terça-feira, 31 de dezembro de 2024

A Diversidade de Olhares e a Soberania da Beleza.

 

               Todas as mulheres que possuíram meu amor foram muito belas, o que para os outros lhes destratava para mim somava e definia a beleza, em mim sempre foram e serão lindas.

 

               Aqui poderia estar comentando sobre pinturas, esculturas, histórias contadas em livros em peças de teatro, em filmes, mas me atenho a falar em seres humanos que estão por traz de tudo sempre.

 

               Vera Fischer, Leila Diniz, Sonia Braga, Tais Araujo, Zezé Motta, Bruna Lombardi, Deborah Seco, Claudia Ohana, Iza, Gal Costa, Angelina Jolie, Liza Minnelli e tantas outras, tanta beleza e tantas diferenças, a beleza encontramos ao nosso caminho dia a dia enquanto percorremos as ruas.

 

               À medida que vamos nos construindo vamos recebendo percepções do que deveria ser o belo, mas à medida que vamos consumindo o tempo, abandonamos o padrão de terceiros para modelarmos o nosso padrão de beleza.

 

               Apesar de os diferentes períodos da humanidade definirem modelos diferentes da beleza do ser humano, sempre foi e sempre será a beleza um conceito pessoal e intransferível, os padrões no dia a dia são desmentidos em cada um de nós.

 

                 Como quase tudo na humanidade, não existe uma verdade coletiva sobre a beleza, no máximo uma submissão a definições propostas que nosso intimo insiste em negar, somos assim mesmo influenciados pelos padrões, mas destruindo-os em nós mesmos à medida que vamos transpondo os dias, e isso vale para tudo.  

 

               Hoje me alegra, conquista do tempo, poder ver muito mais beleza nos casuais encontros que me acontecem nos caminhos, há um certo conjunto de características que me encantam em personagens tão diferentes e é muito bom andar e ver pessoas lindas.     

  

               Talvez o que menos combina com beleza, para mim, é o corpo moldado pela fisicultora, não consigo encontrar nem harmonia nem encantamento nas formas exageradas de contornos criados para este padrão de beleza.

 

               Continuo gostando das formas naturais, por certo com os cuidados que a saúde física exige, mas sem a transformação em outro tipo de corpo, o que a principio é uma negação de si mesmo, e assim o penso em todas as diferentes idades que um ser humano tenha.

sábado, 21 de dezembro de 2024

O Conto de Fadas das Ilimitadas Conexões!

 

               Nos vendem a ideia de que estamos todos conectados neste mundo globalizado, de fato sabemos que sim estamos todos vigiados a serviços dos diversos interesses, a conexão com o outro é ocasional.

 

               Nossa interação neste ambiente é quase sempre sujeita a busca de informações a nosso respeito, não que tenham algum interesse pessoal sobre nós como individuo, mas para agrupar quantificando caraterísticas dos seres humanos.

 

               Mais do que um problema do mundo virtual digital é um sinal dos tempos, no dia a dia ao nos movimentarmos com nosso corpo real também convivemos com inúmeros bons dias, tudo bem, que na verdade são apenas sinais de gentileza, o que é ótimo, mas não define qualquer tipo de aproximação ou afeto.

 

               Então os senhores dos aplicativos nos reúnem em rebanhos, inclusive nos alocando em vários dos seus rebanhos, que pelo seu tamanho são vendidos aos interessados em aproveitar nossas forças e fragilidades, tais rebanhos são os famosos “big datas” hoje explorados pelos algoritmos de Inteligência Artificial.

 

               Mesmo quando nos conectamos em conversas catalogadas como individuais, via chat, som ou vídeo sabemos que são as mesmas armazenadas criptografadas ou não e podem ser utilizadas dependendo tão somente da ética de que as armazena.

 

               Defendo a ideia que sim que devemos estar conectados, que sim que devemos buscar todas as oportunidades que a globalização nos oferece, mas como contrapartida apurarmos nosso espirito crítico e ampliarmos nossos cuidados.

 

               Não vejo muita diferença entre os riscos que temos no mundo real e virtual, as relações humanas tem este viés, sempre soubemos que o sucesso ou fracasso nestas é sua própria definição, elas têm intensidade, qualidade e tempo indefinidas.

 

               Em síntese não há espaço para ingenuidade de nossa parte, conhecemos o risco de qualquer conexão, tanto virtual como real, em específico no virtual sabemos que somos vistos por terceiros, o que cada vez mais acontece no mundo real com a proliferação de câmeras e escutas.

 

               Vamos sim em frente ampliar e qualificar nossas conexões tanto no mundo real como no virtual pois esta é uma das vocações primeiras do ser humano.        

 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Interesses Internacionais

 

               Hoje muito mais do que no tempo do saudoso Brizola, incansável lutador contra as perdas internacionais, os interesses internacionais de uma pequena elite financeira submetem todos os países, independente de porte, aos seus caprichos.

 

               O processo de globalização também na economia traz um rastro de intervenções em governos e povos, sua consequência é o acumulo de capital gerado pelo próprio capital e o empobrecimento das populações.

 

               Vivemos neste momento uma investida forte destes interesses no nosso país, não lhes agrada que tenhamos uma politica externa soberana, não lhes agrada o crescimento do produto interno bruto nacional e não lhes agrada principalmente os pequenos avanços na distribuição de renda e combate à pobreza.    

 

               Viveremos sim momentos de muita tensão, ajudados por uma mídia que sempre esteve de braços dados com estes interesses, cria-se uma visão que inclusive todos os números positivos obtidos neste 2024 vão conduzir o país ao caos.

 

               Importante ressaltar que esta profusão de manchetes alarmistas é construída sempre á partir do achismo, isto é, opiniões sobre o futuro, e movimentos previstos por quem sempre foi responsável pelas nossas perdas internacionais.

 

               Criar a crise é interesse de quem defende a acumulação e pequenos aproveitadores nacionais, como sempre, são executivos remunerados a trabalharem para que a mesma aconteça, por migalhas do banquete entregam o país.

 

               Vacinar a opinião publica contra esta onda de falsas notícias, pois são opiniões a criarem fatos e não analise séria do momento nacional, é uma tarefa difícil, mas necessária pois temos contra nós investimentos poderosos.

 

               Me sinto pelo menos obrigado a manifestar isso para minha meia dúzia de leitores, como compromisso com eles, comigo e com o Brasil, mesmo sabendo de antemão que isso nada represente contra estas forças poderosas, pelo menos que elas saibam que nós conhecemos o seu comportamento e nós estamos atentos as consequências do mesmo.

 

               São tempos difíceis para a prosperidade e a paz mundial, continuamos construindo um mundo de grandes desigualdades e de profunda injustiça social, porém acreditamos na vitória final da humanidade.  

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Boa Parte de Nosso Tempo é Usado em Problemas que criamos.

