Amigos,
desde que lembro conhecer-me, ando a percorrer o caminho da resistência rumo à
utopia de uma sociedade justa do ponto de vista social e econômico, onde os
seres humanos não acumulem riquezas ás custas do suor e do sangue de outros, nesta
estrada entre tantos que admiro gosto de citar homens como Gandhi sua luta
contra o colonialismo na India, Mandela seu desafio ao racismo na África do Sul
e Mujica sua busca por uma América Latina livre no Uruguai.
Consciência
eu tenho de que andamos em frente, eventualmente com retrocessos inevitáveis,
mas sempre avante porque assim como as derrotas não me diminuem as vitórias não
me aumentam, fazem parte apenas da luta e penso que assim há de ser enquanto viver.
Minha
primeira derrota ocorreu quando ainda criança, em 60, onde a espada de Lot
(miniatura que empunhava orgulhosamente) perdeu para a vassoura de Jânio, porém
em 62 quando da legalidade de Brizola, aí já pré-adolescente, tive minha
primeira vitória contra a elite local apoiada pelos “interesses internacionais”
como dizia o mesmo Brizola.
Tombos
sérios foram em 64 quando os tanques passaram por cima da vontade deste
adolescente e na sequencia em 68 consagraram a ditadura torturadora com o AI5, eu
participei ativamente de todos os movimentos na rua e dentro das escolas em
busca da volta a democracia.
Diretas
Já foi aonde cheguei quando estávamos em 83/84, uma ampla mobilização que
terminou na eleição ainda indireta de Tancredo que com sua morte legou o poder para
um Sarney palatável a famosa transição da ditadura para a democracia, evitando
expor os golpistas a expiação de seus crimes, finalmente em 89 eleições diretas
elegendo um farsante caçador de marajás, Collor que assumiu a presidência nos
anos 90.
Collor afastado, mandato tampão de seu vice
Itamar preparando as eleições de Fernando Henrique Cardoso que assume a
presidência em 95, um exemplo de guinada á centro direita, em sua posição
inicial exilado sociólogo de esquerda, o vi avançando rumo o centro com as
conquistas sociais minguando enquanto o governo corria no tempo, terminando
mais á direita que ao centro.
Durante este tempo havia um
pregador da pureza política, muito parecido com o discurso que hoje vemos do
lado fascista, felizmente com o foco mais apropriado que é o da Justiça social
e não o do autoritarismo e da violência, este elegeu Lula presidente nos idos
de 2003, minha desconfiança política vinha da atitude de privilegiar a luta
contra os irmãos de esquerda para a conquista do poder hegemônico nesta ala em
detrimento a luta contra as elites exploradoras, postergada que foi para uma
fase dois.
Só poderia dar no que deu um
grande avanço nas políticas sociais, crescimento econômico e político em
relação à comunidade internacional, o país assumindo uma liderança de uma
terceira via mundial, melhor distribuição da renda e das oportunidades para o
povo, mas sempre tem um senão, o acordo e envolvimento com uma classe política
de direita vassala dos interesses econômicos da elite mundial e contaminada
pela corrupção com avanço geométrico á partir do golpe militar de 64, a
convivência com a lama o infectou em nome do manter-se no poder, os próprios
professores de corrupção em um golpe de mestre o aniquilam em nome de uma luta onde
nunca lhes interessou contar com a esquerda, manter a elitização da corrupção e
desfazer dos avanços sociais.
Bem aí estamos preparados para mais
quatro anos de resistência, independente de quem ganhe o processo eleitoral,
que ainda posso sonhar e lutar para que seja uma derrota do novo caçador de
marajás, teremos sim o fascismo nas ruas e teremos muita dificuldade de ver o
PT criando sua comissão de verdade para entender seus muitos acertos e para
apreender com seus erros, como prega o companheiro anarquista Noam Chomsky, mas para quem nasceu na resistência é apenas mais um
episódio na luta por uma humanidade justa.
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