualquer
tipo de guerra santa a serviço do bem temporal, negociatas que normalmente são
feitas em ambientes de sigilo assegurado, por seus fiéis não será um contrato acordado
por interesse, mas uma revelação da vontade do seu Deus ao seu representante.
Também
o que a antes eram comunidades de despojados a viverem felizes entre si repartindo
o pão e o vinho, transformou-se por necessidade do dirigente de expandir seu
poder, em organizações acumuladoras de riquezas que fazem da caridade uma
distribuição das migalhas da farta mesa da classe governante da fé.
Talvez
a mais funesta consequência desta casta de dirigentes seja a mudança de foco
das organizações religiosas que por principio era o amor, que infelizmente tem
o defeito de não sensibilizar dízimos, passou a ser o temor ao diabo com seu
inferno o que tem um grande poder arrecadador de contribuições e de obediência.
Para a
sociedade o que restou é um aumento significativo de influência política das
organizações religiosas no poder estatal, sendo que o potencial de votos, obtidos
por revelação divina há seus representantes, significa um diferencial considerável
em apoio político para postulantes as diversas esferas de poder de uma nação e
vale ressaltar que quanto maior for à instabilidade social econômica maior será
à força destas organizações.
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