quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Caminhando Sobre Minhas Pegadas de Resistente.


                Amigos, desde que lembro conhecer-me, ando a percorrer o caminho da resistência rumo à utopia de uma sociedade justa do ponto de vista social e econômico, onde os seres humanos não acumulem riquezas ás custas do suor e do sangue de outros, nesta estrada entre tantos que admiro gosto de citar homens como Gandhi sua luta contra o colonialismo na India, Mandela seu desafio ao racismo na África do Sul e Mujica sua busca por uma América Latina livre no Uruguai.

                Consciência eu tenho de que andamos em frente, eventualmente com retrocessos inevitáveis, mas sempre avante porque assim como as derrotas não me diminuem as vitórias não me aumentam, fazem parte apenas da luta e penso que assim há de ser enquanto viver.

                Minha primeira derrota ocorreu quando ainda criança, em 60, onde a espada de Lot (miniatura que empunhava orgulhosamente) perdeu para a vassoura de Jânio, porém em 62 quando da legalidade de Brizola, aí já pré-adolescente, tive minha primeira vitória contra a elite local apoiada pelos “interesses internacionais” como dizia o mesmo Brizola.

                Tombos sérios foram em 64 quando os tanques passaram por cima da vontade deste adolescente e na sequencia em 68 consagraram a ditadura torturadora com o AI5, eu participei ativamente de todos os movimentos na rua e dentro das escolas em busca da volta a democracia.

                Diretas Já foi aonde cheguei quando estávamos em 83/84, uma ampla mobilização que terminou na eleição ainda indireta de Tancredo que com sua morte legou o poder para um Sarney palatável a famosa transição da ditadura para a democracia, evitando expor os golpistas a expiação de seus crimes, finalmente em 89 eleições diretas elegendo um farsante caçador de marajás, Collor que assumiu a presidência nos anos 90.

 Collor afastado, mandato tampão de seu vice Itamar preparando as eleições de Fernando Henrique Cardoso que assume a presidência em 95, um exemplo de guinada á centro direita, em sua posição inicial exilado sociólogo de esquerda, o vi avançando rumo o centro com as conquistas sociais minguando enquanto o governo corria no tempo, terminando mais á direita que ao centro.

Durante este tempo havia um pregador da pureza política, muito parecido com o discurso que hoje vemos do lado fascista, felizmente com o foco mais apropriado que é o da Justiça social e não o do autoritarismo e da violência, este elegeu Lula presidente nos idos de 2003, minha desconfiança política vinha da atitude de privilegiar a luta contra os irmãos de esquerda para a conquista do poder hegemônico nesta ala em detrimento a luta contra as elites exploradoras, postergada que foi para uma fase dois.

Só poderia dar no que deu um grande avanço nas políticas sociais, crescimento econômico e político em relação à comunidade internacional, o país assumindo uma liderança de uma terceira via mundial, melhor distribuição da renda e das oportunidades para o povo, mas sempre tem um senão, o acordo e envolvimento com uma classe política de direita vassala dos interesses econômicos da elite mundial e contaminada pela corrupção com avanço geométrico á partir do golpe militar de 64, a convivência com a lama o infectou em nome do manter-se no poder, os próprios professores de corrupção em um golpe de mestre o aniquilam em nome de uma luta onde nunca lhes interessou contar com a esquerda, manter a elitização da corrupção e desfazer dos avanços sociais.

Bem aí estamos preparados para mais quatro anos de resistência, independente de quem ganhe o processo eleitoral, que ainda posso sonhar e lutar para que seja uma derrota do novo caçador de marajás, teremos sim o fascismo nas ruas e teremos muita dificuldade de ver o PT criando sua comissão de verdade para entender seus muitos acertos e para apreender com seus erros, como prega o companheiro anarquista Noam Chomsky, mas para quem nasceu na resistência é apenas mais um episódio na luta por uma humanidade justa.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário