sexta-feira, 27 de junho de 2014

Do Trabalho

    Sempre trabalhei, e nunca acreditei no trabalho, de pequeno por ser muito ativo comecei apagando fichas de lançamentos bancários, assim puderam ocupar-me, depois entrando na adolescência passei a ser controlador de uma obra, terminada a mesma fui dono de bar de colégio, alugado do colégio marista onde estudava, em continuidade trabalhei em uma fábrica caseira de mata mosquitos, engarrafando, rotulando e empacotando vidros de inseticida, foram essas últimas as minhas atividades entre os 10 e 16 anos, além de estudar e participar de comunidades como escoteiros entre outras, essas atividades me permitiam ter acesso a algumas coisas que só o dinheiro podia liberar.

    OK, eu cresci então entrei no mercado oficial de trabalho com carteira assinada e tudo mais, em outras palavras o trabalho simplesmente sempre fez parte do meu viver e de certa maneira sempre razoavelmente bem-sucedido, o que não significa que em algum momento pus alguma fé nele, apenas adaptei-me a sua existência e necessidade.

     Inevitável foi optar por buscar trabalho por conta depois da experiência como empregado, consegui conviver com cinco empresas, sempre com a dicotomia de sair-me bem, ser reconhecido e sentir-me não ajustado à estrutura e hierarquia nisso consumi dezesseis anos de minha vida, consequência lógica passei a trabalhar à minha maneira.

     Pensei assim estar com o problema resolvido, eu era a empresa, porém me passou despercebido o óbvio a empresa vive em uma coletividade de empresas, governos, associação, onde os problemas repetem-se pela definição de sociedade que temos.

     O problema não passa pelo trabalho em si e sim por uma construção que elege o trabalho como forma de poder, onde mais do que buscarmos frutos, estamos preocupados em manipular pessoas mantendo-as ocupadas e dentro de nosso mando, dentro de nossa influência, definindo hierarquias e dominação.


    Acredito sim em uma sociedade de trocas onde a coletividade produz para o todo, agregando então felicidade pelo fato de produzir, valorizando o trabalho como manifestação pessoal a serviço do bem comum, mas parece que com o passar dos dias mais e mais estamos nos afastando desse ideal.   

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