No intuito de
mantermos o poder não poderíamos permanecer expostos à constância de sermos
desafiados por iguais, só a força física não era suficiente mesmo considerando
termos agregado pessoal para segurança, precisávamos legitimar-nos com algo
mais, evitando o excessivo numero de enfrentamentos, lembramo-nos de nossos
temores quanto à força da natureza e se essa fosse nossa aliada? Nada como um
bom ser superior que apesar de não o vermos percebemos os efeitos de sua
atuação, nada como um “Deus” que não poderia ser contestado e cujo temor submeteria
os outros a sua vontade que a bem da verdade nós explicitaríamos.
Deuses e o mundo
que não entendo:
Nós agora
organizados em uma rudimentar estrutura, perplexos com a amplitude de certos
fenômenos naturais como os raios e seus incêndios, os temporais e seus trovões,
o nascer do dia e da noite, eventos os quais não conseguíamos explicar, sofríamos
suas consequências e os temíamos, não demorou muito para associá-los a deuses
muito similares a nós mesmos, porém em uma potência infinita, afinidade com
estes deuses passou a ser a justificativa para superioridades sobre outrem,
politeístas começamos a dominar pela manifestação indireta, via nossa interpretação,
da vontade dos nossos diversos deuses.
Deuses na
consolidação do poder:
Sim a luta tinha
sido ganha, era mais uma batalha vencida, agora era preciso garantir o domínio sobre
este povo derrotado, assim como nosso povo tinha grande respeito aos nossos deuses
o mesmo ocorria em relação aos seus por parte dos vencidos, seria mais fácil dominá-los
pela absorção dos seus deuses, somamos aos ganhos de guerra seus deuses passando
a usá-los como nossos também, aliados a estes ficou muito mais fácil manter o
nosso poder, pois podíamos utilizar o desígnio dos deuses a nosso favor.
Deuses e unidade
na resistência:
Por outro lado quando
derrotados na guerra, sendo submetidos a outros povos diretamente pela força
bruta, ou ainda nossa subordinação transferida devido aos nossos próprios
dominadores terem sido suplantados por inimigos ainda mais fortes, correndo risco
de extinção, criamos um “Deus” único, monoteísta, diferente dos deuses de nossos
senhores, para gerarmos uma identidade de povo em torno deste “Deus”, honrar esse
“Deus” era mantermos um ideal de resistência e alimentarmos o sonho de um inevitável
futuro vitorioso garantido pela superioridade dele.
Criando Deuses
Criadores:
Não satisfeitos à
medida que íamos descobrindo as causas naturais de muitos fenômenos antes
creditados a “Deus”, a questão da existência tornou-se mais forte e para justificá-la
precisamos moldar um “Deus” a nossa imagem e semelhança, o qual nos abençoaria
legitimando nosso poder.
A mim o que em
particular me soa curioso é que coincidentemente sempre os deuses estão ao lado
do poder e a serviço da submissão dos povos.
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