domingo, 19 de abril de 2015

Noites Brancas, sua Leitura em Imagens.

     Frente à tela branca, lá na PF Gastal, quando no píer arma-se um balé a dois refletindo o nascer de um amor impossível, escorreu um pequeno rio de lágrimas de meus olhos, o que não me impedia de ver o que já tinha lido, expressava não alegria, nem tristeza, e sim a emoção que as imagens provocavam em minha alma, era o filme Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchiali, cineasta francês realizado em 2014, ou seja, cento e sessenta e seis anos depois da publicação do conto original.

     Saí correndo do cinema em direção ao meu apartamento, lá de imediato a busca da caixa onde guardo meus livros, era tempo de comprometer meus próximos passos, sim fiz uma pausa na leitura do maravilhoso livro com depoimentos do cineasta português Manoel de Oliveira para reler Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, que em 1848 escreveu esse conto depois de uma desilusão amorosa do então jovem escritor.

     Curiosamente o diretor trabalhou o filme expressando-se com o mesmo pensamento artístico no qual orientava os seus filmes Manoel de Oliveira, pouco movimento de câmera, o ator valorizado em sua personificação do personagem, as combinações de luz e da sua falta, os ângulos fotografados dos rostos a mostrar os sentimentos de cada fala, a beleza do cenário, os diálogos valorizados pelo conteúdo da escrita original e, principalmente, a expressão de todo o sentimento presente no livro o que deixa transparecer uma admiração do cineasta pelo escritor.

     O livro é de poucas páginas, mas para nos mostrar tudo o que nossa imaginação enxerga ao lê-lo e o que vivemos emocionalmente durante sua leitura, uma hora e meia de filme poderia ser multiplicado por dez, disso não tenho dúvidas, passa por aí a grande qualidade do diretor que conseguiu trazer para os dias de hoje a pureza de sentimentos que tão bem expressa o livro dos seus personagens.


     Amigos, missão cumprida. Não poderia depois do filme visto, deixar de reler o livro e principalmente não me perdoaria se não contasse esta experiência vivida nas últimas vinte quatro horas para vocês, agora posso voltar a ler os pensamentos do grande cineasta português que filmou até sua morte aos cento e oito anos sempre com muita clarividência o homem e a sociedade com destaque para uma honestidade para consigo mesmo manifestada em todas as suas obras.      

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