quinta-feira, 7 de maio de 2015

Encontrei Rousseau na Estrada de Fellini

     É particularmente agradável para mim assistir aos filmes de Fellini, ontem participando de um evento na Aldeia com um grupo de pessoas heterogêneo e particularmente interessadas em cinema tanto no ato de ver como no de conversar sobre ele, pude curtir "A Estrada" película deste cineasta admirável, e o foi conforme o esperado uma experiência prazerosa, enriquecedora e gratificante.

     Sei que estou me repetindo ao dizer que nunca vemos o mesmo filme duas vezes porque já não somos os mesmos, mas neste caso em especial influenciado pela leitura do momento em torno de Rousseau, pensador que tenho redescoberto em uma amplitude de ideias que não imaginava e que muito bem encaixam em meu momento atual, pois o encontrei muito presente neste Fellini de "A Estrada".

     O pensador suíço não falava de cinema, não é de sua época, mas falava de literatura e teatro, o que transpus para a sétima arte a sua defesa intransigente da obra não pretensamente universal e sim construída sobre a verdade local da vida, engajada com essa realidade do dia a dia de sua comunidade, credito o sucesso deste filme específico em todo o mundo estar particularmente ligado ao fato do mestre Fellini nos mostrar honestamente a Itália em que ele viveu. Sempre se disse de Fellini que ele era um contador de história com um imaginário construído em cima da realidade por ele vivida, nada mais Rousseau do que isto.

     Assim são os personagens de Fellini nesse filme, integrados a uma Itália devastada pelo pós-guerra: honestos, verdadeiros, definidos bem ao estilo pregado pelo criador do contrato social, o que nos permite reconhecê-los como parte presente em nossas vidas através das pessoas com quem convivemos, e nós percebemos com clareza a maestria do diretor em nos mostrar durante o desenrolar do filme a coerência de cada um deles com a personalidade psicológica proposta e sua evolução na passagem do tempo.


     Não poderia ter encomendado uma noite melhor, vendo muita gente bacana participando desse evento interessante, ver um filme e comentá-lo é sempre um grande programa, agora se falamos de Fellini e se este me traz lembrança do pensamento filosófico de Rousseau então terminamos com nota dez.

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