Perdido entre a
interrogação e a afirmação, talvez exclame “cada um tem o barro e o molde
adequado para criá-lo a sua imagem e semelhança!”, todos tem a receita certa
para o meu viver, talvez um pouco apressado conclua que estou cercado por um
mar de pessoas felizes, na verdade mais do que uma assertiva é um desejo meu
que assim o seja, amém.
O que me intriga
um pouco é harmonizar as dificuldades que tenho para encontrar o meu melhor
viver com as facilidades que tantos de maneira tão convicta o têm para mim,
percebo que em um mundo iluminado pela sabedoria alguém deveria ser contemplado
pela falta cegueira, e este alguém sou eu, pois vejo um relevo acidentado contraditado
por uma maioria que encontra um tapete verde no mesmo olhar sobre o mundo.
O mais curioso é
que todas maravilhosas receitas que me são disponibilizadas parecem de fácil execução
embora minha insistente inadequação ao executá-las, no dia a dia apresenta
falta de aderência a minha vocação de encontrar prazer e felicidade, bom, sou
obrigado a admitir que o erro esta no projeto de ser que represento por falta
de aderência ao conceito majoritário do que é o existir.
Vá lá que assim
seja, são os desígnios nos quais não acredito que assim o querem, avancemos
como se existisse uma direção tentando um pouco não perturbar a tranquilidade
de outrem e capitalizando internamente os desafios como um presente merecido de
quem quer e muito não trair-se a si mesmo.
Talvez o problema
esteja na meta, se puder pensar que se possa ter uma meta além de apenas
existir, o que sei é que bem e mal não divergem é de fato um mesmo conceito
apenas olhado de maneira diferente pelos olhos do julgador, que lamento
informar-lhes por si só é uma desautorização, em nenhum momento é possível colocarmo-nos
na pele do outro para entendermos sua fidelidade a si mesmo ao não.
A autoinfidelidade
é o único pecado possível e como tal inviável de ser constatada por terceiros, o
que nos obriga a ver todos como puros ressalvando destes o conceito que de nós
mesmos temos, e por certo por mais palavras que usássemos não conseguiríamos
comunicar a ninguém o que somos, não só não saberíamos explicar como também não
seríamos entendidos se o tentássemos.
Caminho abraçado
na certeza de minha vocação para o outro, para este outro que não conheço e nunca
conhecerei o que em nada diminui a importância transcendente dele na minha vida,
navego na convicção que nada tenho a dar-lhe a não ser a sua própria imagem que
independente de minha vontade reflito, e como sou grato ao quanto ele permite
que em mim mesmo veja, assim é a vida, ser só no meio de muitos é o selo que
nos identifica como humanos.
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