 

               Atenção, cuidado, não leve isso como algo ruim, assim como as perguntas são mais importantes do que as respostas, criar problemas para nós mesmos é apostar na vida.

 

               Significa que estamos pensando fora da caixa, estamos inovando, estamos criando, e estar longe do cercadinho que conduz uma existência estabelecida dentro das regras de outrem, o que por certo não cria problemas, mas nos escraviza.

 

               O permanente questionamento dos padrões pré-estabelecidos, nos conduz a tomar decisões que por sua novidade implica como consequência em uma série de tarefas que mais do que ocuparem nosso tempo compõe o processo de nossa construção como seres humanos.

 

               Estamos em um mundo repleto de receitas de felicidade, mas estas têm dois defeitos básicos, primeiro nunca saberemos se quem as divulga realmente as vive e é feliz, mas mais importante é o segundo pois uma receita de felicidade só é adequada ao individuo que a cria.      

 

               Se criar o problema para nós mesmos já é uma dádiva, construir a solução do mesmo é em essência o próprio ato de existir e com tal atitude reconstruímos nós mesmos.

 

               Quando seguimos as regras existentes, estamos sempre nos violentando, apesar de termos as consequências pré-definidas, não são nossas e nos automatizam.

 

               Não fomos feitos para competir com robôs e sim para criá-los, ninguém tem o direito de dizer a cada um de nós como devemos nos movimentar, este é um ato de vontade própria e não delegável, sob pena de nos desumanizar.

 

               Parece que o mundo todo sabe como o outro deve se comportar, porém o caos que percebemos por todos os lados nos mostra que a grande maioria não consegue fazê-lo.

 

               Nada contra o relato de experiencia de terceiros, sempre é interessante conhecê-las, porém existir é sempre um ato de experimentar e por certo devemos agarrar a todas as oportunidades que nos aparecem para vivenciá-lo.

 

               Não precisamos de caminhos prontos, pois estes nos conduzem a objetivo de outrem e não realizam as nossas necessidades pessoais de qualidade de vida.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Sempre há um Espaço para Você.

 

               Independente do seu perfil, em porte, em altura, em classe social, em escolaridade, em raça, em gênero, em idade, sempre há um espaço para você em mim.

 

               Seu tamanho, sua importância são definidos tão somente por oportunidades por nós criadas, afinal somos vocacionados para nos lançarmos em direção ao outro.

 

               Mesmo admitindo que estamos em um momento de sabotar pontes, de momento em momento são nos oferecido oportunidades a serem cultivadas.

 

               Admito que estamos em um momento de muitos medos, muita angustia, muita insegurança como sociedade, mas não seria exatamente este o tempo de possibilidades.

 

               Seja lá que nos decepcionemos com resultados aquém do desejado, mas nossa completude exige este mix de intensidades, onde cada uma é tão importante quanto as outras exatamente pela soma de suas diferenças.

 

               As relações humanas são nosso melhor patrimônio, lutar por sua construção é mais que uma meta, é um dever quanto a necessidade de sermos seres humanos felizes.

 

               À medida que evoluímos na conquista de ampliar nossa capacidade de laços de diferentes níveis de afeto, estamos transformando o homem e consequentemente a humanidade.

 

               Este avanço individual, de responsabilidade de cada um de nós, é o que vai como um todo nos conduzir a integração com a natureza em uma comunidade vivendo paz e justiça social.

 

               Nenhuma relação nos destrói, todas ajudam-nos a construirmo-nos, a convivência com nós mesmos, o fato de sermos inteiros sozinhos é a primeira porta para a relação com todos em um mundo de homens livres.

 

               Só conseguimos abrir espaço para o outro em nós mesmos, quando não precisamos dele e sim optamos por ele, e que assim seja a cada instante.     

              

domingo, 15 de dezembro de 2024

Em um Instante Mágico Criamos a Joia Rara Composta de Porções de Memória.

 

               Em construção permanente de vida, uma coleção bela de memórias que respondem a todos os nossos sentidos e sentimentos é criada, permitindo guiar nossa decisão conforme a circunstâncias do momento.

 

               Esta joia rara tem sempre composição diferente, organizada nas fronteiras do consciente/inconsciente, em contrapartida aos acasos aos quais somos expostos.

 

                Seu objetivo é claro, cercar em todos os diferentes aspectos da ação externa, o conjunto de prós/contras que a mesma pode nos causar, assim podemos conscientes decidir nossas ações na busca da melhor qualidade de vida.

 

               É tão mágico, consome tão pouca energia, nos oferece tantas possibilidades de mantermos um alto nível de felicidade em nossas vidas que nos obriga a sermos gratos a natureza pela construção maravilhosa que somos.

 

               Temos tantos sensores atentos ao mundo externo á nós, cada um deles precisa da porção de memória adequada a tomada de decisão e esta ultima precisa ser coordenada em uma reposta única do ser como um todo.

 

               Quando comparamos aos esforços de descobrirmos os caminhos da dita Inteligência Artificial, percebemos que a mesma está muito longe de ser  o que chamamos de inteligência humana.

 

               Os gastos de energia nas operações de IA são gigantescos, a dificuldade de definirmos a multifacetada circunstância na pergunta já empobrece a resposta, a dependência de um enorme repositório de respostas a diferentes possibilidades de uma mesma ocorrência a torna sempre insuficiente e limitada.

 

               Devemos investir em IA, por certo sim, mas urge ter uma ética estabelecida para conter a manipulação desde o armazenamento até a programação das respostas, pois os repositórios sempre tem donos e estes sempre têm objetivos claros a atingir.

 

               O Uso da IA na pesquisa cientifica me parece sim muito adequado, pois da velocidade e amplia as inumeráveis verificações que uma pesquisa necessita, este me parece o maior retorno que a mesma pode nos dar em apoio a inteligência humana.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Anhangabaú - Documentário da Vida sob o Atual Jogo de Poder.

               Pré-estreia gaúcha na Sala Redenção, do merecido melhor documentário do festival de Gramado edição 2023, Anhangabaú nos propiciou a imersão em uma década de resistência das ocupações em São Paulo ao jogo do poder.

 

               Não bastasse a projeção nos envolver por todo tempo, confesso os olhos molhados de lagrimas de emoção e solidariedade as ocupações, pós filme tivemos uma ótima conversa com boa parte dos envolvidos no projeto que testemunhou esta criação construída sobre vivencia.

 

               O filme tem grande parte do seu mérito por não ser uma visão de fora e sim de uma vivência do diretor e parte da equipe, dentro da ocupação, foram então filmados momentos importantes da luta contra o poder político/econômico.

 

               Ponto alto do mesmo é a integração na luta com outras importantes ocupações, tanto para garantir sua sobrevivência, como para identificar a unidade da luta contra o mesmo vilão, este excelente trabalho de montagem parte de três diferentes ocupações para desembocar em uma única e integrada luta, sempre respeitando a particularidades de cada uma.

