sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma Pérola Linda e Eterna

     Já se passaram mais de cem anos desde que Leon Tolstoi escreveu a qualificada novela "A morte de Ivan Ilitch", relendo-a não consegui esconder o meu encantamento com uma das mais belas novelas já escritas, sua profunda reflexão sobre a qualidade da vida no ponto de vista de quem está em seus últimos momentos, com a reconsideração por parte de Ivan do que sempre lhe parecia correto, sensato, honesto e agora lhe dava apenas a sensação de ausência de valor.

     Entre tantas frases encontramos lindíssimas pérolas, em particular por sua aplicabilidade nos dias de hoje escolhi esta para discutir com vocês e assim a reproduzo:

     - "Filho de um oficial cuja carreira em Petersburgo em vários ministérios e departamentos era daquelas que conduzem as pessoas a postos dos quais, em razão de seu longo tempo de serviço e da posição alcançada não podem ser demitidas - embora seja óbvio que não possuem o menor talento para qualquer tarefa útil, pessoas para as quais cargos são especialmente criados, os quais, embora fictícios, pagam salários que nada têm de fictícios e dos quais elas continuam vivendo o resto da vida”.

     Talento é conseguir exprimir uma ideia com clareza, bem construída do ponto de vista literário e que supere os limites do tempo, mantendo-se tão atual quanto o foi em sua época, esta qualificação não faltou a esse grande escritor russo, era um sonhador, visionário no sentido de abraçar a esperança e trabalhar na sua construção todos os dias, por certo curtiu os dissabores da incompreensão, inclusive dos familiares, porém nunca abriu mão de colocar para o mundo os seus ideais de justiça usando a lucidez dos seus pensamentos e buscando sempre um patamar mais alto para a humanidade.  

     O assunto expresso nessa frase é de extrema relevância no Brasil, inclusive talvez até possamos estender esta importância a outros países debito o talvez apenas na conta de não participar do dia a dia destes países, hoje inventamos posições de trabalho com intuito de apadrinhar diferenças sociais, em lugar de ocuparmos as pessoas em atividades capazes de criar mais valia para a humanidade as encaminhamos a produzir com o único objetivo de beneficiar alguns em detrimento de muitos.


     Como efeito colateral provocado pela falta de talento, pois a incompetência não abre mão de consequências desastrosas, adicionamos injustiça social aos desmandos do exercício de poder em que se submete a sociedade, graças à delegação do poder a pessoas inábeis, assim me identifico ao ideário desse escritor e não consigo associar nenhum valor ao trabalho que não resulte em acumular benefícios sociais e felicidade para a humanidade como um todo. 

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