sábado, 18 de abril de 2015

Um Novo Dostoievski Sempre

     Memórias da Casa dos Mortos, envolvido por suas páginas, como se fosse minha primeira vez, a cada releitura o percebo em sua força psicológica como um escritor totalmente inovador, na minha passagem pelos personagens outros detalhes, outras sensações e a qualidade de sempre.

     A cada dia constato o quão óbvio é o motivo para que tantos escritores o tenham como inspirador de suas obras, particularmente os que querem encontrar um caminho novo de vislumbre ao âmago das pessoas, nesse livro em especial ele consegue refletir todo um espectro de almas humanas, que apesar de submetidas ao confinamento que as humilha e fragiliza, a essência como ser humano impõe-se com a força que só o homem pode ter.

     Experiência vivida, pois esteve na Sibéria preso, conseguiu mostrar-nos sua grande sensibilidade no entendimento do caráter humano, não uma imagem fantasiosa focada em bons e maus e sim homens inteiros com suas falhas de caráter e suas preciosidades de alma compostas em um ser único, nem bom, nem mau, mas sim homem.

     Não abrindo mão de exercer uma crítica persistente em todo o livro ao descalabro que é uma prisão, sua falta completa de solução para o problema das fraquezas humanas, a tendência à prepotência sádica de seus administradores e definindo essa solução como um agravante na formação da personalidade já degradada do preso.

     A valorização da vida, como o verdadeiro paraíso, talvez seja um dos maiores legados que ele nos deixou sendo possível que essa revelação lhe tenha ocorrido no momento em que descobriu sua conversão do status de condenado à morte para o status de prisioneiro na Sibéria, sabemos que essa informação ele só a recebeu no último momento antes de sua programada execução, praticamente em frente dos carrascos.


     Por isso não me privo de reler sempre que posso suas obras, pois sempre me trazem o frescor da novidade, apesar de serem os mesmos textos, as mesmas palavras eu como leitor, em meu estado de espírito do momento, não sou o mesmo e valorizo novos aspectos nunca antes percebidos e especialmente adequados às perguntas que estão nesta hora me seduzindo.   

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