 

               O Filme é arte pura, poesia pura e principalmente atualidade, esta é uma vida dos tempos atuais, ocorre hoje está em andamento, não estão nos falando do passado, mas sim nos colocando dentro de pulsão de vida existente neste momento.

 

               O debate nos mostra, que apesar de escolhidas três ocupações, foram filmados sete durantes todos estes anos, testemunhando os canais de vida que integram todas estas particularidades como uma grande resistência comum ao poder.

 

               A qualidade só foi obtida com muito trabalho, com muita seriedade, quando soubemos que para construir esta obra prima realizaram uma oficina de roteiro por três meses de três horas diárias constatamos o porquê do resultado, talento mais esforço.

 

               Lembro que sou completamente leigo as tecnologias associadas a cada uma das tarefas exigidas para a construção de um filme, então todo meu testemunho está construído sobre a verdadeira imersão que realizo frente a tela branca, vivo o filme da primeira a ultima imagem e tão somente o filme, por favor considerem isso ao lerem meu depoimento.

 

               Estou sim recomendando que assistam este documentário, para que possam viver sua experiência particular, saí muito prazeroso e identificado com cada uma das lutas, tenho certeza que se sentirão participantes deste movimento lindo de resistência.           

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sim, Tenho Amigos em Trincheiras Ideológicas Opostas

 

               A amizade é uma construção dependente de convivência no tempo frente aos acasos da vida, a lealdade é sempre sua condição primeira, o que independe das ideias de cada qual que são frutos de contingências vividas em particular por cada um.

 

               Não resta dúvida que quando as ideias convergem fica tudo mais fácil, mas isto não ocorrendo não inviabiliza a amizade pois esta sempre tem o respeito pelo outro e suas circunstâncias.

 

               Em uma grande simplificação corre por aí que os atos dizem o que cada um de nós é, o que em absoluto não posso concordar, nunca analiso o ato propriamente dito e sim as motivações que estão por traz do acontecer.

 

               A mudança continua de situações as quais estamos expostos, corresponde na prática a diferentes pessoas que somos no tempo, nosso presente ser não tem nenhuma correspondência no passado, bem como não define quem seremos no futuro.

 

               Como amigos partilhamos juntos estas transformações e vamos renovando a fraternidade durante a caminhada, somando valores contribuindo entre nós para este ser humano melhor que passamos a ser.

 

               Diferenças ideológicas podem sim gerar bons debates, mas não inimizades, estas últimas são construídas tão somente por comportamento inadequado em relação a nossa pessoa durante convivência.

 

               Quando falo em inimizade, estou falando não em julgamento, até porque consigo visualizar e entender o que está por traz dos atos, mas sim no desinteresse de caminhar juntos pela inadequação de nossos caminhos.

 

               Não tenho sentimento algum que seja diferente da simples irrelevância de relacionamento para estes casos de inadequação de posturas pessoais, me comporto nos eventuais encontros sociais com a gentiliza que todos somos merecedores nas relações humanas.

 

               Já nas questões ideológicas, apesar de respeitar as diferentes da minha, não lhe concedo outro status do que estarem equivocadas, mais tenho noção clara que exigem minha luta em dobro para evitarem o desastre que geram para a natureza e consequentemente para a humanidade.                 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Mujica - Uma Vida Exemplar por trás de cada Palavra.

 

               Sim como guerrilheiro Tupamaro, sim como preso da ditadura uruguaia, sim como presidente do Uruguay, sim como líder politico mundial, suas opiniões sempre tiveram coerência com sua vida.

 

               Sua trajetória é um contraste maravilhoso para um mundo de palavras vendidas para interesses obscuros, no qual a incoerência entre o dito e o vivido é a pauta do dia a dia.

 

               Confesso, estou muito mal acostumado, em todos estes anos vividos pude admirar grandes homens, não perfeitos, mas com uma gigante coerência entre a vida e o discurso, Mujica me lembra deste privilégio que pude desfrutar e agora renovar.

 

               Os mecanismos tão aperfeiçoados nos tempos atuais, a criar celebridades influenciadoras no mundo globalizado, para as minorias que ainda dispõem de senso crítico não ultrapassam a checagem mínima entre discurso e vida.

 

               Um verdadeiro líder nem necessita das palavras, sua vida testemunha um exemplo a ser seguido, seu discurso é mais uma necessidade nossa para validar nossos conceitos internos e avançarmos no crescimento como humanos.

 

               Insisto que não estamos buscando a perfeição, mas sim a coerência, o ser humano tem um conjunto de talentos que colocados a serviço da humanidade resultam em qualifica-la, quando falo talentos não falo em medida de valor, falo nos multifacetados seres que somos.

 

               Quantos hoje estão submetidos a avalanche de opiniões, ditas por vidas que as negam, na maior parte das vezes nem próprias são, apenas fruto da sua necessidade de sobressair-se no mundo do consumo a serviço de quem ganha muito manipulando o desejo das pessoas.

 

               Assim como estão sendo criados mecanismo para nos proteger de falsas informações, deveríamos trabalhar também no sentido de não deixar impunes as ditas opiniões a serviço da manipulação de seres humanos.

 

               Estamos em um momento de transição, temos enormes mecanismos de criar opinião publica e não apreendemos a controla-los, eles nos levam as injustiças sociais, nos levam a exploração do homem pelo homem e principalmente nos levam a generalização de conflitos entre pessoas e povos.   

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Egoísta o Mercado Decreta – Dane-se o País e o Povo Brasileiro.

 

               Criamos uma elite minoritária de especuladores que se dedicam a comprar e vender dinheiro, não se investe na indústria e sim em posições de valor, este grupo se autodenomina Mercado.

 

               Neste jogo de valores presentes e de valores futuros vale tudo, estamos repletos de videntes a programar fracassos e sucessos, a opinião vale mais que a realidade do dia a dia, sempre com objetivo de comprar em baixa e vender em alta.

 

               Movimenta-se todo um conjunto de patrocinados influenciadores em redes sociais e mídias, remunerados para influenciar nas decisões de variações artificiais de preços ludibriando ingênuos e assim facilitar a troca de mãos do dinheiro.

 

               Não é novidade este jogo, uma minoria de jogadores gananciosos coloca seus interesses pessoais acima da nação, do crescimento do país, do emprego e da renda, é visto como oportunidade de gerar mais dinheiro pelo próprio dinheiro.

 

               A começar pelo oportunismo de aumentar os preços, consequentemente a inflação, se temos mais população com mais renda mesmo não aumentando os custos, porque não aumentar os preços e consequentes lucros.

 

               Todos os bons números de crescimento do produto interno bruto, do nível de emprego e principalmente do aumento da justiça social com uma enorme população saindo da pobreza absoluta é por estes especuladores não festejado e sim condenado.

