A tarde troca seu
existir pelo nascer da noite, o cinema é oportunizado a mim na magia deste
momento, filmes são uma de minhas paixões, procuro uma das salas de tela grande
da minha cidade, encontro uma poltrona livre nos espaços culturais ou numerada
ao meu gosto nos comerciais, sempre em fila central próxima à tela, feito! Apaga
a luz e o filme me envolve por inteiro, algumas vezes com o bônus de um debate,
conto-lhes que nos últimos dias vi tipos diferenciados de cinema, vejam:
Terminei a semana
com um filme nosso aqui do sul seguido no sábado pelo último de Godard ao qual
dediquei um blog específico, quero comentar o da sexta o “Dromedário no Asfalto”,
dirigido por Gilson Vargas, sim bom filme, um Road Movie entre o nosso querido Rio
Grande do Sul e o hospitaleiro Uruguai, lugares que gosto onde me sinto muito
bem e transito com frequência, o diretor encontrou um ator, Marcos Contreras, que
encaixou muito bem no roteiro, em movimento amadurece com sucessivos encontros pessoais que o preparam
para o objetivo final, o encontro inédito do pai, após a exibição o debate com a
simpatia do Marcos sempre presente e as colocações do Gilson esclarecedoras.
Início de semana,
cinema brasileiro, na terça fui ver Real Beleza, de Jorge Furtado e na quarta o
filme Educação Sentimental do Júlio Bressane, qualidade de fotografia de alto
nível com as verdadeiras obras de arte que são as paisagens do interior do Rio
Grande do Sul no primeiro e do Rio de Janeiro no segundo, propostas muito
diferentes de cinema com certeza.
No caso do Real
Beleza temos um enredo politicamente correto, água com açúcar onde as
transgressões são mediadas entre os principais protagonistas via acordos que me
deixaram a sensação de serem impraticáveis, destinado a angariar a simpatia do
público padrão Globo, sempre bem comportado, em lugar de gerar um
questionamento sério sobre família, paixão, amor e gratidão, o filme foi bem
feito nos absorve em sua sequência de cenas, mas penso que tropeça num irreal
bom caráter dos personagens nos passando uma mensagem de um caminho para
resolver as angústias pessoais construídos com o acomodar situações.
Já Educação
Sentimental nos mostra a mulher força, perfeição em torno da qual tudo gira,
revelando-se como sinônimo da natureza, bela, sensível, fecunda, culta, não
deixando espaço para mais nada, ela é o próprio todo, a protagonista na metáfora
da lua apaixonada por um rapaz adormecido é o feminino em relação ao sol simultaneamente
masculino para com a Terra, ou seja, suficiente por si só, como legado o filme
nos deixa enormes espaços para questionarmo-nos a concepção de mulher que cultivamos
internamente.
Na sequência vi
Vertigo de Hitchcock, que pretendo dedicar-lhe algumas linhas em outro blog e a
noite este ótimo “O Pagamento Final” dirigido por Brian de Palma de 1993, nosso
herói no filme tem a vitória final, da maneira que pessoalmente julgo a mais
preciosa: o poder de realizar o sonho de se regenerar, abandonando o mundo
marginal pelo único caminho que lhe sobrou ao morrer, via seu filho ainda na
barriga da mãe.
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