segunda-feira, 15 de junho de 2015

Lado de Lá da Violência

     Por onde passo eu percebo um generalizado frêmito de indignação, e o tema é a violência, nos bares, nas redes sociais, nas conversas de ônibus, em todos os lugares ouço comentarem e o foco é sempre no governo, nos seus mecanismos de segurança e na ineficiência judiciária com leis ditas frouxas votadas pelo legislativo, quando não consideradas favoráveis aos violentos, assim acusa a opinião pública.

     Bom meus amigos não vou discutir com vocês a continuada incompetência de nossos governos, o são independente das suas cores, governos de poucas luzes, sempre mais preocupados com o manter-se como elite política e ajoelharem-se frente aos poderes econômicos, do que dedicarem-se a resolver os inúmeros e persistentes problemas que a sociedade brasileira enfrenta e quando falo em governo estou falando dos três poderes que bem se compensam em tirar o melhor proveito em benefício próprio.

     Estamos nos acostumando a delegar para quem de antemão já sabemos não vai assumir nossos problemas, com a violência não é diferente, transformamos todos os espaços que encontramos em muros de lamentação e não nos posicionamos individualmente para enfrentá-la também não somos solidários nesta batalha, viramos as costas, olhamos de longe, transferimos para terceiros, em síntese, nos omitimos.

     Na parada de ônibus, por volta de dez horas da noite, um cara de meia-idade, talvez um pouco bêbado sendo inconveniente em relação às duas moças ali presentes, elas tentaram parecer indiferentes, depois se moveram para outro ponto da parada, muita gente em volta, constrangimento, disfarce de cegueira, fuga de complicação, era tão simples a atitude de com respeito mostrar ao chato que o mesmo estava exercendo uma violência, ou acreditamos que as mulheres não estavam se sentindo agredidas, resultado não fizemos nada e a violência venceu e assim ajudamos no seu crescimento , encorpando-se para se manifestar mais forte em outra oportunidade.

     Cristo colocou os pacíficos no céu, pacíficos não os covardes, pacíficos não os omissos, ser pacífico não é submeter-se aos exercícios de força de quem quer que seja e sim é não ser o gerador de violência, como Mahatma Gandhi, Martim Luther King, que não tinham medo ao contrário enfrentavam permanentemente a violência e a venceram.

     Uma mulher caminhando, aproximam-se dois caras, umas quatro pessoas estão próximas, impossível não perceber o roubo iminente do seu celular, da corrente do seu pescoço, talvez os quatro aproximando-se um pouco estariam inibindo o assalto, mas diminuem o passo mudam o caminho e dão segurança aos bandidos para o ato, pois na opinião dos quatro isso é questão de polícia.


     O medo é salutar, ajuda a vida, aumenta a atenção, o medo nunca pode servir à submissão e sim nos ajudar a enfrentar os perigos com mais inteligência e agilidade e assim nos candidatarmos à vitória, optando pela omissão e pela covardia fortalecemos a violência.  

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