domingo, 14 de outubro de 2018

Meu Direito a Cegueira


                Tenho o direito de não querer ver, mas é impossível não compreender que um filho meu nascido no privilégio não tenha muito mais oportunidades de encontrar um espaço seu na sociedade do que o nascido na periferia em famílias desprovidas de quase tudo sendo uma obrigação de justiça corrigir esta distorção.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é inaceitável não admitir que a sociedade brasileira deva o pagamento de sua divida com os tempos terríveis de escravidão do índio e do negro que exerceu neste país, sendo por sinal ainda hoje alvos de discriminação, para qual são exigidas justas providências reparadoras.    

                Tenho o direito de não querer ver, mas é injusto para a dignidade humana a não condenação do torturador por seu covarde desvio de comportamento, colocar estes crápulas no grupo dos heróis admirados é doentio por manifestar objetivamente a vontade de exercer o ato de desrespeito para com o homem quando deveria lutar para condená-lo na justiça por assassinato.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é incompreensível que compares a felicidade econômica do opressor, império americano, contra os oprimidos Cuba, Coreia do Norte e Venezuela sujeitos a um implacável bloqueio econômico forçando-os a miséria com a hegemonia americana pós-final da guerra fria por pensarem de maneira diferente, o não aceitar que sua miséria é fruto de violência não justificável em favor interesses do opressor é uma falácia.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é uma insensatez não perceber que a corrupção tem sua origem na necessidade de comprar um congresso nacional e um judiciário por um regime de ditadura militar que precisava de uma falsa legitimidade bipartidarista e que todos estão envolvidos nesta lama o que é imperdoável para um partido metido a esquerda como o PT, porém perfeitamente justificável para o candidato fascista que apenas precisa no discurso combater o que vive no dia a dia.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é a própria negação do patriotismo não perceber que a elite brasileira como sempre coligada com os interesses estrangeiros para exploração da grande maioria da população brasileira, assustada com o sucesso da economia de um governo de centro esquerda, á partir da segunda vitória da candidata Dilma trabalhou incansavelmente para criar a crise social econômica e um golpe de estado, o que não é novidade já o tinha feito na década de sessenta.

                Tenho o direito de não querer ver, mas é impossível associar ódio, discriminação de gênero e raça, humilhação da mulher, exploração econômica do trabalho do outro com as ideias cristãs a não ser quando manipuladas por fariseus tão bem expulsos por Cristo a relho das portas do templo por simplesmente tornarem-se donos de Deus em nome de seus proveitos pessoais.        

                Tenho o direito de não querer ver, de colocar a venda nos olhos para não enxergar a injustiça, tapar o nariz para não sentir o mau cheiro do fascismo, blindar os ouvidos contra todos os avisos de bom senso, porém não posso negar que estou sendo partícipe deste momento da destruição do respeito humano na sociedade brasileira mantendo uma práxis da elite de oprimir a maioria da população em troca de um sonho de acumulação de riqueza e privilégios pessoais.  

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