Uno é o homem equilibrado
no atender as necessidades do corpo e o espírito, a harmonia dessas duas partes
compondo um todo saudável é sobrevivência de qualidade, o que só é possível
neste contrato vital entre as individualidades onde uma respeita a outra, a
subjugação de uma pela outra desagrega a entidade gerando a decadência, juntos representam
o ilimitado e se autoalimentam crescendo em potência, a saúde da sociedade é
dependente em quantidade de seres assim estabelecidos.
Hoje a
desagregação nos chega via definição de um padrão físico e mental ao qual
devemos nos submeter, e com que força insistente se manifesta esta requisição, com
ameaça de não sermos belos, de não termos sucesso, de não sermos felizes caso
não nos moldemos pelo figurino proposto, passa sempre pela reprodução em série
de perfeitos seres humanos definidos por outrem.
Sabemos que o
criador do modelo não é alguém específico, são apenas múltiplos interesses
econômicos que necessitam manter em movimento a máquina de consumo, para tal
são investigados todos os nossos comportamentos, explorados nossos pontos
fracos, exaltados nossos pontos fortes e abusadamente construídas estratégias
de manipulação e controle, a cada dia mais apoiadas em algoritmos de análise comportamental
aplicados sobre enormes e ilegítimos armazéns de dados.
Por incrível que pareça
salvo honrosas exceções, não conseguimos enxergar o fato de que ao chegar neste
padrão sugerido, perdemos valor em vez de agregar, pois fomos feitos para
sermos diferentes em talentos e completarmo-nos uns aos outros e não apenas
mais um artigo produzido em série dentro de uma esteira padronizada de
fabricação de tolos e obedientes robôs.
Não sei por que ainda
me surpreendo se conheço a velocidade e a quantidade de ordens de comando que nos
são impingidas, sempre dentro do obsoleto esquema dual da punição e da
recompensa, onde nosso posicionamento em relação à proposta feita define ora um,
ora outro, ora prêmio, ora castigo, o certo é que perdemos a qualidade de seres
multifacetados e nos defrontamos contra o precipício entre o bem e o mal, como
se tal abismo existisse.
Que abismo está
em nossa frente? Qual é o precipício de que falamos? O da permanente
insatisfação com o que temos, pois a posse é efêmera, a inquietude humana é de
nossa natureza e deve ser atendida e incentivada, a posse não é falta de consistência
por si só, fundamenta-se em critérios de perda e ganho, se possuo me diferencio
e me iludo, pensando ser vitorioso na comparação com quem não o tem.
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