Nós reagimos
contra uma educação tecnicista distanciada da construção do homem, refutamos
uma noção de sexo utilitarista procriador proibido como prazer, nós abominamos o
imperialismo americano ou qualquer outro, que nos tratava como quintal quando
deveria ser uma liderança, era assim nossa geração jovem nos anos sessenta nos
manifestávamos através de movimentos de militância política/social e optávamos
por uma vida alternativa.
Quarta fase do
jogo efeito rebanho, os resultados eram medidos pela capacidade de apropriar-se
da rebeldia jovem convertendo-a em submissão ao consumo, regra enquadrar no
sistema espaços para criatividade, para o espírito de mudança dirigindo seus
resultados para manutenção do status quo via simulada autonomia.
Éramos muitos
circulávamos jogando nossas bolinhas de gude contra os cavalos da repressão,
nossas reuniões no bar da esquina, dentro dos grêmios escolares nas
organizações jovens das igrejas onde discutíamos a vida e a sociedade, música
era o tropicalismo, cinema novo a opção, realismo marxista na literatura e
teatro, nossas trincheiras ambientadas a escancarar a existência de desigualdade
e sonhar com ideais igualitários.
Perdemos feio,
foi uma derrota do tamanho da utopia sonhada, apreenderam muito conosco, no marketing
para gerar massas de manobra, nas técnicas de gerenciamento para substituir o
autoritarismo pela persuasão, maneira suave de exercer poder, podiam substituir
a tortura e a força por grupos de trabalhos dirigidos a metas e resultados e
com a febre encantadora do consumo a manter toda uma população ocupada,
distraída, com a próxima aquisição e a cada década que chegava mais acomodação
e conservadorismo.
Especializamo-nos
no desperdício, pois toda a pesquisa é movimentada pelo poder econômico e político,
o trabalho intelectual é direcionado para o detalhe particular conforme
interesse de quem exerce o poder, todos nossos esforços são contra o homem e a
favor de sua submissão o que só podia resultar em uma sociedade cada vez mais egocêntrica
dirigida a comprar a próxima inutilidade a ser lançada no mercado.
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