domingo, 23 de agosto de 2015

Rabugento

     Palavra clássica esta, rabugento, sim define pessoa chata, ou ainda emburrada ou se quiserem fora do contexto, percebo que seu significado aplica-se a mim junto a alguns que me leem, são como sombras impressas nas paredes do espírito destes, gostam da imagem original que eles compartilham e rejeitam o ecoar do mesmo pensamento nas diferentes linhas por mim escritas, se falo sombra o digo pela imperfeição da imagem que ela representa, repetindo-me apenas manifesto minha completa inconformidade com este simulacro de democracia que é o atual totalitarismo de consumo e não me sinto autorizado, apesar de justificar assim a qualificação, a abandonar a resistência.

     A origem conhecem todos, assim como um pintor faz sua obra sobrepondo porções de tinta até se expor por inteiro criando uma ficção, o ser humano racional que é, foi depositando camada a camada as razões lógicas para justificação do poder, sempre encontra um arrazoado de justificativas para a força e a coragem de exercer domínio sobre outrem, ou seria fraqueza e covardia em se expor à convivência em igualdade, nos sentimos capazes de definir o que é bom para o outro e assim nos tornamos onipotentes, injustos e discriminadores.

     Não que queira ser o Joãozinho do passo certo, até por não crer que exista um bom caminho para o outro, cada rota é individual adequada a tão somente um caminhante, o que a pensou, o que a planejou, o que a escolheu, as diversas rotas se cruzam claro que sim e como são boas essas intersecções, pois trazem o prazer que justifica plenamente o construir-se de cada um, não basta buscar a liberdade é preciso se mostrar como alguém que a busca.     

     Tenho uma grande fé na tomada individual de decisão, pois aí se encontra a redenção do homem, sempre que ele opta com autonomia o faz para o bem-estar seu, dos seres vivos e da natureza, livre do medo que o leva a atacar ou defender, ciente da independente unicidade que o livra de mútuas agressões, exatamente por isso me obrigo a repetir-me no evangelizar a desconstrução da carga civilizatória que carregamos tal qual um pecado original.

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