segunda-feira, 9 de junho de 2014

Regressão de Corpo e Alma - Primeira infância

     Atento as suas lembranças percebi um espaço importante para dedicar minhas análises, pois à medida que iam aparecendo características físicas que permitem a independência pessoal, e o defrontar-se com o outro, teríamos amplo material para discutir.

     Cedo foi para o jardim de infância na escola luterana, é assim que chamavam a pré-escola naquela época, só descobriram que ele tinha se alfabetizado quando se instalou na cidade uma escola católica, como bons católicos trocaram-no de jardim, para surpresa de todos na primeira noite apareceu em casa a freira mandando o guri ler para os pais um livro, tinha que ir para o primeiro ano era seus cinco anos e sabia ler.

     Surpreso o vi lembrar-se principalmente do seu mundo noturno, suas noites na cama, começando por em sua imaginação armar verdadeiros exércitos, os amigos e inimigos e espalhá-los por toda a terra, contando-se a si mesmo estórias fantásticas, mas a imaginação não era tudo, dedicava-se a explorar sua sexualidade rolando-o sobre a perna, vivendo aquela sensação gostosa, até sentir um pinicão era ainda incapaz de produzir esperma, passo seguinte o sonho de sempre com cobras e aranhas, preanunciando talvez o bem sucedido Raul Seixas.

     Viu-se uma tarde deslizando pelo chão do seu quarto, para que sua mãe não o visse da cama dela, ela deixava a porta aberta para cuidá-lo em seu quarto, e passando pela janela basculante da cozinha em direção à tão sonhada liberdade da rua.        

     Inquieto, contou-me que uma determinada manhã viu seu pai despedir-se para ir a uma cidade vizinha a serviço, depois de ver negado seu pedido para acompanhá-lo, enquanto o pai saia pela porta da frente ele pela porta dos fundos correu a esconder-se no primeiro ônibus que viu, lá no fundo, atrás do último banco então se multiplicaram durante o dia as cenas:

     - Era procurado por todos os lugares, nos pátios, nas praças, nos poços da cidade onde vivia.
     - Na chegada do ônibus no seu destino uma viajante o reconheceu quando ele estava a caminho do primeiro trem que passava próximo da rodoviária.
     - A senhora o reteve durante o dia em sua companhia, enchendo-o de chocolate, para acalmá-lo, até sua volta.
     - Obviamente quando voltou o pai, que já tinha retornado, esperava-o com uma surra bem programada, na época ainda era politicamente aceitável, apanhar do pai, o que em realidade nunca o magoou.    


     Bom senhores vamos somando e vamos ver aonde chegamos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário