segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Caminhante Solitário Social

     O que temos não é uma frase solta, tampouco estamos desenhando e encadeando palavras, é em verdade um conjunto de metas que pretendem nortear este momento pessoal, embora possam ser também aderentes a outros espaços de tempo em minha vida, eventualmente terem caracterizado desde sempre minha existência, hoje gostaria de facilmente ser visto por esses sinais definidores e assim identificado por quem tivesse vontade de fazê-lo, muito prezo a sensação de prazer do movimento, o gosto de estar comigo mesmo e sempre ver os outros em seu lado talentoso.

     A opção pelo movimento que mostra o caminhante destacado no título, alimenta-se do prazer enorme que sinto ao observar a panorâmica móvel de trezentos e sessenta graus de meu entorno enquanto me desloco, visualizo os locais e suas pessoas seus seres vivos suas coisas, todos sempre me trazendo quantidade e qualidade de recados importantes tanto estéticos como intelectuais, me delicio com eles explorando em mim as mais diversas sensações o que realça a importância dos sentidos, e variadas ideias dando peso à importância do pensar, é no próprio movimento que me dedico a construir textos, me dá prazer elaborá-los em pleno deslocamento, por longo tempo  fico ruminando-os até encorajar-me a representá-los em escritos sendo que muitos, em outro momento,  transformam-se em postagens neste blog.

     Já o termo espremido entre o primeiro e o último, solitário, é a própria preocupação com o existir, não se explica não se justifica é apenas uma constatação por si mesmo, e se não consigo torná-lo compreensível no mínimo o tenho muito presente na constância com que o trabalho em mim, não me é muito importante se de fato o que sou é real, talvez seja apenas imagem projetada de algum sonhador que por sua vez bem poderia ser resultado de outro sonho sonhado, ser solitário é o tempo que tenho para mim e o divido com o imaginário de outros que também tiveram seu tempo nos livros, nos filmes e nas imagens que vejo.

     Social, sim me importa muito a leitura das pessoas e seus talentos que comigo cruzam, para elas dirijo as atenções do meu olhar, do meu cheirar, do meu escutar, esses três sentidos se destacam, pois os outros dois, o saborear e tatear, são aproximações perigosas que o bom senso exige evitar e guardar para momentos especiais, gosto de um bom dia solene e vigoroso seguido de algumas sentenças funcionais o que sempre é uma espécie de proteção à aproximação exagerada, busco evitar o receber e fazer confidências que nos arrastam para o envolvimento.


     Conheço por demais minhas fraquezas, manter os mecanismos de proteção é defender minha saúde física e mental, sou presa fácil das redes que os encontros propiciam por isso a distância premeditada, preciso muito cuidar do entender-me tenho muitas coisas a explorar em mim e admito já perdi muito tempo distraindo-me com relações onde além de não poder nada entregar de curtir-me esquecia.                       

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