quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Desagregação de Corpo e Alma!

     Uno é o homem equilibrado no atender as necessidades do corpo e o espírito, a harmonia dessas duas partes compondo um todo saudável é sobrevivência de qualidade, o que só é possível neste contrato vital entre as individualidades onde uma respeita a outra, a subjugação de uma pela outra desagrega a entidade gerando a decadência, juntos representam o ilimitado e se autoalimentam crescendo em potência, a saúde da sociedade é dependente em quantidade de seres assim estabelecidos.

     Hoje a desagregação nos chega via definição de um padrão físico e mental ao qual devemos nos submeter, e com que força insistente se manifesta esta requisição, com ameaça de não sermos belos, de não termos sucesso, de não sermos felizes caso não nos moldemos pelo figurino proposto, passa sempre pela reprodução em série de perfeitos seres humanos definidos por outrem.

     Sabemos que o criador do modelo não é alguém específico, são apenas múltiplos interesses econômicos que necessitam manter em movimento a máquina de consumo, para tal são investigados todos os nossos comportamentos, explorados nossos pontos fracos, exaltados nossos pontos fortes e abusadamente construídas estratégias de manipulação e controle, a cada dia mais apoiadas em algoritmos de análise comportamental aplicados sobre enormes e ilegítimos armazéns de dados.

     Por incrível que pareça salvo honrosas exceções, não conseguimos enxergar o fato de que ao chegar neste padrão sugerido, perdemos valor em vez de agregar, pois fomos feitos para sermos diferentes em talentos e completarmo-nos uns aos outros e não apenas mais um artigo produzido em série dentro de uma esteira padronizada de fabricação de tolos e obedientes robôs. 

     Não sei por que ainda me surpreendo se conheço a velocidade e a quantidade de ordens de comando que nos são impingidas, sempre dentro do obsoleto esquema dual da punição e da recompensa, onde nosso posicionamento em relação à proposta feita define ora um, ora outro, ora prêmio, ora castigo, o certo é que perdemos a qualidade de seres multifacetados e nos defrontamos contra o precipício entre o bem e o mal, como se tal abismo existisse.   


     Que abismo está em nossa frente? Qual é o precipício de que falamos? O da permanente insatisfação com o que temos, pois a posse é efêmera, a inquietude humana é de nossa natureza e deve ser atendida e incentivada, a posse não é falta de consistência por si só, fundamenta-se em critérios de perda e ganho, se possuo me diferencio e me iludo, pensando ser vitorioso na comparação com quem não o tem.            

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