Minha culpa,
minha máxima culpa, não consigo curtir perdas, por outro lado também não sou
sensível a ganhos, droga! Deve ser algo referente à famosa disciplina alemã,
não que me falte vontade, às vezes eu insisto um pouco, aproveito um sinal
qualquer que se apresente no tempo, tento apalpar, acariciar uma pequena
contrariedade, algo que deu errado, algo que foi mal como se diz por aí, em uma
relação, em um negócio, em uma iniciativa, mas sempre bate na trave e volta interiorizada
como parte necessária da vida.
Perdas, não sorria
não estou falando que não as tive, ocorreram e foram muitas o que não fiz foi
curti-las, chorar por causa delas até chorei apenas no embalo, no momento da
emoção instantânea, chorar para mim é muito fácil, qualquer carga de emoção os
olhos lacrimejam e é quase uma festa, causam arrepios sim, mas sem
consequências, morrem aí não mudam a vida, não se prestam para uma bebedeira,
não se encaixam em nada de útil ou inútil e sigo minha sina de caminhante,
adiante para um novo processo, para um novo tempo, fica algo mais a ser
arquivado no mundo das boas lembranças porque assim sempre ficam classificadas
em mim as perdas.
Ganhos, por certo,
muitos anos vividos sem arrependimento nem convencimento, só pode ser uma soma
de ganhos, até as perdas transformam-se em vantagens, claro as mesmas só o são
para mim mesmo, mas a quem mais pode interessar a poupança de inqualificáveis
fatos que são a explosão de vida livre do conceito da dualidade entre bem e
mal.
Não me sentindo passível
de julgamentos de outros, conceito emitido por terceiros não tem
correspondência sendo na verdade um problema deles, quando muito conseguem a mágoa
do minuto e o imediato entendimento por mim das razões que os levam a assim o
fazerem, eu compreendo seus atos e em um novo passo logo esqueço, virou uma
linda página do livro da minha vida.
Essas coisas que
chamamos de acréscimos e decréscimos de qualidade de vida, só existem porque
queremos que assim o seja, desenvolvemos necessidades e nos escravizamos a
elas, o que tenho é suficiente em gênero e número e isso me basta.
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