quinta-feira, 30 de abril de 2015

Perdi meu Lugar na Terra

        Bom, não sei quem é o guardião da terra, porém quando bati nessa porta para acessar a mesma, assim como tinha acontecido no céu, também recebi um solene não, não havia lista nenhuma com meu nome nesse local, deduzo que se tornou impraticável para seres humanos a presença no planeta terra graças ao que chamamos de civilização.

     Vejamos algo simples, estou caminhando na rua e você também, nos aproximamos passo a passo, um observa que é observado observando o outro, duas almas milhares de conjunturas, sim pela minha cabeça passam muitas alternativas, muitas hipóteses o mesmo ocorre com você, na prática sempre encontrando motivos para abortar a aproximação e dificuldades para realizar um possível contato, quando bem o sabemos o Natural comportamento humano seria de imediato relacionarmo-nos.

     Perdemos a naturalidade da existência para trocá-la por uma multidão de construções mentais de interdição, temos sinal vermelho para tudo, antes de estabelecermos uma relação direta estamos trabalhando milhares de hipóteses e o que mais nos interessa perde-se nessas reflexões, estamos mais preocupados com as justificavas do que com o ser.

     Cara, onde ficou a atitude pessoal verdadeira, aquela que nos leva a nos aproximarmos de outrem com o nosso jeito de ser e não com o que o que criamos para mostrar, por isso é que digo que me falta pé, não existe espaço na terra para mim, apenas um mundo irreal imaginário onde convive um eu inventado, somos hoje uma ficção criada com o intuito de parecermos reais, organizados e adaptados como realmente assim o deseja a civilização que também criamos.

     Quero sim adentrar no planeta terra, no planeta real e conversar com pessoas e não fantasmas dessas, não caricaturas de seres humanos incapazes de ousar ser, simplesmente aparentam algo que inventaram para si mesmos por obra de reflexões feitas por terceiros e regras filosóficas a serem executadas por todos, caso desejem participar desse simulacro de terra que inventaram.     

     É hoje completamente impossível, simplesmente olhar para alguém, aproximar-se, contatá-lo, tocá-lo, ou seja, estabelecer uma relação direta ligada à necessidade natural do ser humano sem uma série de estratégias, um jogo de ambas as partes com justificativas e suas contrapartidas, quando tão simples seria uma aproximação e não uma guerra de interpretação das várias intenções para um nunca chegar ao objetivo.

     Quero meu passe à Terra, é um direito natural, em nada me interessa essa fantasia que me condenam a participar, não tem porque me subordinar a regras que não se justificam por si mesmas a não ser pela imaginação fértil de alguém.

     Quando alguém colocou uma cerca num pedaço de terra ou em um conjunto de pessoas e disse “isso é meu”, transformou uma mentira em injustiça real e é desse mundo fantasmagórico que não me interessa participar, prefiro estar só comigo mesmo a me condenar ao eterno mentir para mim mesmo.      

Nenhum comentário:

Postar um comentário