Um só canto, um só espaço, um pleno silêncio,
Nada é nunca, nenhum novo movimento,
Nem há vida, nem há morte, nem há o cio,
Pareço o ser recluso, estou feito detento.
São momentos de sempre negar entender-se,
Luta permanente de deixar de ficar,
Nada serve como lugar para meter-se,
Vida negada não tem o mistificar.
Assim o é quando para mim só há branco,
Difícil entender porque não vês o espanto,
Pois tudo que quero vai só contra meu flanco,
Até explicar-me em pleno puro esperanto.
Não sei como entender, nada comigo mexe,
Aturdido, parado, sem gota de pranto,
Não há espaço que comigo inteiro me vexe,
Apenas muito quero e sempre nada planto.
Parar é, todavia o maior movimento,
Eu paro imóvel em todo instante finito,
Fugindo do infinito perfeito tormento,
Que se desdobra iludido ante mim aflito.
Eu quero muito fugir deste pleno Branco,
Ninguém consegue me mostrar o jeito preto,
Só sei que o temporal derrubou no barranco,
Torrentes de pecados que nunca cometo.
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