 

               Não nos surpreende porque os mesmos sempre ganharam seus milhões sobre o aumento da quantidade de pessoas pobres e o aprofundamento da falta de recursos das mesmas.

 

               O mais triste é que eles com estes movimentos nos jogos financeiros acumulam recursos para si e para os especuladores internacionais, sua jura patriota é para os conglomerados financeiros, que não tem país nem consideração pelos seres humanos.

 

               Vencermos o desafio, de colocarmos a humanidade acima da especulação, deve ser nossa tarefa diária, pois merecemos um país mais justo em sua distribuição de renda livre deste conjunto de exploradores.     

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O Atual Cinema Alemão e Suas Reflexões Sobre a Mulher.

 

               Uma parceria de sempre renovado sucesso, Cinemateca Capitólio e Instituto Goethe, nos permitiu o acesso a uma reflexão sobre o protagonismo da Mulher em duas épocas distintas, os ótimos filmes ‘Conversando sobre o tempo’ e ‘Sissi & Eu’.

 

               Os dois tem finais dignos da qualidade do filme, no primeiro vemos o sorriso tomar conta e explodir de maneira incontida no rosto da protagonista ao acompanhar a apresentação instrumental de sua filha, por sinal é neste final seu único momento de sorriso.

 

               No segundo após a morte da imperatriz vemos sua apaixonada dama de companhia, retornar a beleza natural da Grécia, junto aos penhascos frente ao mar para curtir a sua imperatriz agora transformada em uma poderosa e livre águia como era seu desejo.

 

               O certo é que as mulheres dos dois filmes têm personalidades muito fortes que transcendem ao fundirem-se com seus corpos físicos, fugindo aos padrões habituais de beleza, as atrizes merecem nosso aplauso por sua interpretação.

 

               No conversando sobre o tempo, a protagonista vive todos os contrapontos do mundo moderno, a questão profissional versos vida amorosa e sexual, a vida no interior e na capital, a maternidade e a profissão, o sucesso e a repressão de uma sociedade machista.

 

               Em Sissi & Eu, nos deparamos com o fato de que as mulheres livres, apesar da forte repressão, não são exclusividade dos novos tempos, sempre houveram e como hoje são e foram brilhantes.

 

               Os homens nos dois filmes mostram sua fraqueza em situações para as quais não estão preparados, ou seja, em viverem uma situação de igualdade na relação com uma mulher, neste momento por despreparo sua força sucumbe.

 

               Tanto para nós homens, como para as mulheres, os filmes nos remetem a diversidade de papeis que podemos viver em sociedade e principalmente a continuada tomada de decisão com o consequente direcionamento de vida a partir desta.

 

               Foi para mim uma experiência gratificante, viver estes dois filmes como público, imagino que este impacto benéfico o foi para tantos outros assistentes, parabéns ao atual cinema alemão pela qualidade da reflexão, pela excelência dos atores e direção, cinema é vida, emoção e reflexão e isto realmente nos proporcionaram.  

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Grande Evento onde Filme e Debate se Desencontram.

                Cineciência, projeto em andamento na sala Redenção, teve na ultima quarta-feira o ótimo filme ‘Filhos da Esperança’ e um excelente debate sobre a queda da fertilidade da humanidade nos tempos de hoje.

 

               O debate foi realmente de um nível muito alto, graças as competências das Dra. Norma e Dra. Adriana, serviu a todos nós de uma severa advertência sobre as causas de declínio da fertilidade no mundo moderno e os recursos disponíveis para preveni-la.

 

               Quanto ao filme, dispensa comentários é daqueles que toma por inteiro a atenção do público, uma forte denúncia contra o autoritarismo tanto governamental como da resistência, em um mundo extremamente dividido em facções e altamente poluído.   

 

               Só lendo os dois parágrafos anteriores já é possível visualizar o desencontro entre os dois eventos, ótimos cada qual, porém a única motivação para o tema da fertilidade no debate é o plano de fundo do filme, onde todo o filme acontece em um mundo onde a 18 anos não ocorria nenhum nascimento.

 

               Em nenhum momento o filme se propõe a discutir a questão fertilidade da humanidade, de fato só constata sua existência, toda a ação mostra uma sociedade poluída tanto ambiental como na solidariedade humana.

 

               Um debate sobre o mesmo deveria a princípio tratar do autoritarismo governamental contraposto por várias facções de resistência também autoritárias e a esperança de usar um possível nascimento como trunfo de poder e não de salvação.

 

               Muito do que nos mostrou o filme de 2008, narrando um acontecimento de 2026, mostra-se uma antevisão do que vemos hoje nos diversos campos de batalha como o oriente médio e a Ucrania.

 

               A miséria dos emigrantes em uma Londres em 2026, esmagados entre a violência do estado autoritário inglês que os segrega e as várias facções de resistência, me jogou diretamente dentro da situação hoje vivida na Palestina e no Libano.

 

               Com o agravante que lá não são imigrantes e sim a população nativa sendo esmagada por um estado autoritário que exige domínio total sobre esta população.

               Cineciência, projeto em andamento na sala Redenção, teve na ultima quarta-feira o ótimo filme ‘Filhos da Esperança’ e um excelente debate sobre a queda da fertilidade da humanidade nos tempos de hoje.

 

               O debate foi realmente de um nível muito alto, graças as competências das Dra. Norma e Dra. Adriana, serviu a todos nós de uma severa advertência sobre as causas de declínio da fertilidade no mundo moderno e os recursos disponíveis para preveni-la.

 

               Quanto ao filme, dispensa comentários é daqueles que toma por inteiro a atenção do público, uma forte denúncia contra o autoritarismo tanto governamental como da resistência, em um mundo extremamente dividido em facções e altamente poluído.   

 

               Só lendo os dois parágrafos anteriores já é possível visualizar o desencontro entre os dois eventos, ótimos cada qual, porém a única motivação para o tema da fertilidade no debate é o plano de fundo do filme, onde todo o filme acontece em um mundo onde a 18 anos não ocorria nenhum nascimento.

 

               Em nenhum momento o filme se propõe a discutir a questão fertilidade da humanidade, de fato só constata sua existência, toda a ação mostra uma sociedade poluída tanto ambiental como na solidariedade humana.

 

               Um debate sobre o mesmo deveria a princípio tratar do autoritarismo governamental contraposto por várias facções de resistência também autoritárias e a esperança de usar um possível nascimento como trunfo de poder e não de salvação.

 

               Muito do que nos mostrou o filme de 2008, narrando um acontecimento de 2026, mostra-se uma antevisão do que vemos hoje nos diversos campos de batalha como o oriente médio e a Ucrania.

 

               A miséria dos emigrantes em uma Londres em 2026, esmagados entre a violência do estado autoritário inglês que os segrega e as várias facções de resistência, me jogou diretamente dentro da situação hoje vivida na Palestina e no Libano.

