Não estamos
falando de respostas, mas sim de perguntas:
Quando falamos em
evolução como uma quantidade de alterações que ocorrem a todo o momento e
sempre em tempos mais curtos, não serão apenas apresentações diferentes de uma
mesma coisa, agregamos tecnologia, porém não adicionamos o novo, não
construímos o homem, evoluem as coisas que utilizamos e não nós seres humanos.
Pensava nisso ao
ver um filme do início de 1900, "O Gabinete do Dr. Caligari", da época
do expressionismo alemão, era ainda cinema mudo, a tecnologia rudimentar da indústria
do cinema a época é essa a única diferença que encontrei, o pensar cinema já
tinha os rituais que vejo nos filmes atuais, agora com alta tecnologia
embutida, mas os mesmos recursos criativos presentes, só falei nesse filme por
ter sido o mais recente poderia falar em
tantos outros.
Pensava nisso ao
analisar a questão do uso servil do trabalho humano, exploração do homem pelo
homem, não se mantém igual nas relações de trabalho, não observamos o mesmo
fenômeno, apesar das técnicas de liderança, de gerenciamento e outras tantas modernidades
destinadas a mobilizar, trazendo o que antes era manifestação pura e simples de
força para o campo da persuasão, não encontramos aí o desejo de buscar a
ocupação permanente do outro ao nosso serviço, alterando apenas a tecnologia
empregada sem que dominador e dominado tenham crescido individualmente.
Não são todas essas
coisas resultado do jogo entre poder e resistência, hoje muito mais sofisticado,
porém não diferente do primeiro instante da sua descoberta, continuamos com o
gatilho armado, prontos para a explosão final nos destruirmos uns aos outros,
continuamos utilizando muito pouco da nossa capacidade, pois estamos em
permanente ocupação com o jogo e assim desviando-nos do objetivo de encontrar nossa
plenitude.
Não seria o
momento de usarmos toda esta tecnologia para libertarmo-nos, para mais tempo
conosco mesmos, com a natureza, rompermos em definitivo com nossas pequenas
guerras, que em seu conjunto no contexto global reflete-se neste clima de
violência generalizada entre pessoas, organizações e nações.
O enfrentamento
constante entre nós mesmos em sua origem não tem a questão de só encontramos
nossa identidade a partir do contraponto do outro derrotado ou vitorioso, o que
nos permite dizer com clareza que não nos enxergamos e sim apenas vemos uma
deturpada imagem nossa no outro nosso espelho, classifico-me como melhor ou
pior e nunca como igual diferenciado pela unicidade do ser.
Falta-me a
resposta, mas trilho o caminho de olhar mais para mim, dou-me o tempo de
entender-me, vejo como funciono comigo mesmo, olho os outros com a curiosidade
natural de conhecê-los nunca julgá-los, fujo de ter necessidade de fazer algo e
busco apenas ser justo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário