sábado, 6 de junho de 2015

Trilha do Poder - Ruptura Final

     Não estamos falando de respostas, mas sim de perguntas:

     Quando falamos em evolução como uma quantidade de alterações que ocorrem a todo o momento e sempre em tempos mais curtos, não serão apenas apresentações diferentes de uma mesma coisa, agregamos tecnologia, porém não adicionamos o novo, não construímos o homem, evoluem as coisas que utilizamos e não nós seres humanos.

     Pensava nisso ao ver um filme do início de 1900, "O Gabinete do Dr. Caligari", da época do expressionismo alemão, era ainda cinema mudo, a tecnologia rudimentar da indústria do cinema a época é essa a única diferença que encontrei, o pensar cinema já tinha os rituais que vejo nos filmes atuais, agora com alta tecnologia embutida, mas os mesmos recursos criativos presentes, só falei nesse filme por ter sido o mais recente poderia falar  em tantos outros.

     Pensava nisso ao analisar a questão do uso servil do trabalho humano, exploração do homem pelo homem, não se mantém igual nas relações de trabalho, não observamos o mesmo fenômeno, apesar das técnicas de liderança, de gerenciamento e outras tantas modernidades destinadas a mobilizar, trazendo o que antes era manifestação pura e simples de força para o campo da persuasão, não encontramos aí o desejo de buscar a ocupação permanente do outro ao nosso serviço, alterando apenas a tecnologia empregada sem que dominador e dominado tenham crescido individualmente.

     Não são todas essas coisas resultado do jogo entre poder e resistência, hoje muito mais sofisticado, porém não diferente do primeiro instante da sua descoberta, continuamos com o gatilho armado, prontos para a explosão final nos destruirmos uns aos outros, continuamos utilizando muito pouco da nossa capacidade, pois estamos em permanente ocupação com o jogo e assim desviando-nos do objetivo de encontrar nossa plenitude.

     Não seria o momento de usarmos toda esta tecnologia para libertarmo-nos, para mais tempo conosco mesmos, com a natureza, rompermos em definitivo com nossas pequenas guerras, que em seu conjunto no contexto global reflete-se neste clima de violência generalizada entre pessoas, organizações e nações.

     O enfrentamento constante entre nós mesmos em sua origem não tem a questão de só encontramos nossa identidade a partir do contraponto do outro derrotado ou vitorioso, o que nos permite dizer com clareza que não nos enxergamos e sim apenas vemos uma deturpada imagem nossa no outro nosso espelho, classifico-me como melhor ou pior e nunca como igual diferenciado pela unicidade do ser.


     Falta-me a resposta, mas trilho o caminho de olhar mais para mim, dou-me o tempo de entender-me, vejo como funciono comigo mesmo, olho os outros com a curiosidade natural de conhecê-los nunca julgá-los, fujo de ter necessidade de fazer algo e busco apenas ser justo.               

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