Você vai dizer
Mutantes de novo! Nada a ver e tudo ser, adolescente curtia essa sensação em
paixões de minuto envolvendo todo meu ser, essa história de não sentir os pés
no chão, de fato via-me de fora completamente envolvido dessa coisa tão nossa
que é se entregar à vida em seu estado de pura emoção e olhava com os olhos da
razão e achava bom.
Embaixo da máscara de oxigênio, esse em seu
volume máximo, o ritmo do corpo em busca da vida, por certo não havia decisão
racional, por certo não havia espírito a comandar o corpo e sim uma vontade só
física de absorver o ar no ritmo do desespero que exige vida, o compasso das
necessidades do coração bombeiam a vida por todas as artérias em luta inglória,
porém incessante contra a morte.
Essa intensidade
que podia tomar conta por inteiro da gente naqueles tempos, pouco se explicava
também, lembro-me bem que agarrava qualquer momento de vida sem barreiras, sim
freios não os havia, sempre a busca do tête-à-tête como que respondendo ao
instinto de completar-se com o outro, claro andávamos aos bandos, porém sempre
direcionados a encontrar mais e mais momentos de dois a dois realizarmos o
objetivo da criação.
Não me contive a
apenas olhar o ritmo deste respirar, passei a tentar imitá-lo, aspirar e
expirar o ar no mesmo intervalo de tempo, como que querendo sentir essa
necessidade física de viver, deixar o meu corpo embalar-me no ritmo da vida que
eu ali via, vendo e repetindo observava o rosto todo deformado dedicado por
inteiro a ter todo o ar que necessitava e só pensava como é forte o instinto de
sobreviver.
Tomado pela
alegria do encontro reproduzia todas as alterações que bem o conhecemos, face
rubra, um quase tremer, respiração mais forte, um bater rápido do coração, sim
o sabia são um monte de hormônios que tal qual rios abertos circulavam
internamente no corpo, e um esforço enorme para dizer as palavras certas, como
se alguma palavra pudesse ter qualquer força sobre o que era acima de tudo
manifestação de dois corpos que se atraiam como se imãs fossem.
Em frente à cama
no hospital, estava claro que para ela, nada, nem ninguém interessava, tudo era
concentrado no grande esforço de viver, se parasse de respirar todos os mecanismos
iniciados dessa luta travada célula a célula contra múltiplas infecções não
mais seriam alimentadas pelo sangue oxigenado e o calor
interno do corpo desaparece pela imobilidade da circulação, só parar um minuto
de respirar e tudo se acaba, fica um corpo rígido e gelado.
Compreendo bem, que
o corpo e espírito são mecanismos do ser humano que trabalham no conceito
horizontal, em cooperação, sem ordem de comando por parte de nenhum dos dois e
quando funcionam bem juntos refletem o que costumeiramente definimos como
estado de felicidade que tem como sinônimo mais forte o termo vida.
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