domingo, 28 de junho de 2015

O Jogo da antropofagia - Sociologia

     Nós reagimos contra uma educação tecnicista distanciada da construção do homem, refutamos uma noção de sexo utilitarista procriador proibido como prazer, nós abominamos o imperialismo americano ou qualquer outro, que nos tratava como quintal quando deveria ser uma liderança, era assim nossa geração jovem nos anos sessenta nos manifestávamos através de movimentos de militância política/social e optávamos por uma vida alternativa.

     Quarta fase do jogo efeito rebanho, os resultados eram medidos pela capacidade de apropriar-se da rebeldia jovem convertendo-a em submissão ao consumo, regra enquadrar no sistema espaços para criatividade, para o espírito de mudança dirigindo seus resultados para manutenção do status quo via simulada autonomia.

     Éramos muitos circulávamos jogando nossas bolinhas de gude contra os cavalos da repressão, nossas reuniões no bar da esquina, dentro dos grêmios escolares nas organizações jovens das igrejas onde discutíamos a vida e a sociedade, música era o tropicalismo, cinema novo a opção, realismo marxista na literatura e teatro, nossas trincheiras ambientadas a escancarar a existência de desigualdade e sonhar com ideais igualitários.

     Perdemos feio, foi uma derrota do tamanho da utopia sonhada, apreenderam muito conosco, no marketing para gerar massas de manobra, nas técnicas de gerenciamento para substituir o autoritarismo pela persuasão, maneira suave de exercer poder, podiam substituir a tortura e a força por grupos de trabalhos dirigidos a metas e resultados e com a febre encantadora do consumo a manter toda uma população ocupada, distraída, com a próxima aquisição e a cada década que chegava mais acomodação e conservadorismo.

     Especializamo-nos no desperdício, pois toda a pesquisa é movimentada pelo poder econômico e político, o trabalho intelectual é direcionado para o detalhe particular conforme interesse de quem exerce o poder, todos nossos esforços são contra o homem e a favor de sua submissão o que só podia resultar em uma sociedade cada vez mais egocêntrica dirigida a comprar a próxima inutilidade a ser lançada no mercado.

     A sociologia interpreta esses movimentos em um somatório de pequenos cases que escondem o todo, pois se tirarmos uma radiografia da sociedade, hoje encontraremos muito trabalho inútil com objetivos fantasiosos executados por homens depressivos, pressionados e distraídos por ínfimos minutos de prazer gerados por tão somente o momento da aquisição e posse de um objeto qualquer, no mesmo instante o mesmo torna-se obsoleto vira uma inutilidade. 

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