O trem andava
solto entre Paris e Copenhagen, década de oitenta, século passado, eu era um sul-americano
na cabine contemplando o barulho continuado do mover-se sobre os trilhos, o
destino era virgem em seus encantos e percalços para mim o passageiro, minha
primeira aventura em um país nórdico, a esperança que percorria minha
imaginação em curtir bons momentos estava em minhas origens europeias,
descendente de migrantes da Prússia antiga e do império Austro-Húngaro, bem o
sabia excetuando-se meu avô materno que tinha vindo da região das minas de
carvão na Alemanha, em relação aos tataravôs seria muito mais difícil de
conseguir os rastros corretos e hoje localizá-los no mapa.
Ao entrar na
Alemanha surpreendeu-me inicialmente o forte aparato militar que invadiu o
trem, em busca dos nossos documentos devidamente armados os encarregados da
fronteira percorrendo o trem a validarem nossa entrada na Alemanha com uma
severidade que ainda não tinha visto em outros países europeus, claro em
reflexões posteriores dei-me conta do que ocorria, estávamos vivendo as
questões do terrorismo, o grande temor europeu na época em que se manifestou
forte na Alemanha e Itália principalmente.
Tinha feito uma
parada em Colônia (Köln) na Alemanha, era uma sexta fim
de tarde pela primeira vez vi um fenômeno que nos tempos atuais são mais
comuns, caminhando na região do porto passou por mim um verdadeiro vendaval de
pessoas, movimentando-se em todas as direções e isso aconteceu em quinze
minutos, enquanto tentava entender o que estava acontecendo me dei conta de que
não tinha mais ninguém nas ruas, apenas uns poucos perdidos dentro de bares e
os carros de polícia andando sobre os calçadões, era o êxodo para sair da
cidade em busca de um fim de semana, vi depois filas enormes de veículos nas
estradas afastando-se da cidade.
Muito surpreso
fiquei de não encontrá-la novamente em Copenhagen, não me deixou nenhuma pista
nenhuma dica me abandonou simplesmente, estudante de medicina tinha entrado na
minha cabine de trem, éramos os dois apenas, ela puxou da mochila uma garrafa
de vinho francês e buscamos uma mistura de línguas o
francês, inglês e portunhol como suporte de todo o resto que eram apenas
manifestações físicas completando-se em carinhos por ambos ali desejados e ali vividos,
valeu apenas por uma viagem França-Dinamarca, ao chegar não deixou dúvidas
tinha alguém e o que vivemos foi bom e era o que tinha que ser, minha índole de
prender-me emocionalmente com quem viva fisicamente não estava dentro dos
preceitos dela, para ela era apenas um momento em uma viagem completo por si
só.
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