Por certo é um
desserviço para a humanidade um determinado tipo de escritos que circulam por
opção econômica das editoras no formato de livros, infelizmente aparecem como
literatura quando são apenas pílulas douradas, frases de impacto escritas com
objetivos claros e específicos de preencher uma necessidade detectada de
antemão, na prática, feitos por encomenda visando um público pré-existente que
os consumirá.
Na lista dos mais
vendidos mais um recorde de vendas, milhares de leitores muito bem orientados
pela mídia de tempo em tempo elegem um novo guru, o assunto aqui são os famosos
escritos de autoajuda, temo-nos de todos os tipos para quaisquer os gostos e
necessidades, produzidos em série aparecem revezando-se nas listas dos dez mais,
são puro ilusionismo tipo canto da sereia que é encantado não existe.
Quando
inventariamos as vendas farmacêuticas estão lá sempre no topo os
antidepressivos, os percentuais de consumo desse tipo de medicamento são
altíssimos, fala-se em números tipo quarenta por cento da população adulta os
consome, não encontramos sinais de diminuição e sim de aumento do consumo,
manter quimicamente um equilíbrio é parte da solução, sem investir no
crescimento pessoal não resolve e cria dependência.
Imagino que lhes
pareça que estou misturando alhos com bugalhos, paciência tenho motivos para
associá-los, podemos começar por similitudes quanto aos usuários, iniciados no
consumo poucos abandonam o hábito, também a maioria é seduzida a complementar seu
uso com outro produto do mesmo perfil, são as pílulas douradas que prometem a
felicidade.
O processo é
perverso funciona em espiral, parte de um incômodo pessoal, a necessidade de
superá-lo, a recepção de mensagens com promessa de felicidade eterna, a adoção
do remédio ou do livro como descoberta de caminho, a euforia e o entusiasmo
inicial do seu consumo, a frustração por descumprimento de função, e estamos de
volta ao ponto de partida: o incômodo pessoal...
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