Salvo em nossa
infância quando brincamos entre crianças com nossa sexualidade independente de
parceiros e traumas, o que é argumento favorável à defesa da tese da
artificialidade dos fantasmas internos que aparecem por ocasião das relações
adultas (serão adultas?) entre homens e mulheres, a espontaneidade infantil
contraposta aos ardis da maturidade demonstra a carga de pré-conceitos da qual
somos vítimas por imposição social durante o aprendizado de crescimento (ou
seria uma domesticação?).
Não esquecendo
que a intervenção opressora de adultos abusando da inocência dos pequenos é a
única causadora de abalos no equilíbrio psicológico dos menores, o que não
acontece nas relações estabelecidas entre eles na mesma faixa etária que
resulta em preparação para vida, não são exercício de poder e sim construtoras
de relacionamentos e posturas em relação a futuras ligações afetivas, são nada
mais que experiências.
O desenvolvimento
de uma aura de mistério especificamente em relação à mulher, nada mais é do que
uma extensão da falta de naturalidade nas relações entre seres humanos em geral,
todos guardamos defesas ao relacionarmo-nos com alguém, por termos sido
preparados para tal, manipulamos nossas palavras e atitudes escondendo a
motivação real do seu executar, e o fazemos tão bem que até de nós mesmos
conseguimos ocultá-la.
O Mistério
interessa, mantém a chama do interesse, com a permanente busca de decifrá-lo
multiplicamos encontros fugindo da tendência natural de relações
diversificadas, não estamos falando de má fé, estamos sim tratando da
consequência visível de um processo de colonização cultural.
O medo acompanha
o homem nas suas relações com o sexo feminino, por mais que seja escondido ou disfarçado
por atitudes machistas, ele está sempre presente, o próprio machismo deve ser
visto como um mecanismo de defesa. Posso ter medo do que possuo? Mas impor dominação
é admitir o medo e só a exerço para vencer a insegurança que tenho na relação.
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