quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Nos Subterrâneos da Europa

     Oferecida carona, oportunidade aproveitada, de carro até muito próximo à Amsterdam, bonito o interior da Holanda, foi nessa viagem trinta anos atrás que me dei conta como as coisas já funcionavam bem no velho continente, meu amigo simplesmente pegou a rota, incluindo vários países França, Bélgica, Holanda, programou o pedágio como um todo e não paramos em lugar nenhum, andávamos como se fronteiras não houvesse, no banco do carona detive-me a contemplar a organização das cidades e dos campos por quais transitávamos.

    Chegando à capital da Holanda, hospedei-me em um hotel simples, limpo e agradável adequado ao pouco dinheiro que possuía, sempre viajava usando as sobras das diárias, e isso era suficiente para estes momentos de lazer, a Europa tem como principal característica o respeito à relação prestador e receptor de serviços, em todos os lugares, talvez um pouco menos na Itália onde algumas tentativas de tirar vantagem do fato de ser turista me surpreenderam, mas nesse país em específico tem que contar o sangue latino e a crise econômica vivida pelo país na época, nunca esquecendo que a beleza incomparável de suas cidades, Roma, Veneza, entre outras quase tudo justifica.

     Por um lado me deliciava com o respeito às liberdades individuais na Holanda, a abertura para aceitar as necessidades de cada um, abrindo-se espaços para os cafés dos curtidores de maconha, para as vitrines onde se expunha a prostituição, por outro me desloquei por seus canais maravilhosos, andei em seus museus, percorri suas ruas e as belas e preservadas construções carregadas de histórias, convivi com pessoas agradáveis e hospitaleiras, essa cidade é a maior dos países baixos e realmente te traz a sensação de valer a pena viver em tal lugar.

     Porém não estou relatando essa viagem pelo óbvio e sim pelo inusitado de ser surpreendido por uma greve internacional de trem, chegando à estação para adquirir a passagem de volta, tinha que estar de volta no início da tarde de segunda, não havia trem, nem previsão de quando o teria, iniciou-se então a aventura: como voltar? Na rua principal encontrei por cinquenta dólares uma passagem para Paris de “magic bus”. 

     Só consegui me tranquilizar ao chegar ao outro dia fim da manhã na Gare Du Nord, na saída ao chegar à estação do Metrô, era noite no local do embarque, retirado da cidade não havia nada nem ninguém, aos poucos começaram a aparecer algumas pessoas, por fim apareceu o tal ônibus, literalmente nos jogaram dentro do mesmo, não se pediu documento só o ticket, o motorista mal educado, autoritário exigiu silêncio sob o risco de parar e mandar descer todo mundo, só parou na Bélgica para translado de ônibus, questão de autorização de trânsito, estava nos subterrâneos da Europa, transporte clandestino e imaginei que esse tipo de caminho poderia muito bem ser utilizado pelos terroristas que na época por lá andavam.  

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