segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Distribuir a sobra não é Caridade.

     Dedicar ao outro o que nos sobra não é caridade e sim dispensa de lixo, buscamos trocar o inútil por um novo consumo, precisamos abrir espaço tanto físico no nosso entorno como psíquico na nossa alma, aliviando a culpa e assim curtir os encantos do nosso privilégio, caridade sempre foi partir com o outro o pão que comemos tanto físico como espiritual, sempre foi bondade, sempre foi considerar o outro como igual.

     Sou favorável sempre ao trabalho coletivo de resistência ao poder, apontando para o aumento da consciência sustentável universal, contra os gestos individuais de esmola que se traduzem por sua inutilidade, para o receptor é um ato de humilhação, de desvio na busca do caminho de obter uma sociedade justa, para o doador uma manifestação de superioridade e por isso mesmo um ato de discriminação.

     Alguns locais no mundo estão trabalhando o conceito de renda mínima para toda a população, independente de contrapartida, você recebe sendo rico ou pobre, estando trabalhando ou desempregado, vejo com bons olhos esse movimento, me parece justo que todos recebam sua parcela do trabalho global, ressalvando que deva ser um direito universal de qualquer ser humano e não somente de pequenas parcelas da humanidade que vivem em países com alto grau de desenvolvimento, só o que se gasta com a gestão de complicados sistemas de providência seria suficiente para dar essa garantia de viver bem a todos.

     Fatos lamentáveis como esses caminham com meia centena de imigrantes ilegais mortos encontrados na Europa nesta semana é o resultado desta permanente injustiça cometida pelo homem contra o próprio homem, felizmente temos como contrapartida o aumento de vozes a clamarem no deserto da sociedade de consumo pelo novo paradigma da sustentabilidade. 

     Estamos tratando da controversa distribuição da renda, infelizmente mais e mais concentrada nas mãos de poucos, quanto mais agregamos de tecnologia menos distribuímos renda e esta sempre cai na mão de quem não a suja, mas tem por espírito o salvo conduto de pegar sua parte à custa das mãos sujas de outrem.

     Não estamos falando do simplismo que seria todos ganharem o mesmo, estamos tratando de todos ganharem o mínimo justo para seu alimento, seu abrigo, seu estudo, seu lazer, constituir família e ter participação igualitária na comunidade social, somos devedores para com a humanidade de uma solução para este direito universal.     

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