Uma criança, uma
lomba, um carrinho e um pedaço de tempo, precisa algo a mais para definir o
homem, se houver saúde todos os ingredientes estão aí presentes, esqueci o óbvio,
falta o adulto a mãe e ou o pai e ou a avó e ou o avô e ou professores e ou
qualquer outro responsável pela mesma.
Ela sobe a lomba
pega o carrinho e desaba morro abaixo, mostra-se prazerosa com a velocidade,
fica desatenta procura mostra-se para o adulto, perde o rumo e... OK vira o
carro contra um canteiro capota, murmurinho protestos imediatos dos
responsáveis agora como sensores.
O primeiro a nos
definir é o tempo, sem o mesmo ainda não entendemos como funcionaríamos, sem o
tempo não haveria criança, não haveria movimento, não saberíamos como definir
este nosso estado, a partir de sua existência podemos encontrar o prazer, como
vi na cara do menino declive abaixo, pois viabiliza o movimento, sim movimento
e prazer fazem parte de nossa essência.
Bom então começa
o sermão, os famosos: não faz, vai se machucar, e outros tantos que já
recebemos ou aplicamos, mas o menino volta a subir o aclive com seu carrinho e desloca-se
para baixo novamente, repetindo os mesmos movimentos, muito mais atento ao que aprendeu
no trajeto do que às censuras que lhe dirigiam, pois a vida lhe ensina e as
palavras não fazem nenhum sentido para ele.
Vemos a repetição
como algo que também nos define, sei que não existem duas descidas iguais, mas
estou falando da busca do prazer, do movimento que o gera, o faremos muitas
vezes por certo agora com certos riscos assimilados e evitados por apreender,
que é outro caráter todo nosso.
Repete-se o
ritual tantas vezes quantas lhe for possível, só uma força o interrompe um
incidente, pode ser um machucado que o leve ao choro ou à arbitrariedade do
adulto que o submete, ou ainda a atenção de algo mais prazeroso.
A decisão aparece
como inata ao ser humano e à medida que se seguem os fatos sempre diferenciados,
pois não existem dois fatos iguais, resultam em decisões diferentes tomadas
pela experiência cumulativa própria e nunca pela experiência de outrem, bom
tudo que está nestes poucos minutos do existir do menino nos define o homem.
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