Oferecida carona,
oportunidade aproveitada, de carro até muito próximo à Amsterdam, bonito o
interior da Holanda, foi nessa viagem trinta anos atrás que me dei conta como
as coisas já funcionavam bem no velho continente, meu amigo simplesmente pegou
a rota, incluindo vários países França, Bélgica, Holanda, programou o pedágio
como um todo e não paramos em lugar nenhum, andávamos como se fronteiras não houvesse,
no banco do carona detive-me a contemplar a organização das cidades e dos campos
por quais transitávamos.
Chegando à capital
da Holanda, hospedei-me em um hotel simples, limpo e agradável adequado ao
pouco dinheiro que possuía, sempre viajava usando as sobras das diárias, e isso
era suficiente para estes momentos de lazer, a Europa tem como principal
característica o respeito à relação prestador e receptor de serviços, em todos
os lugares, talvez um pouco menos na Itália onde algumas tentativas de tirar
vantagem do fato de ser turista me surpreenderam, mas nesse país em específico
tem que contar o sangue latino e a crise econômica vivida pelo país na época, nunca
esquecendo que a beleza incomparável de suas cidades, Roma, Veneza, entre
outras quase tudo justifica.
Por um lado me
deliciava com o respeito às liberdades individuais na Holanda, a abertura para
aceitar as necessidades de cada um, abrindo-se espaços para os cafés dos
curtidores de maconha, para as vitrines onde se expunha a prostituição, por
outro me desloquei por seus canais maravilhosos, andei em seus museus, percorri
suas ruas e as belas e preservadas construções carregadas de histórias, convivi
com pessoas agradáveis e hospitaleiras, essa cidade é a maior dos países baixos
e realmente te traz a sensação de valer a pena viver em tal lugar.
Porém não estou
relatando essa viagem pelo óbvio e sim pelo inusitado de ser surpreendido por
uma greve internacional de trem, chegando à estação para adquirir a passagem de
volta, tinha que estar de volta no início da tarde de segunda, não havia trem,
nem previsão de quando o teria, iniciou-se então a aventura: como voltar? Na
rua principal encontrei por cinquenta dólares uma
passagem para Paris de “magic bus”.
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