 

               Com o agravante que lá não são imigrantes e sim a população nativa sendo esmagada por um estado autoritário que exige domínio total sobre esta população.

domingo, 13 de outubro de 2024

A Perfeição é uma Merd..., Ops Meta!

 

               Este refrão forte da canção de Gilberto Gil, em seu final nunca consegui ouvir como meta e sempre como merd..., algum problema psicológico por traz deste fato, talvez, mas sempre considerei a ideia de perfeição um injusto domínio da razão sobre os sentidos.

 

               Os sentidos, que hoje sabemos são muito mais do que cinco, quantidade que a humanidade ainda não tem condições de definir, são os que alimentam a razão como atividade extra além da principal que é possibilitar vida.

 

               Já a razão, super pressionada e influenciada por terceiros, é uma construção complicada e rebelde aos sentidos, se somos adeptos da vida por sua ação nefasta corremos o risco de deixar de vive-la.

 

                  Perfeito, por si só é uma farsa, quem o define, com que autoridade, como aplica-lo em tão diferentes experiências de vida senão como uma experiência autoritária de quem não tem este direito.

 

               Não nascemos iguais, não tropeçamos em circunstâncias similares, não temos nem mesmas mortes, ser humano significa uma construção feita com ajuda de todos os sentidos em reação aos múltiplos acasos.

 

               Temos aí um trabalho muito particular de cada um de nós, montar este quebra cabeça tão especial que é cada ser humano, buscando em si como maximizar cada momento da sua existência.

 

               Como racionais construímos esta dualidade entre o bem e o mal, no dia a dia não há bem que não contenha o mal, nem mal que não contenha o bem, somos multifacetados e não duais.

 

               Sempre que possível devemos fugir deste curral, que são conceitos imputados em cada um de nós com o propósito de delimitar nossos passos, assim nos tiram a força de interpretar cada um dos nossos sentidos, nos conduzindo mais para a morte do que para a vida.

 

               Interpretar os sentidos não é uma tarefa fácil, complicada ainda mais por um time de entendidos sempre dispostos a interferir na nossa vida, mas esta tarefa de grande isenção é tão somente ela que nos possibilita viver em plenitude.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Tchekhov & Problemas Humanos.

 

               Uma noite especial, ontem foi o dia de revisitar a obra de Tchekhov com seu maravilhoso conto “Enfermaria número 6”, primeiro na cinemateca Capitólio, no festival de filmes Tcheco Eslovacos, já adivinharam que chegando em casa me debrucei sobre o livro que tinha na minha prateleira para mais uma vez reler o conto.

 

               Ver estes filmes da década de 60, feitos na Tcheco Eslováquia durante a primavera de praga, tem sido um privilégio para quem acompanhou de longe aqueles momentos, começo por parabenizar esta parceria importante entre a diplomacia destes países e a cinemateca Capitólio.

 

               Final do século XIX, início do século XX, foi um momento muito criativo na literatura mundial e entre tantos outros maravilhosos escritores da época Tchekhov tem um espaço muito especial na análise dos problemas humanos.

 

                Os poucos livros que guardo empilhados aqui em casa, para relê-los de tempos em tempos intercalados com os mais atuais, me gratificam em momentos como este da noite de ontem, por certo não dormi enquanto não terminei a leitura do conto.

 

                    Tanto a Capitólio, como a saudosa P.F. Gastal já tinham me oportunizado viver duas experiências similares, de somar a experiência especial da leitura com as imagens em movimento do filme.

 

               A primeira foi com Dostoiévski, no seu lindo livro, poesia pura, “Noites Brancas”, por sinal, ao ver o filme por sua qualidade em expressar o autor sentia como se tivesse lendo linha a linha o conteúdo do livro, o que por certo confirmei ao relê-lo ao chegar em casa.

 

               A segunda foi com Proust, o filme do livro “A Prisioneira”, um dos meus preferidos nos sete volumes do “Em busca do tempo perdido”, conseguiu colocar amplamente o ambiente psicológico-filosófico proposto pelo autor.

 

               A terceira foi esta de ontem á noite, onde os cinco protagonistas foram extremamente fiéis a narrativa do problema humano proposta por Tchekhov no entorno da questão dos cárceres em dos hospitais psiquiátricos.

 

               E o tema que está sempre por trás dos seus contos, a eterna busca por entender a grande questão, ainda não resolvida, do porquê da existência humana, tão bem caracterizada na exposição do dia a dia de pessoas comuns e que por isso são especiais.                

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

A Paixão, Vocação Alimentada por Acasos.

 

               Quando na vida nos libertamos dos nossos medos, das nossas inseguranças, vivendo como homens livres, nossa alma vocacionada aproveita todos os acasos para construir alegrias, tristezas, angustias, desejos que compõe a Paixão.

 

               Não é a mesma um ato de vontade, não é fruto de um planejamento, simplesmente acontece e seus frutos não podem ser qualificados, são apenas o que são, envolvimento profundo com extremas manifestações da alma expostas por inteiro.

 

               O grande mestre Marcel Proust na sua obra prima em busca do tempo perdido, em dois dos seus sete volumes, A Prisioneira e A Fugitiva, que por sinal de tempos em tempos dedico-me a releitura, abre este leque gigante e maravilhoso da psicologia da paixão.

 

               Bem que gostaríamos de dizer que ela é uma sequência finita de momentos de doçura, de empatia e de felicidade, mas a conhecemos bem em seus múltiplos espectros com suas faces e humores.

 

               Por mais que tentemos contê-la cercada pelos frios fios da razão, ela nos escapa por todos os lados, ora por um nos tornando repleto de jubilo, ora por outro nos transformando em um poço de ansiedade.

 

               Que completude não seríamos se todos estes eu que ela cria em nós no tempo, se manifestasse em um mesmo momento, seriámos o próprio sorriso cercado por lagrimas, vivenciando contraditórias emoções.

 

               Sem ela somos devorados pelo tédio das receitas escritas por outros, com alma vazia autômatos criados por nós a nossa revelia.

 

               Que este jogo entre a sensibilidade e a racionalidade aconteça sim, não precisamos escolher vencedor e sim curtir as delicias da batalha.

 

               Não há nenhuma boa causa que possa justificar abrir mão da mesma, ela é muito mais que o bem e o mal, é um ser em plenitude.

 

               Em busca dos bons ares da paixão, libertemos nosso espirito dos preconceitos lá plantados, deixando corpo e alma disponível para que ela de nós tome posse.       

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Mentimos Todos, Inclusive Você!

               Sem preocupação pois antes de ser uma sentença é uma simples constatação, sem ansiedade pois antes de ser um afronte a ética e/ou a moral é uma simples questão de sobrevivência, ou seja, um mecanismo de defesa a salvaguardar nossa existência.

 

               No ritmo do andar dos ponteiros que mede os segundos, vamos construindo a nossa mentira pessoal sobre todas as coisas, se mentimos para nós mesmos como não a propagarmos aos outros.

