Já se passaram
mais de cem anos desde que Leon Tolstoi escreveu a qualificada novela "A
morte de Ivan Ilitch", relendo-a não consegui esconder o meu encantamento com
uma das mais belas novelas já escritas, sua profunda reflexão sobre a qualidade
da vida no ponto de vista de quem está em seus últimos momentos, com a
reconsideração por parte de Ivan do que sempre lhe parecia correto, sensato,
honesto e agora lhe dava apenas a sensação de ausência de valor.
Entre tantas
frases encontramos lindíssimas pérolas, em particular por sua aplicabilidade
nos dias de hoje escolhi esta para discutir com vocês e assim a reproduzo:
- "Filho de
um oficial cuja carreira em Petersburgo em vários ministérios e departamentos
era daquelas que conduzem as pessoas a postos dos quais, em razão de seu longo
tempo de serviço e da posição alcançada não podem ser demitidas - embora seja óbvio que não possuem o menor talento para qualquer
tarefa útil, pessoas para as quais cargos são especialmente criados, os quais,
embora fictícios, pagam salários que nada têm de fictícios e dos quais elas
continuam vivendo o resto da vida”.
Talento é
conseguir exprimir uma ideia com clareza, bem construída do ponto de vista
literário e que supere os limites do tempo, mantendo-se tão atual quanto o foi
em sua época, esta qualificação não faltou a esse grande escritor russo, era um
sonhador, visionário no sentido de abraçar a esperança e trabalhar na sua
construção todos os dias, por certo curtiu os dissabores da incompreensão,
inclusive dos familiares, porém nunca abriu mão de colocar para o mundo os seus
ideais de justiça usando a lucidez dos seus pensamentos e buscando sempre um
patamar mais alto para a humanidade.
O assunto expresso
nessa frase é de extrema relevância no Brasil, inclusive talvez até possamos
estender esta importância a outros países debito o talvez apenas na conta de
não participar do dia a dia destes países, hoje inventamos posições de trabalho
com intuito de apadrinhar diferenças sociais, em lugar de ocuparmos as pessoas em
atividades capazes de criar mais valia para a humanidade as encaminhamos a produzir
com o único objetivo de beneficiar alguns em detrimento de muitos.
Como efeito
colateral provocado pela falta de talento, pois a incompetência não abre mão de
consequências desastrosas, adicionamos injustiça social aos desmandos do
exercício de poder em que se submete a sociedade, graças à delegação do poder a
pessoas inábeis, assim me identifico ao ideário desse escritor e não consigo
associar nenhum valor ao trabalho que não resulte em acumular benefícios
sociais e felicidade para a humanidade como um todo.
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