segunda-feira, 25 de maio de 2015

Trilha do Poder - Nossos Deuses

     No intuito de mantermos o poder não poderíamos permanecer expostos à constância de sermos desafiados por iguais, só a força física não era suficiente mesmo considerando termos agregado pessoal para segurança, precisávamos legitimar-nos com algo mais, evitando o excessivo numero de enfrentamentos, lembramo-nos de nossos temores quanto à força da natureza e se essa fosse nossa aliada? Nada como um bom ser superior que apesar de não o vermos percebemos os efeitos de sua atuação, nada como um “Deus” que não poderia ser contestado e cujo temor submeteria os outros a sua vontade que a bem da verdade nós explicitaríamos. 

     Deuses e o mundo que não entendo:
     Nós agora organizados em uma rudimentar estrutura, perplexos com a amplitude de certos fenômenos naturais como os raios e seus incêndios, os temporais e seus trovões, o nascer do dia e da noite, eventos os quais não conseguíamos explicar, sofríamos suas consequências e os temíamos, não demorou muito para associá-los a deuses muito similares a nós mesmos, porém em uma potência infinita, afinidade com estes deuses passou a ser a justificativa para superioridades sobre outrem, politeístas começamos a dominar pela manifestação indireta, via nossa interpretação, da vontade dos nossos diversos deuses.

     Deuses na consolidação do poder:
     Sim a luta tinha sido ganha, era mais uma batalha vencida, agora era preciso garantir o domínio sobre este povo derrotado, assim como nosso povo tinha grande respeito aos nossos deuses o mesmo ocorria em relação aos seus por parte dos vencidos, seria mais fácil dominá-los pela absorção dos seus deuses, somamos aos ganhos de guerra seus deuses passando a usá-los como nossos também, aliados a estes ficou muito mais fácil manter o nosso poder, pois podíamos utilizar o desígnio dos deuses a nosso favor.    
 
     Deuses e unidade na resistência:
     Por outro lado quando derrotados na guerra, sendo submetidos a outros povos diretamente pela força bruta, ou ainda nossa subordinação transferida devido aos nossos próprios dominadores terem sido suplantados por inimigos ainda mais fortes, correndo risco de extinção, criamos um “Deus” único, monoteísta, diferente dos deuses de nossos senhores, para gerarmos uma identidade de povo em torno deste “Deus”, honrar esse “Deus” era mantermos um ideal de resistência e alimentarmos o sonho de um inevitável futuro vitorioso garantido pela superioridade dele.               

     Criando Deuses Criadores:
     Não satisfeitos à medida que íamos descobrindo as causas naturais de muitos fenômenos antes creditados a “Deus”, a questão da existência tornou-se mais forte e para justificá-la precisamos moldar um “Deus” a nossa imagem e semelhança, o qual nos abençoaria legitimando nosso poder.


     A mim o que em particular me soa curioso é que coincidentemente sempre os deuses estão ao lado do poder e a serviço da submissão dos povos.

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