 

               Seu advento em nós, alheio a nossa vontade, deve-se a nossa profunda incapacidade de reconhecer a verdade, tanto a nossa como a absoluta (se existir uma), o que nos força a construí-la em forma de uma inocente mentira.  

 

               Caso, por algum fenômeno imponderável, decidíssemos romper este processo de construção minuciosa dessa intima mentira, que vamos lapidando no tempo transformando-a em um ato de fé, por certo a vida em nós pelo menos se paralisaria por falta de chão onde pisar.

 

               Somos de fato o artista de um único quadro, o da nossa vida, e colocamos todo nosso empenho nele, buscando os tons adequados das cores para exprimirem tudo o que construímos sobre nós mesmos.

 

               Muito mal a nós faríamos se conduzíssemos nossa vida pelo pensamento de terceiros, estes estão lá com as circunstâncias próprias deles, por certo diferentes das nossas, portanto para nós inadequadas.

 

               Então estamos falando de uma virtude, ser mentor de si mesmo, a aderência ao que chamamos de verdade é substituída por um ato de criação, que quando nosso principio e fim coexistirem em um mesmo tempo, será nossa obra completa plena de vida.

 

               Todas as referências em nosso entorno estão sujeitas aos seus particulares acasos, sendo sempre referencias do outro a serem respeitadas, nunca indicação para a completude de nosso viver.

 

               Benvindo ao mundo da constante criação do ser humano maravilhoso que somos ao somarmos nossas fraquezas com nossas fortalezas.    

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Muita Arte, Beleza e Qualidade cinema Tcheco Eslovaco Anos 60.

 

               Sempre a Cinemateca Capitólio a nos disponibilizar imersão em arte pura, desta vez com apoio das embaixadas das Republicas Tcheca e Eslovaca, uma mostra de filmes de alta qualidade que nos põe frente a frente com a primavera de Praga nos anos 60.

 

               Ansioso desde já de ver os filmes desta semana, quero compartilhar esta experiência por mim vivida na tela grande, confesso que não vi todos, mas os que vi, foram extremamente gratificantes.

 

               Em especial quero destacar dois o Eslovaco 322 e o Tcheco Bons Companheiros, temas muito diversos entre si, mas que nos devolvem a memória de uma época brilhante do pensamento, da visão de sociedade e da vivência da humanidade, os anos 60.

 

               Podem sim objetar restrições a minha opinião, até porque tendo participado daqueles anos, sou suspeito confesso, mas foram horas maravilhosas de imersão em um cinema critico que se propõe a repensar a humanidade.

 

               Me senti, e acredito que mexer com a nossa sensibilidade é o objetivo maior da sétima arte, revivendo toda uma época muito especial, as milhares de perguntas e tentativas de respostas estavam em particular nestes dois filmes presentes.

 

               O ser humano aparece nos mesmos em sua potencialidade máxima com tudo que tem de mais forte e de mais fraco, sempre focado em viver em uma desejada coerência com sigo mesmo, mesmo consciente do escasso número de certezas em relação a si mesmo.   

 

               A primavera socialista Tcheco Eslovaca foi um momento extremamente favorável ao ato de criar, seu cinema demostra isso e deixa seu testemunho para nós nos dias de hoje, criar é sim possível.

 

               Gosto, sempre que consigo, sair assim de um filme, motivado, envolvido e transformado, estes 15 dias de cinema Tcheco Eslovaco tem obtido este êxito comigo, sou muito grato a estes diretores e atores que tão bem exerceram seu trabalho.

 

               Lembro também que não foi só lá que esta qualidade de cinema ocorreu, nesta mesma época estávamos vivendo no Brasil o cinema novo, também de qualidade ímpar, tempos gloriosos do cinema Francês, italiano e tantos outros.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Toda e Qualquer Ação Esconde uma Intenção.

 

               Sempre apenas enxergamos a ponta do iceberg, existe um mar de intenções por traz de cada ação de outrem por nós visualizada, e nos é completamente vedado navegar no conhecimento deste oceano.

 

               Claro especulamos, construímos múltiplas hipóteses, todas elas completamente limitadas por nosso existir, que é particularmente diferente do outro, logo impossíveis de coincidir.

 

               O próprio executor da ação, apesar de estar convicto de entender as motivações da mesma, tem escondido de si mesmo as reais razões de sua realização, somos o esconderijo perfeito das nossas mais profundas intenções.

 

               Também, nem todas ações, são executadas para o nosso bem, não que não o queiramos, apenas nos falta clareza das reais intenções devido ao fato de que sempre somos insuficientes do conhecimento de nós mesmos.

 

               Caso você pense que este pensamento é cético, lhe advirto o contrário, é extremamente crédulo pois nos joga ao encontro de nós mesmos e do outro, escavando as intenções em nós mesmos e no outro encontramos o conhecimento.

 

               Na verdade, compreender este mecanismo nos remete a um espirito investigativo, que por si só, provoca uma grande expansão do nosso eu, rumo ao continuo auto crescimento, é um processo de universalização do nosso pensar.

 

               Tenho algumas pistas, de fato sempre temos, do que me faz colocar isto no papel, por certo são ações de terceiros vividas por mim, que apesar de não conhecer suas razões, me levam a meditar sobre as contingências do ser humano que somos.

 

               Também não sei se tal reflexão ajuda, não há nenhuma pretensão nisto, é uma reflexão intimista que me propus a compartilhar, talvez para cumprir a sentença da nossa principal vocação, como diria Rainer Maria Rilke, de nos lançarmos em direção ao outro.

 

               Vamos esquecer as intenções, a ação está aí exposta, foi útil para mim expô-la, e caso tenha alguma utilidade para mais alguém me será de muita felicidade.      

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Contraponto ao Caos, Sonho e Poesia.

 

               Só não somos imortais devido a vocação explicita do universo ao caos, sendo este tanto responsável por nossa existência quanto por sua finitude, sonho e poesia são sim seu contraponto na busca da imortalidade.

 

               Ao contrário da maioria que vê no sonho e na poesia irrealidade e fantasia, sou um dos que acreditam que de fato são a vida, organizam-nos na busca da imortalidade em luta constante contra o caos.

 

               São contrapontos poderosos, tanto caos como sonho e poesia, pois tudo a ambos é permitido não existem barreiras para seus propósitos além do próprio confronto e talvez este justo combate seja a própria definição de vida.

 

               O caos é poderoso, científico, quase inabalável, tanto é que nos gerou em seu seio, também nós armados do sonho e poesia, somos os filhos rebeldes a desafiá-lo, capazes também de gerar.

 

               A capacidade de criar é o poder de ambos, exercê-lo infinitamente é a vocação do caos, de nossa parte precisamos lutar contra nós mesmos, momento a momento, nos recriando para a imortalidade.

