quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Que Barro nos Molda


     Perdido entre a interrogação e a afirmação, talvez exclame “cada um tem o barro e o molde adequado para criá-lo a sua imagem e semelhança!”, todos tem a receita certa para o meu viver, talvez um pouco apressado conclua que estou cercado por um mar de pessoas felizes, na verdade mais do que uma assertiva é um desejo meu que assim o seja, amém.

     O que me intriga um pouco é harmonizar as dificuldades que tenho para encontrar o meu melhor viver com as facilidades que tantos de maneira tão convicta o têm para mim, percebo que em um mundo iluminado pela sabedoria alguém deveria ser contemplado pela falta cegueira, e este alguém sou eu, pois vejo um relevo acidentado contraditado por uma maioria que encontra um tapete verde no mesmo olhar sobre o mundo.

     O mais curioso é que todas maravilhosas receitas que me são disponibilizadas parecem de fácil execução embora minha insistente inadequação ao executá-las, no dia a dia apresenta falta de aderência a minha vocação de encontrar prazer e felicidade, bom, sou obrigado a admitir que o erro esta no projeto de ser que represento por falta de aderência ao conceito majoritário do que é o existir.

     Vá lá que assim seja, são os desígnios nos quais não acredito que assim o querem, avancemos como se existisse uma direção tentando um pouco não perturbar a tranquilidade de outrem e capitalizando internamente os desafios como um presente merecido de quem quer e muito não trair-se a si mesmo.

     Talvez o problema esteja na meta, se puder pensar que se possa ter uma meta além de apenas existir, o que sei é que bem e mal não divergem é de fato um mesmo conceito apenas olhado de maneira diferente pelos olhos do julgador, que lamento informar-lhes por si só é uma desautorização, em nenhum momento é possível colocarmo-nos na pele do outro para entendermos sua fidelidade a si mesmo ao não.

     A autoinfidelidade é o único pecado possível e como tal inviável de ser constatada por terceiros, o que nos obriga a ver todos como puros ressalvando destes o conceito que de nós mesmos temos, e por certo por mais palavras que usássemos não conseguiríamos comunicar a ninguém o que somos, não só não saberíamos explicar como também não seríamos entendidos se o tentássemos.

     Caminho abraçado na certeza de minha vocação para o outro, para este outro que não conheço e nunca conhecerei o que em nada diminui a importância transcendente dele na minha vida, navego na convicção que nada tenho a dar-lhe a não ser a sua própria imagem que independente de minha vontade reflito, e como sou grato ao quanto ele permite que em mim mesmo veja, assim é a vida, ser só no meio de muitos é o selo que nos identifica como humanos.

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