segunda-feira, 8 de junho de 2015

Meu Lado Pré-Histórico

      Você que agora lê esta postagem pode pensar este cara é o que filosoficamente chamamos de anarquista, apesar das minhas simpatias pelos nossos amigos o alemão Max Stirner, o francês Pierre-Joseph Proudhon, e os dois russos Michael Bakunin e Peter Kropotkin, pensadores que são considerados os pais do movimento por colocarem no papel o pensar dos trabalhadores da época, confesso não pertenço a correntes filosóficas e sim tenho muitas afinidades com suas ideias.

     Estou mais sintonizado com a ideia de quebrar a capacidade que geramos de aprimorar a submissão, diminuindo a grandeza do homem, que chamamos de civilização e teria gostado se na primeira encruzilhada a opção tomada pelos nossos antepassados tivesse trilhado outro caminho, não é por acaso que vemos as palavras hoje serem mais importantes do que as pessoas como denuncia Rousseau e a negação da vida fruto do pensamento teológico e filosófico como afirma Nietzsche.

     Na questão da linguagem encontro o fim da manifestação livre e direta, tudo o que digo sempre é composto de uma rede de intenções e objetivos, ou seja, estou mais preocupado com o efeito que pretendo obter do que com a manifestação propriamente dita, e não pense que como ouvinte é diferente, interpreto frase a frase como contrapartida aos meus preconceitos, escolho a versão mais adequada a minha necessidade do momento, resultado não há comunicação e sim um artifício, um jogo.

     Na questão da vida, já consegui enganar-me adiando o presente em nome de objetivos futuros, como se fosse salutar abrir mão de viver hoje em nome de outra vida, depois percebendo que era um jogo comigo mesmo, viciado através de conhecimentos implantados em mim por anos e anos de civilização, nesse jogo o perdedor e ganhador se confundem o resultado tende a ser sempre o mesmo a provável obtenção de depressão, angústia e violência.

     O incansável olhar o outro para balizar meus atos, não atende ao princípio mínimo que é viver o homem justo consigo mesmo, então insisto na volta à pré-história por seu único caminho possível, descascar as camadas de conceitos de outrem impingidos desde aquela época até hoje e criar em mim o homem novo, o que gostaria fosse possível acontecer para cada um dos participantes da grande comunidade dos seres humanos, esses homens novos certamente não necessitariam de nações e seus governos a gerenciar suas relações.

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