 

               Em nenhum instante temos o direito de permitir que a desorganização nos arrebate, cada novo sonho realizado nos enche de vida, cada nova poesia feita em seus diferentes canais de expressão é uma vitória gigantesca contra a morte.   

 

               Fomos feitos pelo acaso, porém com vocação para a vida infinita, e cabe tão somente a nós exercê-la, esta vocação para o infinito sempre dirigida a abraçar o outro nosso igual, é o nosso bem maior.

 

               Unos somos poderosos, andando lado a lado em cooperação mais ainda, à medida que o sonho e poesia nos libertam da tendencia ao finito nossas possibilidades ampliam e poderemos realizar a fusão perfeita entre corpo e espirito.

 

               Diferente dos profetas da competição e do consumo que só trazem destruição, seremos os profetas do sonho e poesia que nos trazem vida prazerosa e eterna.

 

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Nenhum Direito a Divulgar Informações Falsas.

 

               Não se iluda, produzir ou reproduzir noticias falsas, não é uma liberdade individual, nada nem ninguém pode lhe dar este direito e sempre que não tenhas condições de comprová-las sendo sua ou de terceiros, estais lesando seres humanos.

 

               Por traz da divulgação de uma notícia, sempre a uma intenção e no caso específico da notícia falsa o seu dolo deve ser multiplicado pela amplitude do seu público, o que o torna réu frente a comunidade humana.

 

                As grandes mídias já são responsáveis por uma repetitiva desinformação da sociedade, atiçando as pessoas com exóticas informações, este é um processo de alienação do ser humano, seu objetivo é apenas o lucro e a condução da opinião pública.

 

               Hoje, os grandes patrocinadores financeiros do mercado, jogam muito dinheiro em ‘influenciadores’, na busca deste dinheiro estes estão fazendo qualquer coisa para cumprirem os objetivos de seus chefes.

 

               O ‘influenciador’ como qualquer executivo está em cima do muro, pressionado pelos patrões e seu público, tem obrigação de agradar quem o ouve para ampliar sua audiência e assim poder garantir as metas do seu chefe.

 

               Estamos sim, como sociedade, muito vulneráveis a projetos socioeconômicos do topo da pirâmide, que por sinal não são indivíduos livres e sim executivos de elite de um movimento de escravidão amplo dos seres humanos.

 

               Hoje quando se fala em autonomia da inteligência artificial, e uma possível rebelião ao ser humano, estamos esquecendo que isso já existe no mundo globalizado, um mecanismo muito mais poderoso, sim, pois tem a engenhosidade do nosso pensamento a atuar como um todo sobre cada um de nós.

 

               Infelizmente, além dá denuncia, estamos completamente perdidos em relação ao caminho para sanar esta doença que nos devora por dentro, urge sim buscarmos uma solução para este dilema e encontrar o caminho da liberdade.

 

               Esta é uma missão de cada um e de todos, libertarmo-nos da escravidão para podermos viver em plenitude e gozo, que é nosso direito primordial. O triste mundo de guerras e desesperança não está aí por acaso.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Relações Humanas - Os Conflitantes Caminhos.

               Imagine, você de um lado eu do outro lado em frente a você. Para começar de instante a instante para cada um de nós a vida nos oferece múltiplos caminhos, estamos sempre decidindo cada um do seu lado, por certo em algum momento caminhamos juntos, em outros nos cruzamos.

 

               Vamos ampliar esta complexidade, pois frente a mim e a você aparecem outras tantas pessoas, cada qual como nós a escolher e seguir momento a momento seu caminho, isto torna infinitas as possibilidades de uniões ou colisões de rotas.

 

               Avançamos um pouco mais à medida que nos defrontamos, estamos usando a especulação dos diversos caminhos do outro, com o intuito de nos conhecermos e escolhermos no momento nosso caminho.

 

               Obviamente que nos conhecemos muito pouco para saber qual o melhor caminho a escolher, menos ainda conhecemos o outro para sequer imaginar qual o caminho que ele vai tomar.

 

               Também bem o sabemos, à medida que escolhemos e seguimos um caminho, inúmeras outras novas encruzilhadas nos serão oferecidas, ou seja, nunca estaremos isentos a incerteza.

 

               Novamente lembro que tudo isto é multiplicado pela quantidade de encontros que a vida nos oferece, sendo que todos interferem uns aos outros nos fazendo funcionar como uma montanha russa de emoções.

 

               Sempre que não matamos nosso espirito critico, nossa ambição por liberdade pessoal, nossa gana de viver a melhor vida, é assim que vejo as relações humanas.

 

               Sim, esta permanente incerteza sobre o futuro, é o que nos torna ‘Unos’ no presente e está muito claro que tão somente o presente existe, complementando ainda podemos dizer que o passado em nada pode nos ajudar.

 

               Vamos lá, o passado é uma ficção para nós mesmos o criamos conforme nossos mecanismos de defesa, o futuro nem ficção é apenas um buraco negro de incertezas, sobrou o presente que é o confronto entre o eu e o outro. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Preciso de Informações, Sim; Confio nas Informações, não.

               Questão básica de formação pessoal a busca de informação, passa hoje por um sério problema de confiabilidade, os mecanismos que a distribuem têm dono sim, e dono que tem pensamentos próprios e muito conhecimento de nós.    

 

               Com a globalização, o que era uma construção apenas dos sentidos do ser humano passou a ser um processo extremamente complexo, do contato direto passamos a depender de uma complexa rede de distribuição de informações.  

 

               Tem muita importância na vida de cada ser humano a informação, pois ela constrói a rede de ideias que cada um de nós temos, obvio que as informações captadas no contato direto com nossos sentidos são as mais importantes, porém o sofisticado sistema de influencias do mundo globalizado é um processo maléfico de domínio.

 

               Ninguém pode negar que os meios de comunicação têm donos, assim como os sites web, como os mecanismos de busca, como a dita Inteligência Artificial, e não somos ingênuos para negar que estes mecanismos trabalham para a ideia de seus donos.

 

               Por outro lado, nunca fomos tão vulneráveis ao interminável processo de obtenção de informações a nosso respeito, jogados no mundo globalizados somos consumidos em cada passo dado, a esta coleta de informações a nosso respeito, imoral, mas utilizada por todos os mecanismos referidos acima.

 

               Os grandes bancos de dados nos classificam em diferentes perfis, sempre conforme a necessidade de induzir-nos a submissão do proprietário do mecanismo de informação e assim tentando com informação não confiável exercer domínio sobre nós.

 

               Continuamos necessitando de informação, logo vamos acionar todos os mecanismos existentes para nos ajudar nos posicionamentos que vamos manifestar, contudo, toda a informação recebida deve ser submetida ao nosso senso crítico avaliando as suas nuances de má fé e assim obtermos a informação a mais próxima da realidade.

