quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A intimidação física e moral

     Não pretendo entrar no debate político-ideológico nascido a partir da proposta do tema da prova de redação do Enem, porém o momento me estimula a explanar alguns pensamentos sobre a violência, já lhes adianto que por convicção acredito ser muito mais ampla do que no geral o contempla o debate público, vivemos em uma sociedade com viés definido de exclusão e dominação.

     Quem recorda algumas de minhas reflexões anteriores sabe que gosto sempre da análise dos assuntos pelo lado amplo não restrito a casos particulares, gosto de propagar a ideia de uma luta forte contra a violência em geral, podemos discutir casos específicos como a violência contra a mulher, contra a criança, contra as diferentes raças e muitos outros, apesar de entender e valorizar quem assim dedique seus esforços, eu defendo a localização e denuncia de toda e qualquer violência.

     Gosto de focar sempre na questão da preparação do ser humano historicamente deficiente e predadora para todos os sexos, muito mais o é para o feminino, quadro simples uma família, que somada á escola, é a base da preparação para a convivência social, os dois mecanismos claramente identificados com a opressão, essa família é composta por crianças de diferentes sexos que não tenham duvida além de oprimidas o serão diferentemente por causa do sexo.

     Iniciamos pela própria relação entre os adultos onde na maioria dos lares a mulher é submetida a uma relação desigual tanto na parte de manutenção da casa como nas responsabilidades com os filhos, isso quando não submetida á própria violência física e quase sempre a violência moral de lhe tirarem a liberdade sobre seu corpo, à menina cresce neste ambiente apreendendo a aceitar seu futuro papel.

     Desde pequenos o tratamento na maioria dos casos é desigual, onde a futura mulher é colocada em uma cerceadora redoma, alega-se proteção, em verdade é a iniciação a submissão, o rapaz é estimulado a sair à rua interagir com o mundo no aprendizado da liberdade, embora esta seja muito restrita pelo jogo econômico-social do poder.             

      Ainda no desabrochar da sexualidade por ocasião da convivência com outras crianças, se os adultos descobrem as brincadeiras inevitáveis de descoberta do prazer, instala-se a repressão certamente mais acentuada contra a menina, afirmo que na maioria dos casos a menina será fortemente reprimida e na maioria das vezes o menino elogiado por seu padrão macho de comportamento, não deixa de ser uma opressão a obrigação deste papel de garanhão que ele deve carregar por toda a vida.  


     Apoio decididamente as feministas na luta contra a insistência do poder estabelecido de retirar da mulher o direito à posse do próprio corpo com leis ilegítimas sobre aborto e comportamento social, o que se reproduz em quase todas as organizações dais quais ela participe.      

2 comentários:

  1. Daniel, além de ser da hora suas reflexões, achei bastante coerente com o que penso sobre essa relação de dominação do homem x mulher.

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    1. Obrigado, minha preocupação é que ás vezes esquecemos do simples, é necessário um esforço para mantermos a resistência ao poder em todos os níveis, principalmente nas ocorrências do dia a dia que é onde podemos certamente transformar.

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