sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mulher como Mistério, Homem com Medo.

     Salvo em nossa infância quando brincamos entre crianças com nossa sexualidade independente de parceiros e traumas, o que é argumento favorável à defesa da tese da artificialidade dos fantasmas internos que aparecem por ocasião das relações adultas (serão adultas?) entre homens e mulheres, a espontaneidade infantil contraposta aos ardis da maturidade demonstra a carga de pré-conceitos da qual somos vítimas por imposição social durante o aprendizado de crescimento (ou seria uma domesticação?).

     Não esquecendo que a intervenção opressora de adultos abusando da inocência dos pequenos é a única causadora de abalos no equilíbrio psicológico dos menores, o que não acontece nas relações estabelecidas entre eles na mesma faixa etária que resulta em preparação para vida, não são exercício de poder e sim construtoras de relacionamentos e posturas em relação a futuras ligações afetivas, são nada mais que experiências. 

     O desenvolvimento de uma aura de mistério especificamente em relação à mulher, nada mais é do que uma extensão da falta de naturalidade nas relações entre seres humanos em geral, todos guardamos defesas ao relacionarmo-nos com alguém, por termos sido preparados para tal, manipulamos nossas palavras e atitudes escondendo a motivação real do seu executar, e o fazemos tão bem que até de nós mesmos conseguimos ocultá-la.

     O Mistério interessa, mantém a chama do interesse, com a permanente busca de decifrá-lo multiplicamos encontros fugindo da tendência natural de relações diversificadas, não estamos falando de má fé, estamos sim tratando da consequência visível de um processo de colonização cultural.

     O medo acompanha o homem nas suas relações com o sexo feminino, por mais que seja escondido ou disfarçado por atitudes machistas, ele está sempre presente, o próprio machismo deve ser visto como um mecanismo de defesa. Posso ter medo do que possuo? Mas impor dominação é admitir o medo e só a exerço para vencer a insegurança que tenho na relação.

     Estivemos muito próximos de superar essa questão do mistério e do medo no entorno da década de sessenta, após um grande avanço na questão da liberdade nas relações entre os dois sexos, a sociedade como um todo retornou a uma posição conservadora, principalmente pelo advento da AIDS e acredito que tão somente após a liberação econômica da mulher, que por sorte está em avançado andamento, retomaremos o caminho para relações livres e maduras.   

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