Ora estava na
quadra de basquete treinando, na época de pivô era considerado alto, ora como sócio-atleta
do clube participava das reuniões dançantes, assim início da juventude o
importante era no jogo das relações com amigos e com namoradas encontrar meu
espaço emergente onde dividimo-nos entre esportes, álcool e paixão, ora bolas, tinha
também os estudos e alguns movimentos para ganhar uns trocados.
Primeira fase do
jogo “fazer-se querido”, os resultados eram medidos pela popularidade entre os
amigos e por quantidade de namoradas inventadas ou não, e a regra era adivinhar
o comportamento desejado pelos outros jogadores.
Quanto aos
companheiros parecia simples era só iniciar a fumar e beber sair para dançar, falar
das gurias, escolher alguém do grupo para ser a vítima, com isso agradava a
todos, se possível criar histórias para buscar enciumar os companheiros e assim
agregar a si prestígio no grupo, na sequência tentar corresponder, ser
acreditado nas histórias contadas, com o tempo acabava que as leituras e os
filmes muito ajudavam a jovem imaginação.
Faz parte de
nossa iniciação o ato de optar, na questão política social em plena Guerra Fria
escolha foi a terceira via o maoísmo, e na ditadura a
resistência brizolista e participação na esquerda cristã, embalado pelo
movimento estudantil e a juventude católica.
Bom o namoro complicava
um pouco, mas os fins de noite dançantes eram uma boa alternativa, depois de
algumas tentativas acabava-se ficando com alguém, e comigo não foi diferente
apareciam as namoradas, e então o mais difícil era evoluir a relação, na memória
encontro histórias inventadas para justificar um beijo, um carinho, gerar as
oportunidades, claro meus eram os temores, minha experiência reduzia-se a umas
coroas solitárias que gostavam de curtir a gurizada, imaginação foi a arma que
utilizei e lembro bem de ter vivido coisas boas e assim o foi sempre eterno
enquanto durava.
Ainda falando em
opções culturais, na música Rolling Stones e tropicalismo, na literatura Medo a
Liberdade, Análise do Homem do socialismo freudiano humanista de Erich Fromm,
Demian de Hermann Hesse autor fortemente influenciado por Nietzsche, no cinema
as obras primas dos franceses (Godard, etc.), italianos (Fellini, Pasolini,
etc.), ou como queiram do cinema europeu como um todo (Bergman, etc.) e do
cinema novo brasileiro (Glauber, etc.), no turismo mochila nas costas e de
preferência uma festa na casa dos pescadores em Garopaba - SC.
Buscando a memória social coletiva, desde
pequenos, por nossos pais representantes da sociedade, somos treinados a fazer-se
gostar, no modo Ivan Pavlov buscando as recompensas fugindo dos castigos
desenvolvendo a capacidade de enganar e sofisticar, o suficiente para transformar
uma relação que deveria ser natural, em um grande jogo entre jovens, em um
conjunto de avanços e recuos estratégicos, adivinhações de necessidades e
possibilidades, artimanhas mil enfim para atingir objetivos simples de convivência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário