Vamos lá, vejam comigo, não lhes parece
que as pistas são claríssimas, desencontro, desajuste continuado, incapacidade
de ser socializado, não foi assim que vocês o sentiram ao lerem os primeiros
dez anos.
Todos vocês que fizeram a gentileza de me
acompanharem nesses relatos perceberam logo ele gostava do castigo, da
reprimenda, não por ser masoquista, não por não sentir
tristeza, não por não se magoar, mas antes de tudo agarrava-se a ele como salvo
conduto para no próximo momento fazer o que bem entender.
O mais estranho que percebi, não sei se
concordam, foi o permanente participar de tudo, de todos os acontecimentos,
envolvendo-se com todas as pessoas sem abrir mão de seu livre-arbítrio, ou seja,
circulava já nesse tempo como se fosse mais um, participando sem envolver-se,
sem contaminar-se pelo pensamento comum, seguindo em linha própria.
Sim sei que algum de vocês vai
contestar-me dizendo "isso é comum em todas as crianças, são egocêntricas
por natureza", mas não pude convencer-me poderia até pensar que consegui ver
é o estranho evitar o conflito, aceitar de bom grado todos os argumentos,
porém desautorizando-os no momento seguinte, por ocasião dia a dia realmente vivido.
Bem o que me pareceu mais grave é que até
os sete anos, um pouco mais ou um pouco menos, a ciência tem nos dito que se
define toda a personalidade do ser humano, e os indicativos que se apresentam
neste caso específico não são nada animadores, parece-me próximo do impossível
que ele possa incorporar os sonhos da coletividade, acredito que seja um caso
perdido e o desajuste é o único caminho.
Bons talvez tenham surpresas no
pós-infância, na adolescência e juventude, podem aparecer indicativos que
permitam ver que todas as análises feitas estavam equivocadas, por isso
continuo a contar os fatos a mim relatados em sequência, sigamos...
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