Corpos e
palavras se defrontam no entorno da mesa cercando os copos, não são simples
recordações que transitam por aí, muito além disso são vidas sendo reescritas,
reforçamos pontos de vista readequamos nosso pensar.
Apenas
quem não sabe ouvir, embrutecido pela dificuldade de olhar para si mesmo, tal
qual um papagaio a repetir formulas prontas, não sai transformado numa sua
melhor versão, conviver em um dialogo franco sempre implica em questionar-se e a
consequente mudança.
A
vivência de outrem sempre nos transforma, nos colocamos defronte as inúmeras diferentes
opções que poderíamos tomar em circunstâncias similares e descobrimos sempre um
pouco mais sobre nós mesmos.
Nunca é
sobre o outro o tema, sempre é sobre nosso eu, enquanto juntos vamos nos
redefinindo criamos uma situação de carinho crescente que nos cativa por sua
alegria, qualidade e quantidade de vida.
Por mais
absurdo que pareça, o que nos iguala são exatamente nossas diferenças, as
palavras em si são pobres demais para comunicar sozinhas nossas experiências,
precisamos de gestos, precisamos expressar de corpo inteiro a vida que queremos
comunicar.
Quando o
grupo é composto por egos inflados, construímos apenas solidão, debates medíocres
onde buscamos palavras vazias que apenas defendem nossa vaidade, no fundo são
discursos concorrentes que ninguém de verdade os ouve, nem mesmo quem discursa
pois são frios como palavras sem vivência.
Sempre
que somos humildes o suficiente para entender que nossa convivência com o outro
é capaz de nos modificar para um eu melhor, saímos enriquecidos destes momentos
de confraternização, levamos conosco felicidade e vontade de voltar inúmeras
vezes a crescermos juntos.
Adaptar-se
é uma das principais características do ser humano, e construir estas relações
sem agenda prévia é por certo uma das melhores ferramentas para ampliarmos
nosso autoconhecimento e realizarmos nossa vocação principal que é de lançarmo-nos
em direção ao outro.
Que aconteçam na vida de cada um de nós múltiplas oportunidades de nos contrapormos com outros eu e assim juntos crescermos em carinho e fraternidade.
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