Desculpe-me o
querido animal, que pelo que sei é bastante inteligente, mas acordei com esta
frase na cabeça “Difícil Entender, Devo Ser Muito Burro...”, bom só soprá-la
nos seus ouvidos nada significa me sinto na obrigação de explicar-lhes, é o que
farei, vamos falar de coisas que muitos dizem mortas, mas que de fato estão
mais vivas do que nunca: o conceito de esquerda e direita e suas contradições
no dia a dia.
Quando escutei em
uma conversa da qual participava o conceito de que Michel Foucault com o avançar
da idade foi se posicionando mais à direita, só pude aceitar tal afirmação pela
juventude dos postulantes, não que com o passar da idade seja muito difícil a
transição do pensamento mais de esquerda para mais de direita, pois o aproximar-se da morte nunca o é sem consequências, mas sim pela
justificativa usada de que tenha passado a preocupar-se com o indivíduo em substituição
ao foco inicial que era a coletividade.
Quando falamos da
tão sonhada sociedade de homens livres, usufruindo igualmente da distribuição
dos frutos da produção, só a podemos conceber se construída sob o alicerce
sólido de homens completos, lançados para exercer a potência, capazes de se
enfrentarem de igual para igual na busca do consenso, que nada mais é que a
soma coletiva dos inúmeros talentos pessoais, se for para construí-la sob a
forma de rebanhos estaremos criando novos candidatos à Stalin que tanto mal fez
a mais importante tentativa de uma sociedade comunista, justa e igualitária.
Lembrei-me da
injusta acusação feita a Camus, a partir de sua desavença com Sartre, de um
volver à direita, brilhantes ambos pensadores de esquerda desentenderam-se
basicamente sobre a necessidade de seguir uma disciplina partidária apesar dos
disparates autoritários acontecidos na antiga União Soviética, como se possível
fosse faltar com a verdade, no intuito de salvar uma boa ideia, por meio da
subtração do conhecimento de sua má execução.
A ideia que bem
define a direita é a de a titulo de mérito pessoal reservar-se o direito de
parasitar outros seres humanos direta ou indiretamente, e hoje a justifica desenvolvendo
toda uma filosofia conceitual de meritocracia, que esquece propositalmente das
históricas diferenças de chances a que a sociedade submete todos nós, é a
própria lei do acaso somado a um comportamento oportunista que descamba sempre
em pré-conceito e prepotência.
Desenvolver ao
máximo seus talentos sempre foi uma posição igualitária, de esquerda, o que
nada mais é do que uma defesa intransigente do Homem, da construção de todas
suas potencialidades e de sua colocação a serviço de outros homens e da
natureza, de tal maneira que os frutos da sociedade sejam igualmente
partilhados por todos.
Cresce hoje o
barulho da direita pela obsolescência da necessidade de argumentar na sociedade
do curtir, da falta de tempo para pensar, do escândalo da proliferação de
imagens fora de contexto e contra o ruído só nos resta tapar os ouvidos,
construir a partir de nós mesmos os momentos sociais de igualdade e
sustentabilidade e assim exercer nossa posição de esquerda.
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