sábado, 24 de outubro de 2015

Pílula Dourada não é Literatura.

    Por certo é um desserviço para a humanidade um determinado tipo de escritos que circulam por opção econômica das editoras no formato de livros, infelizmente aparecem como literatura quando são apenas pílulas douradas, frases de impacto escritas com objetivos claros e específicos de preencher uma necessidade detectada de antemão, na prática, feitos por encomenda visando um público pré-existente que os consumirá.

     Na lista dos mais vendidos mais um recorde de vendas, milhares de leitores muito bem orientados pela mídia de tempo em tempo elegem um novo guru, o assunto aqui são os famosos escritos de autoajuda, temo-nos de todos os tipos para quaisquer os gostos e necessidades, produzidos em série aparecem revezando-se nas listas dos dez mais, são puro ilusionismo tipo canto da sereia que é encantado não existe.

     Quando inventariamos as vendas farmacêuticas estão lá sempre no topo os antidepressivos, os percentuais de consumo desse tipo de medicamento são altíssimos, fala-se em números tipo quarenta por cento da população adulta os consome, não encontramos sinais de diminuição e sim de aumento do consumo, manter quimicamente um equilíbrio é parte da solução, sem investir no crescimento pessoal não resolve e cria dependência.

     Imagino que lhes pareça que estou misturando alhos com bugalhos, paciência tenho motivos para associá-los, podemos começar por similitudes quanto aos usuários, iniciados no consumo poucos abandonam o hábito, também a maioria é seduzida a complementar seu uso com outro produto do mesmo perfil, são as pílulas douradas que prometem a felicidade.

     O processo é perverso funciona em espiral, parte de um incômodo pessoal, a necessidade de superá-lo, a recepção de mensagens com promessa de felicidade eterna, a adoção do remédio ou do livro como descoberta de caminho, a euforia e o entusiasmo inicial do seu consumo, a frustração por descumprimento de função, e estamos de volta ao ponto de partida: o incômodo pessoal...

     Não considero correto misturar literatura com a indústria de produção de livros, descobrir uma estória com seus personagens, comportamentos, encadear situações, prender a atenção por cada parte e pelo todo, isso é escrever um livro, isso é literatura, porém aproveitar-se do conhecimento que temos de que pessoas em números expressivos têm necessidade de resolver seus problemas de autoestima, equilíbrio pessoal e publicar escritos para iludi-los são apenas negócios, acredito no viver a leitura de um livro e não no consumir uma sequência de frases motivacionais.  

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