 

               Toda informação obtida nos ajuda na construção do ser humano único que cada um de nós é, devemos rejeitar qualquer tentativa de produção de seres humanos em série a serviço de causas pessoais de egos pervertidos pelo poder. 

domingo, 12 de maio de 2024

Tela Branca e a Vida Entrelaçadas

 

               A experiencia de assistir um filme, frente a frente com a tela branca, recolhido a intimidade da sala de cinema expande em qualidade nossa vida, pouco antes de todo este desastre que vivemos aqui no Sul, tive o privilégio de ver na sala redenção o nosso Verdes Anos, dos brilhantes diretores gaúchos Gerbase e Giba.

 

               Falar do filme é completamente desnecessário por sua qualidade já afirmada pelo público e por todo o pessoal ligado ao cinema, saliento apenas que neste momento quarenta anos após o seu lançamento continua mexendo com o público gerando satisfação e prazer.

 

               Sempre gosto de realçar que existe um filme para cada expectador, pois vivemos um processo de imersão ao mesmo à partir do seu conjunto individual de experiências de vida, pois então quis escrever este texto mostrando como misturam-se minha vida e o filme.

 

               Existe no mesmo algumas cenas dedicadas ao amor de um estudante por uma professora (Aparentemente procurada como terrorista pela ditadura), todas as cenas mostram características fortes de vontade e impossibilidades.

 

               Cheguei no ponto que queria, viver estas cenas assistindo o filme reviveram cantos da minha memória pessoal nos anos setenta no final da adolescência, e a isto chamo de entrelaçamento da vida com o filme, por óbvio como falei acima é diferente para cada um de nós.

 

               Também ali, houve vontades e impossibilidades, era uma época em que estava completamento envolvido pela militância no repudio á ditadura e na busca da libertação, minhas memórias retornaram e junto delas pessoas muito queridas á época.

 

               Aparece em minha frente a casa da Glória, residência dos maristas que tive oportunidade de frequentar em muitas oportunidades, que me ajudou com os muitos livros que me foram emprestados, impossíveis de serem obtidos fora dali.

 

               Também nesta casa conheci o saudoso irmão Antônio Cechin, que só por sua obra com os catadores e papeleiros da região metropolitana, que lhe causou duas prisões na época, seu trabalho humanitário é digno de um santo de um herói, também lá tive amigos que foram para ronda alta participar do núcleo inicial do MST.

 

               Mas o que queria lhes dizer é sobre a Ipirela, codinome por certo, que foi a lembrança a desencadear todas as outras, era Ipirela por ser alta e bela como a estrela dos comerciais dos postos Ipiranga, com quem vivi na época uma relação de mistério e afeto, similar ao do filme, vivemos o que podíamos sem nenhuma pergunta, e assim o foi até o dia que ela simplesmente desapareceu sendo alocada á um ponto mais seguro, provavelmente em outro país.               

O Criador Escravo da Criatura – Guerras.

 

               Desde que o homem traçou o primeiro traço no chão, montou a primeira divisória, e disse ‘Daqui para cá é meu’, estamos em guerra, onde ninguém ganha, a humanidade perde, mas por traz deste traço há um combate maior contra a natureza e em tal guerra todos percebemos a cada dia o gosto da inevitável derrota.

 

               Esta criatura que geramos em ideias traz um conjunto suficientemente fortes a justificar esta insanidade que são as agressões entre nós mesmos e contra a natureza, e infelizmente de bom grado muitos de nós criadores nos submetemos á criatura sujando nossas mãos de sangue direta ou indiretamente.

 

               É tempo de repensarmos a criatura, quaisquer ideias que defendem a propriedade e com isso o direito de pessoas e nações agredirem outras pessoas e nações, devem ser de imediato combatidas e expurgadas.

 

               Não há verdade fora da convivência pacifica entre os homens entre si e a humanidade com a natureza, tudo que nega isso é uma grande mentira que mata humanos e seres vivos em geral.

 

               Não é justo nem correto, em nome de uma falsa liberdade individual, aceitarmos que este tipo de pensamento prolifere, a análise critica das ideias é um bom combate e deve ser uma luta de toda a humanidade.

 

               As agressões por pessoas, organizações as mais diversas e nações deve ser alvo de uma tolerância zero, buscar libertar o criador da escravidão da criatura deve impulsionar toda a nossa criatividade como seres humanos.

 

               Vamos juntar nossos esforços para evangelizar nossos irmãos humanos na conquista da harmonia entre nós homens e a paz universal, nosso compromisso deve ser em esclarecer os seres humanos da debilidade das ideias que defendem agressões.

 

               Em hipótese nenhuma podemos aceitar nossa impunidade nas milhares de mortes nas disputas Palestinos x Israel e Rússia x Ucrania e muito menos nas ocorridas em desastres climáticos como o atual no Rio Grande do Sul.

 

               Devemos sim assumir a culpa e nos engajarmos na grande batalha de corrigirmo-nos para que um futuro melhor se anuncie.                

sábado, 13 de abril de 2024

O Criador Escravo da Criatura.

 

               Aí está a história que a humanidade escreve nestes milhares de anos, criou seu sistema de ideias chamado civilização, que hoje em tempos de exponencial velocidade, transformou-nos todos em escravos deste conjunto fictício de verdades.

 

               Fomos sim agregando dia a dia, simples ideias por nós apelidadas de verdades, e submetemos todos os seres humanos a obedece-las como o escravo obedece a seu presumido proprietário, esta nossa criação nos escravizou.

 

               Muitos de nós buscam libertar-se deste monstro por nós criados, mas toda uma construção autoritária de sociedade tem seu trabalho para submeter-nos exercendo seu poder desde antes do nosso nascimento até a morte.

 

               O tão famoso livre arbítrio já é hoje questionado por muitos cientistas que conseguem enxergar que por traz de cada uma de nossas decisões passam milhares de situações das quais não temos nenhum controle.

 

               Porque tudo isso é importante? Primeiro porque queremos sim ser seres humanos em plenitude, e para tanto precisamos ser livres e donos de nosso destino, em outras palavras temos que quebrar o autoritário projeto que é destinado a nós todos.

 

               Não vamos nos enganar, hoje isso é extremamente complexo, observem que todo este sistema está criando em grandes quantidades seres humanos que adotam verdades como questão de fé e se submetem a ser escravos deste é por que está dito que é.

 

               As estruturas de manipulação social estão tão bem construídas a ponto de construírem maiorias, que como tão bem sabemos só interessa aos medíocres e são ponto forte de involução da sociedade como um todo.

 

               Não nos resta opção que não seja quebrar a espinha dorsal do sistema, ou seja combater ao projeto de construir submissão desde o inicio de nossa vida, ou seja ainda no ventre materno.

 

               Conhecimento é descoberta, nunca imposição de informação, todas as nossas histórias estão construídas sobre o impor informação e não propiciar conhecimento, está aí neste patamar o bom combate.