terça-feira, 2 de junho de 2015

As Janelas de Vida

     Vi minha personagem ao meio-dia e ela estava entre duas amigas, confesso não sei seu nome, de imediato me dei conta da grande mudança, havia uma barriga linda de gravidez presente nela, e não era recente pelo menos quatro meses de um bebê deviam estar ali naquele ventre, o fato apareceu para mim assim como que do nada, não conseguia lembrar-me de qualquer vestígio no passado que indicasse que ela pudesse estar vivendo esse momento.  

     A ideia é situar-vos na experimentação que tive, são janelas de vida que se abrem no tempo, para nós durava já um ano de pequenos pedaços de convivência, que poderíamos resumir assim, muitas vezes no mesmo deslocamento do início do dia na rota casa-trabalho, eventualmente um encontrar-se na ida ou volta do almoço já que trabalhávamos próximos e algumas vezes no ônibus ou à espera dele ao retornar do serviço para casa.

     Nunca houve qualquer conversa nenhum tipo de contato, apenas olhos a procurarem-se contando uma história silenciosa, certamente indecifrável não só para os outros, mas sim para nós também, defino assim como pequenas interseções de um conjunto de relações muito maior que cada um experimentava por seu lado, completamente desconhecido para o outro.

     Perpassam na vida de todos nós milhares dessas janelas, com personagens diferentes em diversos caminhos, cada qual dos envolvidos contando uma história diferente unilateral só existente no seu imaginário, mas são histórias que tem um início e um fim em cada um desses instantes, a memória recupera-se de imediato, traça um plano de continuidade com o passado que estando hibernado em nós renasce com força no momento, isso por maior que seja o intervalo em que nos desencontramos.


     Se eu fui surpreendido, de maneira prazerosa por gostar de crianças, o foi exatamente por não conhecer nenhuma das circunstâncias que compunham o enorme tempo que representava nossas vidas em relação aos poucos minutos que convivíamos, e só estou lhes fazendo essas confidências porque situações agradáveis podem deixar de serem curtidas por ignorar tantas dessas histórias paralelas que inevitavelmente vivemos como seres multifacetados em nossas relações.  

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