sexta-feira, 10 de abril de 2015

Múltiplos Caminhos um Processo

    O Projeto do ser humano adulto cresce no pensamento infantil à medida que esta criança vai avançando para a adolescência, em sua infância adivinha o futuro acalentando as situações futuras por vivenciar, isso ocorre em conformidade com o ambiente de convivência social que lhe é imposto e certamente influenciará em suas futuras escolhas.

     Igreja Católica, eu era um sacristão (ajudante de missa) desastrado quebrando Galheta, não lembro se a da água (o povo) ou a do vinho (a divindade), alimentando um sonho de criança em ser padre quando crescer.

     Teco-teco, o piloto e eu dentro do pequeno avião em voo vulgarmente chamado de parafuso, isto é girando de cabeça apontada para o chão, qual a ideia? Assustar-me, qual o resultado? Encantaram-me, então ser piloto era meu novo desejo de vida futura.      

     Televisão, uma antena no alto de um tronco de eucalipto e um aparelho em casa lá no interior do nosso Rio Grande do Sul era um dos primeiros da cidade, minha grande facilidade com a matemática, um mundo de construções, eletrônica com novos sinais aparecendo por todos os lados, indústria com suas máquinas sofisticadas só podiam despertar e fazer crescer a vontade de ser engenheiro.     

     Ser padre era a força da família católica presente que somada aos amigos de origem alemã, que se não eram católicos eram luteranos praticantes, isso com o passar do tempo determinou minha participação na pastoral de juventude, na luta contra a ditadura, no engajamento como ser político, em encontrar minhas verdades e minhas paixões por ler, escrever, teatro e cinema focando forte na filosofia, sociologia e psicologia.

     Ser piloto de avião manifestou-se na minha vocação de nômade, aparecia já na paixão pelos riscos desde a aventura de teco-teco, sempre gostei de estar com o pé na estrada, adolescente mochila nas costas, no tempo de executivo trabalho com viagens constantes e hoje decididamente um caminhante, como qualquer navegante nunca deixei de ter um porto seguro para mirar, para imaginar poder voltar, mesmo que pouco lá estivesse.

     Ser engenheiro, todos os caminhos apontaram para esse destino, não o engenheiro da mecânica, eletrônica ou civil, mas o engenheiro da lógica, dos processos, da tecnologia da informação, felizmente juntando o gostar e o como sobreviver, o que tira um pouco a carga do modelo consumista em que vivemos.

     Processo único com seus múltiplos caminhos paralelos concretiza no dia a dia pelo processo de decisão o assumir e transformar dos sonhos acalentados desde sempre, à medida que aumentava o conhecimento das coisas e das pessoas os vários “eu” modelavam o que hoje sou. 

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