sexta-feira, 30 de outubro de 2015

No Rastro dos Sentidos

     Não necessitamos ter afinidade com a ciência para entendermos a rede que existe entre os cinco sentidos e a mente, mas precisamos gostar de nós mesmos para tratar com carinho cada um dos movimentos internos provocados pela constante coleta de informação desses órgãos, eles trabalham incansavelmente para que possamos organizar em nós uma imagem precisa da natureza do nosso entorno.

     Permitir como fazemos quase sempre que as sensações estejam fora da percepção, administradas por controle remoto pelo inconsciente, significa sim abrir mão de nós mesmos, pouco a pouco transformamo-nos em objetos insensíveis, verdadeiros robôs que apesar de privilegiados por ter uma atividade cerebral de exceção muito mal a aproveitam.

     Uma simples rosa, nossa visão permite ver seus traços delicados com suas diferentes deslumbrantes cores, nosso olfato identifica os tons de seus cheiros, doces perfumes, nosso tato permite sentir o aveludado de suas pétalas bem como o leve rasgar dos espinhos na nossa pele, tudo isso passa de roldão, como que despercebido, ficando catalogado em nosso particular big data o qual aproveitamos muito eventualmente.

     Parar! É preciso parar, esquecer ou no mínimo contornar a velocidade das coisas, para concentrarmo-nos no momento e em suas circunstâncias, curtindo o valor que nos traz sua ação sobre nós e o seu papel transformador, conscientes de que estamos mudando, reconhecendo-nos como mutantes, com o intuito de não permanecermos o estranho que quase sempre somos para nós mesmos.

     É simplesmente espetacular e indescritível o que ocorre a partir de uma pequena sensação, nossos mecanismos internos disparam e se contrapõem com todas as sensações já vividas, com todas as reações já realizadas e as analisa em função de sensações similares, tudo isto ocorre sem que haja qualquer noção inteligível de tempo e o que é mais importante resultam deste fato múltiplas opções de atitudes a serem tomadas que nos permitem exercer o livre arbítrio.


     Meu grito hoje é por busca de tempo para nos olharmos, enxergar o suficiente com o objetivo de sermos mais gente e melhores, oportunizar que o desperdício permanente das nossas potencialidades seja evitado, que possamos extrair água da pedra, não como mágica, mas como exercício pleno de nossas capacidades, mais inteiros assim poderemos em conjunto descobrir um mundo muito melhor.                 

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