Sempre
trabalhei, e nunca acreditei no trabalho, de pequeno por ser muito ativo
comecei apagando fichas de lançamentos bancários, assim puderam ocupar-me,
depois entrando na adolescência passei a ser controlador de uma obra, terminada
a mesma fui dono de bar de colégio, alugado do colégio marista onde estudava, em
continuidade trabalhei em uma fábrica caseira de mata mosquitos, engarrafando,
rotulando e empacotando vidros de inseticida, foram essas últimas as minhas
atividades entre os 10 e 16 anos, além de estudar e participar de comunidades
como escoteiros entre outras, essas atividades me permitiam ter acesso a
algumas coisas que só o dinheiro podia liberar.
OK, eu cresci
então entrei no mercado oficial de trabalho com carteira assinada e tudo mais, em
outras palavras o trabalho simplesmente sempre fez parte do meu viver e de
certa maneira sempre razoavelmente bem-sucedido, o que não significa que em
algum momento pus alguma fé nele, apenas adaptei-me a sua
existência e necessidade.
Inevitável foi
optar por buscar trabalho por conta depois da experiência como empregado,
consegui conviver com cinco empresas, sempre com a dicotomia de sair-me bem,
ser reconhecido e sentir-me não ajustado à estrutura e hierarquia nisso consumi
dezesseis anos de minha vida, consequência lógica passei a trabalhar à minha
maneira.
Pensei assim
estar com o problema resolvido, eu era a empresa, porém me passou despercebido
o óbvio a empresa vive em uma coletividade de empresas, governos, associação,
onde os problemas repetem-se pela definição de sociedade que temos.
O problema não
passa pelo trabalho em si e sim por uma construção que elege o trabalho como
forma de poder, onde mais do que buscarmos frutos, estamos preocupados em
manipular pessoas mantendo-as ocupadas e dentro de nosso mando, dentro de nossa
influência, definindo hierarquias e dominação.
Acredito sim em
uma sociedade de trocas onde a coletividade produz para o todo, agregando então
felicidade pelo fato de produzir, valorizando o trabalho como manifestação
pessoal a serviço do bem comum, mas parece que com o passar dos dias mais e
mais estamos nos afastando desse ideal.
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