Sair para o
dia sem definir quaisquer metas é dar chance ao prazer, alguns podem considerar
essa minha afirmação uma insensatez, eu os entendo percebo que apenas não param
para pensar no tema, afinal estamos no momento da sociedade onde só existem
objetivos maravilhosos, metas a alcançar, é um mundo com um diário programar
desejos de virada de ano, todos os dias temos que nos prometer alguma coisa nem
que seja a reedição da promessa do dia anterior.
Coloca-te no
meu lugar, sempre temos uma linha de procedimentos a seguir é da vida, temos
que acordar e buscar o movimento exigido pelo corpo, o mesmo exige alimento, não
muito, o mínimo para garantir sua manutenção, impõe–se socialmente engajar-nos
em um ganha-pão qualquer, o velho tema de casa “das responsabilidades”, tenho em
mim o medo de não entender onde nessa cadeia fica o prazer, sim a alegria das
nossas leituras, das nossas músicas, das nossas companhias, dos nossos filmes,
enfim não tenho nenhuma vontade de engessar-me nesta lista de quesitos
definidos como obrigação social, moral, ética seja lá que obrigação for meu
compromisso é com a felicidade.
Está bem eu
entendo alguém que siga escravizado a essa agenda, alarmes o chamando no
celular, momento após momento coordenando cada um dos seus passos, este cara planejou
estruturou uma cópia repetitiva de compromissos assumidos
com quem ele não sabe bem, ninguém sabe, alguma entidade abstrata, não nos
exercitamos o questionar, pois não é politicamente correto fazê-lo, minha
dificuldade está em entender que não exista prazer e que se possa viver sem
tê-lo.
O bem-estar exige disponibilidade não
planejamento, exige atenção não procura, exige alerta para os pequenos sinais
que transitam nos 360 graus do nosso entorno, e principalmente exige a decisão
não viciada a cada momento, uma opção clara pelo desmonte, por abandonar a
carga pesada do passado de intervenções indevidas de muitos mil anos de
ingerência na liberdade de “SER”, jogar fora esta mochila repleta de regras
subconscientes que nos tiram a vitalidade que necessitamos para viver a
anarquia que é o prazer.
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