segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Difícil Entender, Devo Ser Muito Burro...

     Desculpe-me o querido animal, que pelo que sei é bastante inteligente, mas acordei com esta frase na cabeça “Difícil Entender, Devo Ser Muito Burro...”, bom só soprá-la nos seus ouvidos nada significa me sinto na obrigação de explicar-lhes, é o que farei, vamos falar de coisas que muitos dizem mortas, mas que de fato estão mais vivas do que nunca: o conceito de esquerda e direita e suas contradições no dia a dia.

     Quando escutei em uma conversa da qual participava o conceito de que Michel Foucault com o avançar da idade foi se posicionando mais à direita, só pude aceitar tal afirmação pela juventude dos postulantes, não que com o passar da idade seja muito difícil a transição do pensamento mais de esquerda para mais de direita, pois o aproximar-se da morte nunca o é sem consequências, mas sim pela justificativa usada de que tenha passado a preocupar-se com o indivíduo em substituição ao foco inicial que era a coletividade.

     Quando falamos da tão sonhada sociedade de homens livres, usufruindo igualmente da distribuição dos frutos da produção, só a podemos conceber se construída sob o alicerce sólido de homens completos, lançados para exercer a potência, capazes de se enfrentarem de igual para igual na busca do consenso, que nada mais é que a soma coletiva dos inúmeros talentos pessoais, se for para construí-la sob a forma de rebanhos estaremos criando novos candidatos à Stalin que tanto mal fez a mais importante tentativa de uma sociedade comunista, justa e igualitária.

     Lembrei-me da injusta acusação feita a Camus, a partir de sua desavença com Sartre, de um volver à direita, brilhantes ambos pensadores de esquerda desentenderam-se basicamente sobre a necessidade de seguir uma disciplina partidária apesar dos disparates autoritários acontecidos na antiga União Soviética, como se possível fosse faltar com a verdade, no intuito de salvar uma boa ideia, por meio da subtração do conhecimento de sua má execução.

     A ideia que bem define a direita é a de a titulo de mérito pessoal reservar-se o direito de parasitar outros seres humanos direta ou indiretamente, e hoje a justifica desenvolvendo toda uma filosofia conceitual de meritocracia, que esquece propositalmente das históricas diferenças de chances a que a sociedade submete todos nós, é a própria lei do acaso somado a um comportamento oportunista que descamba sempre em pré-conceito e prepotência.                             

     Desenvolver ao máximo seus talentos sempre foi uma posição igualitária, de esquerda, o que nada mais é do que uma defesa intransigente do Homem, da construção de todas suas potencialidades e de sua colocação a serviço de outros homens e da natureza, de tal maneira que os frutos da sociedade sejam igualmente partilhados por todos.


     Cresce hoje o barulho da direita pela obsolescência da necessidade de argumentar na sociedade do curtir, da falta de tempo para pensar, do escândalo da proliferação de imagens fora de contexto e contra o ruído só nos resta tapar os ouvidos, construir a partir de nós mesmos os momentos sociais de igualdade e sustentabilidade e assim exercer nossa posição de esquerda.        

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