sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Dilema da Aceitação

     Um dos temas que sempre me agradou é a questão do processo de crescimento do homem e a revolução interna permanente ao qual ele se submete por convivência com os seres vivos, independente do tipo e da característica da relação, um caso particular que me parece muito interessante é o que chamaria de dilema da aceitação, ao qual por sinal sempre estamos expostos ao ingressarmos em um grupo pré-existente de seres humanos.

     Não gostamos de portas fechadas, buscamos entradas abertas para inserção social em um tipo de específico de viver, ou em um conjunto organizado de ideias, ou em uma opção de lazer, ou que seja em qualquer coisa, na maioria das vezes não procuramos pelo tema propriamente dito e sim por necessidade de sermos aceitos em um ou vários grupos sociais, o que ocorre tanto nos ambientes físicos como nos virtuais de convivência, talvez até mais nestes últimos nos dias de hoje.

     Os agrupamentos de pessoas têm sempre um código interno, particulares são sua moral e ética estabelecidas de maneira formal ou informal, sempre resulta em cumprir as regras de parte do candidato a ser iniciado, se avançamos um pouco percebemos que a necessidade de inserção social exige do indivíduo mudanças como salvo conduto para a participação neste ou naquele time.

     As mudanças podem ser interiores ou apenas manifestações externas, independente do caso prático de uma ou outra são traumáticas por igual, se internas pelo ruído permanente que os conflitos íntimos causam no bem-estar pessoal, caso externas pelo estado de vigilância continuada com intenção de evitar trair-se em frente a todos e expor-se à rejeição.

     Quando pensamos em transformação pessoal sempre temos como motivação a nossa relação com o mundo, porém temos diferentes maneiras de vivenciá-la sendo a mais inadequada a da capitulação, isto é, me modifico por osmose de ideias de outros, aceitando como verdade minha a que não me pertence e como tal fraudando a mim mesmo. 

     De fato estamos sempre em transformação, ou seja, o problema não está no ato que é desejável e sim no processo, quando mudamos precisamos da sintonia fina com nossos mecanismos internos de ser e pensar, avançar na nossa construção pessoal é para nós tarefa única e intransferível.     

     Coroar a hipocrisia como padrão de comportamento talvez seja a escolha feita com mais constância na convivência social, quando buscamos distrair-nos da solidão e garantir aceitabilidade, com isso substituímos a desejável transparência obtida na coerência com os valores e aspirações pessoais por uma experiência menor, esta opção pela diafaneidade, mesmo que com tal postura coloquemos em risco sermos aceitos, é sempre desejável.             

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