quarta-feira, 18 de junho de 2014

.Ermitão século XXI

     O velho ermitão da Idade Média não está extinto, sim temos o modelo moderno, onde sua caverna é um apto de um quarto, dos mais simples aos mais sofisticados, seus utensílios rústicos uma cama de casal, um fogão, um refrigerador, claro as parafernálias de áudio, vídeo, internet e de preferência não acomodações a terceiros.

     Seu espaço, mais seu hoje do que nunca apesar da globalização, tal qual nos tempos antigos, tem lugar para a autoconvivência, suas precariedades têm o valor de sua riqueza, seus livros, seus acessos ao mundo globalizado.

     A extensão do seu dia completa-se em seu lado andarilho, pelos inúmeros pontos culturais públicos ou privados, passando pelos botecos de conversa e chegando às grandes festas públicas onde as pessoas se aglomeram ora encontrando-se ora desencontrando-se.

     Cada vez mais os vemos circulando, pois os tempos atuais exigem caminhadas, a olhar e a serem observados, sem a pretensão de encontros que não os do acaso e de difícil continuidade.

     Encontramos também por certo os fanáticos que se encerram no mundo virtual, imaginando aí vida real, muito raramente participando de algum evento a não ser os provocados e relacionados ao mesmo.

     A maior diferença passa pelo sexo, hoje não mais um privilégio masculino esta opção de vida e sim de todos os sexos, a expressão todos aqui foi colocada pelo politicamente correto é claro.

     O momento é de transição, ainda não aprendemos a viver sozinhos, o desejamos com certeza, buscando relações mais livres, menos dependentes e mais completas, uma verdadeira cadeia de acréscimos onde não necessitamos nos dobrar, diminuindo-nos às exigências do outro.  


     São tempos de dedicação como sempre foram não mais aos seus deuses e sim ao homem.

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