segunda-feira, 30 de junho de 2014

Da Prostituição

     Relendo Vitor Hugo, não tenho dúvidas, todos vocês já se detiveram um olhar por seus livros, em sua obra prima "Os Miseráveis", não é necessário sair do prólogo para ver a característica de toda obra, isso lá no século XIX ele afirma que o mundo melhor depende da solução de três problemas:

     "A degradação do Homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome e a atrofia da criança pela ignorância".

      Se ele vivesse hoje, como bom francês diria "merde", estamos no século XXI e além de não os solucionarmos o que conseguimos foi agravar, pois continuamos a impor ignorância como oportunidade de dominação ampliou-se a degradação do homem estabelecendo uma moral que escraviza e principalmente ampliamos o conceito da prostituição, hoje não falamos da mulher, mas da prostituição do ser humano, homens e mulheres, pela fome de alimentos para o corpo e para a alma essa última atrofiada por uma mensagem subliminar de consumo.

     Em minhas andanças por aí, tive muitas oportunidades de conviver com a noite e com seu principal serviçal, a prostituta, que não se enganem não é a protagonista e sim a operária dessa indústria, não o fiz em busca da carne, mas em busca de companhia de partilhar momentos com o ser humano, tive oportunidade de acompanhá-las no pós-trabalho onde vivem suas vidas reais, prolongar conversas, partilhar seus fins de noite, ter amizade e camaradagem.

      Admito todos os pensamentos em contrário, mas confesso em nenhum momento vi algo diferente como motivação para a opção de vida dessas moças do que a fome tão bem colocada por Vitor Hugo, e vou mais adiante essa mesma fome dirige hoje a vida de homens e mulheres na maioria das opções que tomam na vida.

     Por óbvio, não estamos falando de apenas pão e água, estamos falando desta fome de consumo tão bem trabalhada pelas estruturas que detêm o poder, e em nada vejo de diferente as motivações usadas como desculpa no resto da sociedade para submissão do que as que me apresentavam as gurias chamadas de vida fácil.


     Estamos falando de pouco mais de dois séculos e nada de rompermos essa cadeia, precisamos com urgência libertarmo-nos, espalhar a luz do saber, combater a escravidão e eliminar a fome que nos prostitui.        

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