domingo, 14 de junho de 2015

Na hora Revela-se o Homem

     Uma criança, uma lomba, um carrinho e um pedaço de tempo, precisa algo a mais para definir o homem, se houver saúde todos os ingredientes estão aí presentes, esqueci o óbvio, falta o adulto a mãe e ou o pai e ou a avó e ou o avô e ou professores e ou qualquer outro responsável pela mesma.

     Ela sobe a lomba pega o carrinho e desaba morro abaixo, mostra-se prazerosa com a velocidade, fica desatenta procura mostra-se para o adulto, perde o rumo e... OK vira o carro contra um canteiro capota, murmurinho protestos imediatos dos responsáveis agora como sensores.

     O primeiro a nos definir é o tempo, sem o mesmo ainda não entendemos como funcionaríamos, sem o tempo não haveria criança, não haveria movimento, não saberíamos como definir este nosso estado, a partir de sua existência podemos encontrar o prazer, como vi na cara do menino declive abaixo, pois viabiliza o movimento, sim movimento e prazer fazem parte de nossa essência.

     Bom então começa o sermão, os famosos: não faz, vai se machucar, e outros tantos que já recebemos ou aplicamos, mas o menino volta a subir o aclive com seu carrinho e desloca-se para baixo novamente, repetindo os mesmos movimentos, muito mais atento ao que aprendeu no trajeto do que às censuras que lhe dirigiam, pois a vida lhe ensina e as palavras não fazem nenhum sentido para ele.

     Vemos a repetição como algo que também nos define, sei que não existem duas descidas iguais, mas estou falando da busca do prazer, do movimento que o gera, o faremos muitas vezes por certo agora com certos riscos assimilados e evitados por apreender, que é outro caráter todo nosso.

     Repete-se o ritual tantas vezes quantas lhe for possível, só uma força o interrompe um incidente, pode ser um machucado que o leve ao choro ou à arbitrariedade do adulto que o submete, ou ainda a atenção de algo mais prazeroso.


     A decisão aparece como inata ao ser humano e à medida que se seguem os fatos sempre diferenciados, pois não existem dois fatos iguais, resultam em decisões diferentes tomadas pela experiência cumulativa própria e nunca pela experiência de outrem, bom tudo que está nestes poucos minutos do existir do menino nos define o homem.

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