quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Sol Brilha Desigual Entre Nós

     Como duas pessoas não podem ocupar fisicamente o mesmo lugar neste nosso planeta, o que deduzimos pelo conhecimento que temos a nosso respeito e da terra, obviamente não invalidando esta possibilidade no futuro, não veem o mesmo sol e sim sois particulares de cada um e como tal em tudo tem suas verdades particulares sobre as coisas e os fatos.

     Nem sempre, até insistiria em afirmar quase nunca, o que chamamos de verdade é vista por diferentes pessoas por ângulos iguais, evidente é que ao respeitarmos as diversas experiências de diferentes pessoas este fato será constatado, impossível exigir que uma grande alegria pessoal assim o seja também para os outros, devemos contentar-nos com a percepção deste que estamos felizes admitindo que o mesmo não conheça as nossas motivações reais para tal.

     Enquanto transitamos apenas nas visões diferentes de uma mesma atitude podemos trabalhar isso com tranquilidade teórica de que os desencontros são inevitáveis e assim funcionam no dia a dia, quando avançamos para a dimensão social do homem sua interação com seus semelhantes em rede, nos deparamos com os sentimentos provocados pelos diferentes interesses de cada um de nós formando uma contabilidade de afetos e desafetos que podem sim gerar mal entendidos e influenciar definitivamente as relações entre as pessoas criando amizades ou inimizades indesejadas.

     São questões de dificil prevenção ou correção, por exigir de parte a parte atitude de paciência com a consideração das dificuldades do outro no entendimento das motivações particulares de cada um, o seu grau de dificuldade aumenta exatamente pelo que colocamos acima, os pontos de vista subjugados as experiências que não são comuns somados a objetivos particulares de dificil verbalização e entendimento pelo outro.

     Também somos obrigados a admitir conhecer muito pouco a nosso respeito, a navegação em nossas motivações internas é dificil mesmo com ajuda de profissionais externos estudiosos da psique humana, nossa memória é por demais seletiva e o que vemos de nós mesmos é a parte que nos interessa para manter nossa integridade pessoal, um grande mecanismo de defesa na nossa empreitada de mantermo-nos vivos.

     Este complexo de corpo e espírito organizado em redes que é a humanidade acaba por conduzir-nos a armadilhas de bom e mau querer, seria altamente desejável evitar o risco de nelas cair, para tal, evitarmos sistematicamente de associarmos valor positivo ou negativo a atitudes que não sejam nossas sempre podemos tentar entender as nossas motivações o que é complemente impossível em relação a outrem as quais só podemos julgar e por certo sempre fadado ao erro de sentença.  

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