domingo, 21 de junho de 2015

Alcova Espartana de uma Alma Ateniense

     Voltamos quando menos esperamos ao berço da cultura ocidental: a Grécia antiga, o sonho dourado da tragédia grega, do ditirambo onde o coro evoca e cria o Deus Dionísio, quem sabe alegre quem sabe sombrio era o povo transformando-se em Deus através da afirmação da vida em plenitude e globalidade.

     Essa força espantosa da música que nos envolve em um diálogo profundo capaz de materializar o pensamento expresso por um coro, nos aponta o caminho da redescoberta da força viva que é o homem e sua capacidade de criar, da qual abrimos mão por ocuparmo-nos em excesso com a geração de conceitos e regras universais, isto é, destinada aos outros, em lugar de encontrar e exercitar o homem interior.

    Este recinto fechado de encontro de nossa alma com ela mesma só pode ser obtido com uma forte disciplina pessoal, podemos falar de manter uma guerra interminável contra as distrações de nós mesmos que nos impinge a sociedade de consumo, sempre nos oferecendo foco para milhares de pessoas, conceitos ou materiais tão longes de nosso querer que quando alcançados sempre resultam na insatisfação de sua inutilidade.  

     Quando percebemos não temos tempo para nada, estamos sempre ocupados demais para vivermos, iludidos pelo amanhã com suas fantasias que nos são vendidas, afastando-nos do presente que é o templo sagrado da alma humana, ou mais grave, debruçados sobre um passado que só poderia realizar-se novamente como farsa.             


     Alcova, sim o fechar-me em mim mesmo como espaço indivisível e inviolável para o simples existir, espartana pela absoluta pessoalidade das regras estabelecidas e executadas e quando falo na alma ateniense penso em movimento de ideias, em convivência entre homens livres, justos, senhores de si mesmos, capazes de articularem com desenvoltura seus anseios de não dependência, não se sujeitando a qualquer filtro moral de outrem em detrimento de sua verdade.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário