Frente à tela
branca, lá na PF Gastal, quando no píer arma-se um balé a dois refletindo o
nascer de um amor impossível, escorreu um pequeno rio de lágrimas de meus
olhos, o que não me impedia de ver o que já tinha lido, expressava não alegria,
nem tristeza, e sim a emoção que as imagens provocavam em minha alma, era o
filme Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchiali, cineasta francês realizado em
2014, ou seja, cento e sessenta e seis anos depois da publicação do conto
original.
Saí correndo do
cinema em direção ao meu apartamento, lá de imediato a busca da caixa onde
guardo meus livros, era tempo de comprometer meus próximos passos, sim fiz uma
pausa na leitura do maravilhoso livro com depoimentos do cineasta português
Manoel de Oliveira para reler Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, que em 1848
escreveu esse conto depois de uma desilusão amorosa do então jovem escritor.
Curiosamente o
diretor trabalhou o filme expressando-se com o mesmo pensamento artístico no
qual orientava os seus filmes Manoel de Oliveira, pouco movimento de câmera, o
ator valorizado em sua personificação do personagem, as combinações de luz e da
sua falta, os ângulos fotografados dos rostos a mostrar os sentimentos de cada
fala, a beleza do cenário, os diálogos valorizados pelo conteúdo da escrita
original e, principalmente, a expressão de todo o sentimento presente no livro
o que deixa transparecer uma admiração do cineasta pelo escritor.
O livro é de
poucas páginas, mas para nos mostrar tudo o que nossa imaginação enxerga ao
lê-lo e o que vivemos emocionalmente durante sua leitura, uma hora e meia de
filme poderia ser multiplicado por dez, disso não tenho dúvidas, passa por aí a
grande qualidade do diretor que conseguiu trazer para os dias de hoje a pureza
de sentimentos que tão bem expressa o livro dos seus personagens.
Amigos, missão
cumprida. Não poderia depois do filme visto, deixar de reler o livro e
principalmente não me perdoaria se não contasse esta experiência vivida nas últimas
vinte quatro horas para vocês, agora posso voltar a ler os pensamentos do
grande cineasta português que filmou até sua morte aos cento e oito anos sempre
com muita clarividência o homem e a sociedade com destaque para uma honestidade
para consigo mesmo manifestada em todas as suas obras.
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