Voltamos quando
menos esperamos ao berço da cultura ocidental: a Grécia antiga, o sonho dourado
da tragédia grega, do ditirambo onde o coro evoca e cria o Deus Dionísio, quem
sabe alegre quem sabe sombrio era o povo transformando-se em Deus através da
afirmação da vida em plenitude e globalidade.
Essa força
espantosa da música que nos envolve em um diálogo profundo capaz de
materializar o pensamento expresso por um coro, nos aponta o caminho da redescoberta
da força viva que é o homem e sua capacidade de criar, da qual abrimos mão por
ocuparmo-nos em excesso com a geração de conceitos e regras universais, isto é,
destinada aos outros, em lugar de encontrar e exercitar o homem interior.
Este recinto
fechado de encontro de nossa alma com ela mesma só pode
ser obtido com uma forte disciplina pessoal, podemos falar de manter uma guerra
interminável contra as distrações de nós mesmos que nos impinge a sociedade de
consumo, sempre nos oferecendo foco para milhares de pessoas, conceitos ou
materiais tão longes de nosso querer que quando alcançados sempre resultam na
insatisfação de sua inutilidade.
Quando percebemos
não temos tempo para nada, estamos sempre ocupados demais para vivermos,
iludidos pelo amanhã com suas fantasias que nos são vendidas, afastando-nos do
presente que é o templo sagrado da alma humana, ou mais grave, debruçados sobre
um passado que só poderia realizar-se novamente como farsa.
Alcova, sim o
fechar-me em mim mesmo como espaço indivisível e inviolável para o simples
existir, espartana pela absoluta pessoalidade das regras estabelecidas e executadas
e quando falo na alma ateniense penso em movimento de ideias, em convivência
entre homens livres, justos, senhores de si mesmos, capazes de articularem com
desenvoltura seus anseios de não dependência, não se sujeitando a qualquer
filtro moral de outrem em detrimento de sua verdade.
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