terça-feira, 24 de junho de 2014

Regressão de Corpo e Alma - Sentença em Primeira Instância

     Vamos lá, vejam comigo, não lhes parece que as pistas são claríssimas, desencontro, desajuste continuado, incapacidade de ser socializado, não foi assim que vocês o sentiram ao lerem os primeiros dez anos.

     Todos vocês que fizeram a gentileza de me acompanharem nesses relatos perceberam logo ele gostava do castigo, da reprimenda, não por ser masoquista, não por não sentir tristeza, não por não se magoar, mas antes de tudo agarrava-se a ele como salvo conduto para no próximo momento fazer o que bem entender.

     O mais estranho que percebi, não sei se concordam, foi o permanente participar de tudo, de todos os acontecimentos, envolvendo-se com todas as pessoas sem abrir mão de seu livre-arbítrio, ou seja, circulava já nesse tempo como se fosse mais um, participando sem envolver-se, sem contaminar-se pelo pensamento comum, seguindo em linha própria.

     Sim sei que algum de vocês vai contestar-me dizendo "isso é comum em todas as crianças, são egocêntricas por natureza", mas não pude convencer-me poderia até pensar que consegui ver é o estranho evitar o conflito, aceitar de bom grado todos os argumentos, porém desautorizando-os no momento seguinte, por ocasião dia a dia realmente vivido.

    Bem o que me pareceu mais grave é que até os sete anos, um pouco mais ou um pouco menos, a ciência tem nos dito que se define toda a personalidade do ser humano, e os indicativos que se apresentam neste caso específico não são nada animadores, parece-me próximo do impossível que ele possa incorporar os sonhos da coletividade, acredito que seja um caso perdido e o desajuste é o único caminho.


    Bons talvez tenham surpresas no pós-infância, na adolescência e juventude, podem aparecer indicativos que permitam ver que todas as análises feitas estavam equivocadas, por isso continuo a contar os fatos a mim relatados em sequência, sigamos...

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