sábado, 4 de abril de 2015

Ando Meio Desligado...

     Você vai dizer Mutantes de novo! Nada a ver e tudo ser, adolescente curtia essa sensação em paixões de minuto envolvendo todo meu ser, essa história de não sentir os pés no chão, de fato via-me de fora completamente envolvido dessa coisa tão nossa que é se entregar à vida em seu estado de pura emoção e olhava com os olhos da razão e achava bom.

     Embaixo da máscara de oxigênio, esse em seu volume máximo, o ritmo do corpo em busca da vida, por certo não havia decisão racional, por certo não havia espírito a comandar o corpo e sim uma vontade só física de absorver o ar no ritmo do desespero que exige vida, o compasso das necessidades do coração bombeiam a vida por todas as artérias em luta inglória, porém incessante contra a morte.

     Essa intensidade que podia tomar conta por inteiro da gente naqueles tempos, pouco se explicava também, lembro-me bem que agarrava qualquer momento de vida sem barreiras, sim freios não os havia, sempre a busca do tête-à-tête como que respondendo ao instinto de completar-se com o outro, claro andávamos aos bandos, porém sempre direcionados a encontrar mais e mais momentos de dois a dois realizarmos o objetivo da criação.

     Não me contive a apenas olhar o ritmo deste respirar, passei a tentar imitá-lo, aspirar e expirar o ar no mesmo intervalo de tempo, como que querendo sentir essa necessidade física de viver, deixar o meu corpo embalar-me no ritmo da vida que eu ali via, vendo e repetindo observava o rosto todo deformado dedicado por inteiro a ter todo o ar que necessitava e só pensava como é forte o instinto de sobreviver.

     Tomado pela alegria do encontro reproduzia todas as alterações que bem o conhecemos, face rubra, um quase tremer, respiração mais forte, um bater rápido do coração, sim o sabia são um monte de hormônios que tal qual rios abertos circulavam internamente no corpo, e um esforço enorme para dizer as palavras certas, como se alguma palavra pudesse ter qualquer força sobre o que era acima de tudo manifestação de dois corpos que se atraiam como se imãs fossem.

     Em frente à cama no hospital, estava claro que para ela, nada, nem ninguém interessava, tudo era concentrado no grande esforço de viver, se parasse de respirar todos os mecanismos iniciados dessa luta travada célula a célula contra múltiplas infecções não mais seriam alimentadas pelo sangue oxigenado e o calor interno do corpo desaparece pela imobilidade da circulação, só parar um minuto de respirar e tudo se acaba, fica um corpo rígido e gelado.   

     Compreendo bem, que o corpo e espírito são mecanismos do ser humano que trabalham no conceito horizontal, em cooperação, sem ordem de comando por parte de nenhum dos dois e quando funcionam bem juntos refletem o que costumeiramente definimos como estado de felicidade que tem como sinônimo mais forte o termo vida.             

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