Começa o dia com
a chaleira chiando, motivo? O espetáculo inglório esquentar a água para o coador
festejar o café que o bule recebe prazeroso esse último reclama de supetão o
esvaziar-se do precioso líquido em benefício do copo térmico, que por sua vez vangloria-se
de ser ele e tão somente ele a sair comigo até o pátio do condomínio onde
consumo o seu conteúdo tendo como parceiro inseparável o fumar de uma
cigarrilha e a organização mental necessária para decidir, para pensar.
No quarto o
chinelo batia pé furioso, nunca podia fazer um passeio mais longo, nunca estava
liberado para sair do portão do condomínio, enquanto ele bem o sabia que o
tênis por quem estava sendo trocado nesse momento, assim como ocorria todas as
manhãs, dava quatro voltas no traçado quase plano do Iguatemi em minha
companhia, tudo bem! Às vezes era na rota em aclives e declives do parque
Germânia onde temos um ar mais puro o que apenas lhe provocava ampliar a inveja,
quase sempre caminhando são escritas minhas postagens na memória para futura
edição.
Caso possuísse
relógio, estaria quase na hora de bater o aviso de duas horas após o despertar,
fim da caminhada novamente em casa e aquele alvoroço na cozinha, em frenesi
trafegam os componentes do futuro desjejum entre o gelado refrigerador e o
quente fogão, tomo meu suco enquanto movimenta-se a frigideira, o prato, o copo,
os talheres cada qual querendo ser mais útil na preparação dos ovos mexidos com
seus fiambres e múltiplos queijos, sendo poucos os objetos da cozinha reclamam
todos do seu excessivo uso, tudo termina como descrevo nos próximos atos,
primeiro sentado na cama a alimentar-me e segundo limpar os utensílios na pia
eliminando todas as pistas do acontecido.
Lacrimejam as
toalhas cansadas de se molhar todas as manhãs, a pequena por meu tique maníaco de
várias vezes lavar as mãos e a grande por causa do volume do corpo e comprimento
do cabelo que hoje me caracterizam, seu alento é que estão mais molhadas somente
as roupas de baixo, cueca e meias, que por hábito são lavadas durante o banho,
sempre que posso o tomo frio com água na temperatura normal o que me deixa mais
atento a mim mesmo.
Ritual feito eu estou
pronto por mais um dia a exercer a vocação de conviver com os outros, quanto
mais simplifico minha vida, menos necessito e o pouco que tenho torna-se
importante por sua repetida presença, me apego aos objetos por me serem úteis e
só aos que o são, me apego aos movimentos por me serem saudáveis, me apego à
oportunidade de pensar por mim mesmo por me libertar.
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